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Líderes do Sudão do Sul participaram de um retiro no Vaticano em 11 de abril de 2019  Líderes do Sudão do Sul participaram de um retiro no Vaticano em 11 de abril de 2019   (Vatican Media)

Papa, Welby e Chalmers expressam proximidade aos esforços de paz no Sudão do Sul

Em uma mensagem conjunta de felicitações pelo Natal e o Ano Novo enviada ao presidente do Sudão do Sul Salva Kiir e ao líder da oposição Machar, o Papa Francisco, o Primaz da Igreja Anglicana e o ex-moderador da Igreja Presbiteriana da Escócia asseguram sua oração "por um renovado compromisso no caminho da paz", também para que “torne-se possível nossa visita" a este querido país.

Alessandro Di Bussolo - Cidade do Vaticano

Por ocasião do Natal e do início do novo ano, o Papa Francisco, o Primaz da Igreja Anglicana Justin Welby e o Reverendo John Chalmers, ex-moderador da Igreja Presbiteriana da Escócia, enviaram uma mensagem conjunta aos líderes políticos do Sudão do Sul, assegurando sua proximidade "aos seus esforços para implementar prontamente os Acordos de Paz".

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O Papa, Welby e Chalmers formulam ao presidente sul-sudanês Salva Kiir e ao líder da oposição armada Riek Machar - que em abril deste ano foram convidados por Francisco para um retiro espiritual de alguns dias no Vaticano - e ao povo do Sudão do Sul, os melhores votos de paz e prosperidade.

Que Jesus guie vossos passos, para que nossa visita seja possível

 

"Elevemos, portanto – escrevem ainda - nossas orações a Cristo Salvador por um renovado compromisso no caminho da reconciliação e de fraternidade" e invocam abundantes bênçãos sobre os líderes políticos e para todo o Sudão do Sul.

"Que Senhor Jesus, Príncipe da Paz, ilumine e guie seus passos na bondade e na verdade, para que a nossa esperada visita a este querido país seja possível".

O desejo de visitar o Sudão do Sul, em caso de acordo

 

Ao final da oração do Angelus de 10 de novembro passado, o Papa Francisco expressou seu desejo de visitar o Sudão do Sul no próximo ano. O Pontífice e o arcebispo de Cantuária, Justin Welby - que se encontraram no Vaticano em meados de novembro - definiram a situação no país como "dolorosa" e reiteraram sua intenção de visitar o Sudão do Sul juntos, se as partes em conflito formarem um governo de unidade nacional até fevereiro de 2020.

 

O pensamento especial de Francisco "ao querido povo do Sudão do Sul" voltou-se novamente ao país no momento em que era atingido por grandes inundações, que deixaram mais de 490 mil crianças necessitadas de assistência humanitária. Uma emergência que se somou à já precária situação política, com as negociação de paz ainda emperradas.

Mensagem de Natal do Conselho de Igrejas do Sudão do Sul

 

Há alguns dias, o Conselho de Igrejas do Sudão do Sul divulgou uma mensagem de Natal focada na esperança cristã: esperança de paz, perdão e reconciliação em um país atormentado por guerras sangrentas, mas também pela pobreza, pelo drama dos deslocados e pelos desastres naturais.

 

"Os ventos da implementação do Novo Acordo para a resolução do conflito no Sudão do Sul – lê-se na mensagem - continuam soprando entre muitos obstáculos". Neste sentido, preocupado com a persistência das hostilidades, o Conselho de Igrejas renova seu apelo ao diálogo, comprometendo-se em trabalhar com as forças políticas para pacificar o país: "Vamos nos unir - é a exortação final da mensagem das Igrejas Cristãs – para fazer de 2020, um ano de paz e esperança para o povo do Sudão do Sul, uma paz que permita às crianças ir à escola com alegria, às mulheres de viver sem medo, aos refugiados e pessoas deslocadas de voltarem para suas casas com dignidade e aos líderes para sentarem-se em volta de uma mesa para discutir o futuro do nosso país".

Um país de joelhos: guerra civil, inundações e fome

 

Independente do Sudão desde 2011, após uma guerra de décadas, o Sudão do Sul é hoje um país com uma economia e uma população de joelhos devido à nova guerra que eclodiu em 2013 entre as milícias étnicas de Dinka, leais ao presidente Salva Kiir e aqueles da etnia Nuer, liderada pelo ex-vice-presidente Machar, que em 2018 concluiu um novo acordo de paz em Adis Abeba.

 

Sua implementação, no entanto, custa a decolar mesmo após o histórico retiro espiritual convocado pelo Papa Francisco no Vaticano em abril deste ano, para o qual os dois líderes rivais foram convidados a participar.

Somam-se à instabilidade política as inundações, a fome e as crises alimentares, que forçaram 2,5 milhões de pessoas a fugir e procurar refúgio na Etiópia e em Uganda. O empenho das Igrejas com o Sudão do Sul tem um histórico importante. De fato, muitos são os religiosos e religiosas e as ONGs  envolvidas em projetos de ajuda à população.

O histórico retiro espiritual na Santa Marta, nos dias 10 a 11 de abril

 

Em abril, o Papa havia de fato recebido na Santa Marta o presidente sudanês Salva Kiir e o líder da oposição armada Riek Machar, para um retiro espiritual que durou alguns dias, ao final do qual foi manifestado o desejo de prosseguir no caminho da reconciliação.


Na ocasião, Francisco convidou todos os atores do processo político nacional "a buscar o que une e a superar o que divide, num espírito de verdadeira fraternidade", instando todos a rezar pelo Sudão do Sul.

Em um gesto sem precedentes, o Papa Francisco se inclinou para beijar os pés de Salva Kir e dos outros líderes presentes, como mostram as fotografias daquele encontro que rapidamente circularam em todo o mundo.  

25 dezembro 2019, 10:02