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Papa Francisco com primeiro-ministro etíope em  21 de janeiro de 2019 Papa Francisco com primeiro-ministro etíope em 21 de janeiro de 2019  (ANSA)

Prêmio Nobel da Paz ao Primeiro Ministro etíope Abiy Ahmed Ali

O acordo de paz e a retomada das relações diplomáticas com a Eritreia estiveram no centro do colóquio entre o Papa Francisco e o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, recebido no Vaticano em 21 de janeiro deste ano.

Federico Francesconi - Cidade do Vaticano

O Comitê norueguês concedeu o prestigioso prêmio ao primeiro-ministro etíope por "seus esforços em resolver o conflito na fronteira com a vizinha Eritreia". 

Foi por meio de um tweet que o Comitê para a Paz informou que "o Prêmio Nobel da Paz de 2019 pretende também reconhecer todas as partes envolvidas que trabalham pela paz e reconciliação na Etiópia e nas regiões do leste e nordeste da África".

A comissão destacou o trabalho realizado por Ahmed Ali, em conjunto com o presidente da Eritreia, Isaias Afwerki, para estabelecer as bases de um acordo de paz entre os dois países, oficialmente em guerra de 1998 a 2000, mas envolvidos em um sangrento período pós-guerra, caracterizado por um impasse na fronteira que durou até o ano passado.

 

"Embora ainda há muito a ser feito – explica ainda o Comitê -  Abiy Ahmed iniciou importantes reformas para dar a muitos cidadãos a esperança de uma vida melhor e como primeiro-ministro procurou promover a reconciliação, a solidariedade e a justiça social".

Após a designação, o primeiro-ministro da Etiópia disse que se sentia "honrado" e "entusiasmado" e explicou que considerava este como "um prêmio para a África".

Apoio e manifestações de apreço pela notícia vieram logo em seguida da parte, entre outros, do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, que destacou que a visão de Abiy Ahmed "ajudou a Etiópia e a Eritreia a alcançar uma reaproximação histórica e sua liderança deu um exemplo maravilhoso para os outros na África e não só".

Uma mensagem de agradecimento também foi enviada pela Anistia Italia, que pediu a Abiy Ahmed que continuasse trabalhando e fazendo mais em relação aos direitos humanos.

Quem é Abiy Ahmed Ali

 

Ex-militar e político da coalizão de governo que detém o poder na Etiópia desde 1991, da qual ele agora é o líder, mesmo antes de se tornar primeiro ministro na primavera de 2018, Abiy Ahmed Ali foi descrito como uma esperança para o futuro da democracia na Etiópia. Em parte porque, com apenas 43 anos de idade, ele representa a geração mais jovem da política etíope e em parte por pertencer à etnia Oromo - uma maioria étnica que há muito tempo ficou à margem no país.

Além do tratado de paz assinado com a Eritreia - considerado por muitos observadores o mais importante  progresso ocorrido no ano passado para alcançar a estabilidade no território do Corno de África - durante seu mandato, Abiy Ahmed Ali libertou milhares de prisioneiros políticos e reconheceu  os movimentos de oposição anteriormente considerados terroristas, denunciou a corrupção dentro de seu próprio governo de coalizão e começou a implementar uma série de reformas para modernizar o sistema econômico etíope.

O papel da Etiópia no Chifre da África

 

"Este prêmio reconhece a importância da Etiópia como um país hegemônico na região do chifre da África. Reconhece as políticas de paz do primeiro-ministro etíope e é importante como prêmio para o continente africano e, especialmente, para um político africano, uma categoria frequentemente considerada não à altura de seu papel", afirmou à Rádio Vaticana Italia  Alessandro Triulzi, professor de história africana na Universidade de Nápoles, L'Orientale.

11 outubro 2019, 15:28