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Francisco e o arcebispo de Cantuária Justin Welby Francisco e o arcebispo de Cantuária Justin Welby  (ANSA)

O Papa e o arcebispo de Cantuária expressam intenção de visitar juntos o Sudão do Sul

Encontro no Vaticano, entre Francisco e o arcebispo de Cantuária Justin Welby. No centro dos colóquios a difícil situação dos cristãos, as crises internacionais e a intenção de visitar juntos o Sudão do Sul.

Andrea De Angelis - Cidade do Vaticano

O coração do Papa Francisco e do arcebispo anglicano de Cantuária Justin Welby bate em uníssono pelo povo do Sudão do Sul. Os dois, que se encontraram no Vaticano, manifestaram a intenção de visitar juntos o país africano. Um desejo que poderá concretizar-se se - como afirma o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé - "a situação política permitir a constituição de um governo de transição de unidade nacional nos próximos 100 dias, quando expirar o acordo assinado em Uganda nos últimos dias". A audiência foi realizada na tarde desta quarta-feira: presentes também Ian Ernest, arcebispo Diretor do Centro Anglicano de Roma e Representante da Comunhão Anglicana junto à Santa Sé. O Santo Padre e a máxima autoridade espiritual da Igreja Anglicana também se detiveram "sobre a condição dos cristãos no mundo e sobre algumas situações de crise internacionais, com particular referência à dolorosa realidade do Estado africano". A atenção para com o Sudão do Sul foi expressa pelos dois líderes em várias ocasiões. Há apenas três dias, domingo, 10 de Novembro, depois da recitação do Angelus na Praça de São Pedro, o Papa manifestou o seu desejo de visitar o Estado africano.

O primeiro encontro entre Francisco e Welby

Passaram-se exatamente 80 meses desde o dia em que Francisco ascendeu ao trono de Pedro: era 13 de março de 2013. No mesmo mês, 21 de março de 2013, a cerimônia de entronização de John Welby como arcebispo de Cantuária. O primeiro encontro entre os dois ocorreu em 14 de junho de 2013, quando o maior expoente da Igreja Anglicana teve uma conversa privada com o Papa Francisco na biblioteca do Santo Padre. Dirigindo-se ao arcebispo, o Papa saudou-o com as palavras usadas em 1956 por Paulo VI diante do arcebispo Michael Ramsey: "Estamos felizes por abrir-te as portas e, com as portas, o Nosso coração; pois estamos felizes e honrados por te acolher "não como hóspede e estrangeiro, mas como concidadão dos santos e da família de Deus" (cf. Ef 2, 19-20)". Ainda naquele ano, em seu primeiro discurso como líder anglicano no Sínodo Geral de York, o arcebispo Justin Welby citou duas vezes o Papa Francisco para indicar a direção que a "Igreja da Inglaterra" deveria tomar "nesta época de revoluções", na qual "a tarefa dos cristãos é ser guardiães do Evangelho que transforma indivíduos, nações e sociedades".

Atenção ao Sudão do Sul

Em abril de 2019 foi realizado no Vaticano o retiro espiritual das autoridades civis e eclesiásticas do Sudão do Sul. A proposta de reunir as mais altas autoridades civis e eclesiásticas do país africano na Casa Santa Marta foi apresentada ao Papa Francisco pelo arcebispo de Cantuária, Justin Welby, com o objetivo de oferecer, por parte da Igreja, "uma oportunidade para a reflexão e a oração, assim como para o encontro e a reconciliação, num espírito de respeito e de confiança, àqueles que neste momento têm a missão e a responsabilidade de trabalhar por um futuro de paz e prosperidade para o povo sudanês", como explicou depois o diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti. No final da oração mariana do Angelus do domingo passado, o Papa Francisco expressou o seu desejo de visitar o Sudão do Sul no próximo ano. Já por ocasião da audiência com o Presidente da República do Sudão do Sul, Salva Kiir, o Papa tinha manifestado a sua vontade. Ainda antes, em fevereiro de 2017, em resposta a uma pergunta na paróquia anglicana "Todos os Santos" em Roma, o Papa Francisco anunciou que uma visita de um dia ao Sudão do Sul estava sendo estudada com o arcebispo de Cantuária, Justin Welby.

 

 

14 novembro 2019, 11:24