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Paz com a Eritreia e desenvolvimento da África: conversa entre Papa e premier da Etiópia

O recente acordo e a retomada das relações diplomáticas com a Eritreia estiveram no centro do colóquio, realizado na Residência Apostólica.

Cidade do Vaticano

O Papa Francisco recebeu na tarde desta segunda-feira (21/01), no Vaticano, o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed.

O recente acordo e a retomada das relações diplomáticas com a Eritreia estiveram no centro do colóquio, realizado na Residência Apostólica.

A Sala de Imprensa da Santa Sé refere, num comunicado, que “foi falado sobre o compromisso da Etiópia na estabilização do Chifre da África” e também sobre a “situação regional, a solução pacífica dos conflitos e o desenvolvimento socioeconômico da África”.

O Papa e o premier etíope de 42 anos falaram também sobre as “iniciativas importantes em andamento para a promoção da reconciliação nacional e o desenvolvimento integral do país”.

Nesse contexto, refere ainda a nota da Sala de Imprensa da Santa Sé, “foi sublinhado o papel do cristianismo na história do povo etíope e a contribuição das instituições católicas nos campos da educação e saúde”.

Troca de dons

No final do encontro, o primeiro-ministro doou ao Papa alguns tecidos típicos da Etiópia e uma pintura representando Cristo ressuscitado.

Por sua vez, o Papa Francisco doou a Ahmed um medalhão de um artista do século passado, representando um deserto no qual se destacam uma espiga e um cacho de uvas: uma referência, explicou o Papa, à profecia de Isaías “o deserto um dia se tornará um jardim”.

Foi doado também o texto da mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz 2019 e quatro documentos pontifícios: Evangelii Gaudium, Laudato si’, Gaudete et Exultate e Amoris Laetitia.

A seguir, o premier etíope foi recebido pelo secretário de Estado Vaticano, cardeal  Pietro Parolin.

Momento importante para a Etiópia

A audiência do Papa ao primeiro-ministro Ahmed ocorreu num momento importante para a Etiópia que depois de 20 anos de guerra e milhares de vítimas, no ano passado, concordou, em julho, e depois assinou, em 18 de setembro, um acordo de paz com a Eritreia. Um fato histórico, conforme sublinhado pelo Papa Francisco, no último dia 7, em seu discurso ao Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé:

Durante o último ano houve alguns sinais significativos de paz, começando com o histórico acordo entre a Etiópia e a Eritreia, que encerra vinte anos de conflito e restabelece as relações diplomáticas entre os dois países.

Esperança para os dois países do Chifre da África

Uma caminho de paz que o Papa incentivou também no Angelus do dia primeiro de julho de 2018:

No meio de tantos conflitos, é necessário assinalar uma iniciativa que se pode definir histórica, e podemos considerá-la uma boa notícia: nestes dias, depois de vinte anos, os governos da Etiópia e da Eritreia voltaram a falar de paz. Possa tal encontro acender uma luz de esperança para estes dois países do Chifre da África e para todo o continente africano.

Ajuda da Igreja aos órfãos e vítimas da guerra

Em 9 maio de 2014, o Papa Francisco em seu discurso aos bispos da Conferência Episcopal da Etiópia e Eritreia em visita ad limina, invocou a paz na região martirizada do Chifre da África:

Queridos irmãos Bispos, juntamente com os sacerdotes, os religiosos, as religiosas e os fiéis leigos das vossas Igrejas locais, sois chamados a espalhar esta fragrância de Cristo na Etiópia e na Eritreia. Muitos anos de conflito e tensões constantes, além de uma pobreza generalizada e condições de seca, causaram tanto sofrimento às pessoas. Agradeço-vos pelos generosos programas sociais que, inspirados no Evangelho, ofereceis em colaboração com as diversas entidades religiosas, caritativas e governamentais, que visam aliviar este sofrimento. Penso em particular nas numerosas crianças que servis, as quais sofrem a fome e ficaram órfãos por causa da violência e da pobreza. Penso também nos jovens que, como muitos amigos seus e familiares, gostariam possivelmente de fugir do próprio país em busca de oportunidades e correm o risco de perder a vida em viagens perigosas. E naturalmente devemos sempre recordar os numerosos idosos que, entre tantas dificuldades, podem facilmente ser esquecidos. Os vossos esforços em relação a eles, que dão um testemunho tão forte do amor de Deus entre vós, são uma graça extraordinária para as pessoas. Na vossa preocupação amorosa para com os pobres e oprimidos, continuai a procurar novas oportunidades para cooperar com as autoridades civis na promoção bem comum.

21 janeiro 2019, 19:52