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Austrália. Dom Fisher: tráfico de pessoas, um crime vergonhoso

Se não acabarmos com o tráfico de seres humanos, permaneceremos “cúmplices de um crime contra a humanidade”, disse o arcebispo de Sydney, dom Anthony Fischer, ao apresentar o Relatório da Rede católica australiana contra a escravidão, mostrando que existe um risco crescente de formas modernas de escravidão na Austrália, principalmente devido à emergência sanitária causada pelo coronavírus e a consequente recessão econômica

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“O período da escravidão não acabou, a escravidão moderna e o tráfico de seres humanos ainda são uma realidade”: foi o que disse o arcebispo de Sydney, na Austrália, dom Anthony Fisher, apresentando na quinta-feira, 29 de julho, o relatório anual da Rede católica australiana contra a escravidão.

“Os esforços para tornar esta realidade conhecida e proibir esta prática são tão necessários hoje como nos séculos precedentes”, frisou o prelado. O arcebispo reconheceu que, nos últimos tempos, tem havido uma crescente consciência do “flagelo que esta situação provoca em nossa sociedade”: por exemplo, basta pensar que a partir de 2013, por decisão da ONU, o Dia Mundial contra o Tráfico se celebra em 30 de julho, e que a partir de 2015, em 8 de fevereiro, na memória litúrgica de Santa Josefina Bakhita, se celebra o Dia mundial de oração, reflexão e ação contra o tráfico de seres humanos.

Um crime que causa escândalo numa sociedade cristã

Todavia, estes exemplos “ainda não são uma garantia da abolição” deste crime que causa “escândalo, especialmente numa sociedade cristã” ou que “pretende ser um modelo de valores 'iluminados' e de respeito à lei e à liberdade”.

Se não pusermos um fim ao este tráfico, permanecemos “cúmplices de um crime contra a humanidade”, acrescentou dom Fisher.

Em seguida, o arcebispo de Sydney deplorou o fato de o Parlamento de Nova Gales do Sul ter aprovado em 2008 uma nova lei contra a escravidão moderna sem, no entanto, colocá-la em vigor.

40 milhões de pessoas no mundo e milhares na Austrália

“O governo ainda está protelando”, observou, apesar de ser oficialmente reconhecido que o tráfico de seres humanos afeta “pelo menos 40 milhões de pessoas no mundo e milhares na Austrália”.

“É vergonhoso e desonroso que depois de reconhecer publicamente este crime e depois de fazer algo concreto para erradicá-lo, sejam minadas todas as medidas para combatê-lo, permitindo que empresas e consumidores continuem se beneficiando do trabalho escravo”, desabafou dom Fisher.

Além disso, no contexto da pandemia da Covid-19, o arcebispo de Sydney exortou “a não perder a determinação de lutar contra a escravidão”.

Risco crescente de formas modernas de escravidão

O Relatório da Rede católica australiana contra a escravidão mostra que existe um risco crescente de formas modernas de escravidão na Austrália, principalmente devido à emergência sanitária causada pelo coronavírus e a consequente recessão econômica que levou migrantes, refugiados e portadores de visto temporário a entrar no circuito do trabalho não declarado e não tutelado.

As principais conclusões do Relatório, que examinou os 3 bilhões e 180 milhões de dólares (98% dos gastos) de 2075 prestadores de serviços, indicaram que 54% deles estão em risco de escravidão moderna na cadeia de fornecimento dos mercados internos, sobretudo no que diz respeito a equipamentos médicos.

Fundada em 2019, a Rede católica australiana contra a escravidão é composta por 32 membros, incluindo dioceses, institutos religiosos, centros educacionais, órgãos de saúde e de assistência a idosos, e prestadores de serviços sociais, todos católicos.

Vatican News – IP/RL

30 julho 2020, 12:40