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Egito. Papa Tawadros: para coptas não há mais nenhuma proibição de visitar Jerusalém

Durante os anos em que o conflito árabe-israelense estava se radicalizando, o patriarca copta Shenuda III (1923-2012) havia proibido os fiéis de sua Igreja de fazer peregrinações ao Estado judaico e não havia mudado sua posição mesmo após a normalização das relações entre o Egito e Israel. Já em 2016 ficou claro que as proibições anteriores impostas às peregrinações coptas à Terra Santa não tinham mais nenhuma razão de ser e não eram mais percebidas como obrigatórias pelos coptas batizados

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Os cristãos coptas do Egito que vão em peregrinação a Jerusalém não violam nenhuma disposição da autoridade eclesiástica. As prescrições dispostas no passado pela cúpula da hierarquia copta, que no contexto histórico do conflito árabe-israelense instruíam seus fiéis a não visitarem a Cidade Santa, estão decaídas e superadas pela história.

Estas são as considerações que o patriarca Tawadros quis repetir claramente durante uma entrevista televisiva transmitida em 7 de janeiro, por ocasião do Natal copta, com a clara intenção de acabar com as hesitações e controvérsias que continuam impedindo muitos cristãos coptas de ir em peregrinação a Jerusalém.

Suspensão contribuiu para diminuir coptas na Terra Santa

Na entrevista, o Papa Tawadros lembrou que desde o século XIII, crônicas atestam a presença de um bispo copta residente na Cidade Santa, ressaltando que a suspensão das peregrinações do Egito também contribuiu para a diminuição da presença de coptas na Terra Santa.

O patriarca copta mencionou, ainda, os repetidos convites a visitar Jerusalém endereçados aos egípcios também pelo presidente palestino Abu Mazen durante suas visitas oficiais ao Egito.

Superação da proibição de visitar Jerusalém

Já em 2016 ficou claro que as proibições anteriores impostas às peregrinações coptas à Terra Santa não tinham mais nenhuma razão de ser e não eram mais percebidas como obrigatórias pelos coptas batizados.

Naquele ano, houve um aumento exponencial de peregrinos coptas egípcios que iam celebrar os ritos da Semana Santa em Jerusalém. Este fluxo espontâneo de peregrinos coptas à Cidade Santa marcou a superação da proibição de visitar Jerusalém imposta em 1979 pelo então patriarca Shenuda III.

Proibição nunca foi formalmente revogada

Durante os anos em que o conflito árabe-israelense estava se radicalizando, o patriarca copta Shenuda III (1923-2012) havia proibido os fiéis de sua Igreja de fazer peregrinações ao Estado judaico e não havia mudado sua posição mesmo após a normalização das relações entre o Egito e Israel.

Esta proibição nunca foi formalmente revogada, mas já em 2014, a viagem à Terra Santa de cerca de 90 cristãos coptas durante a Semana Santa havia dado a vários observadores a oportunidade de sublinhar a irrelevância da disposição disciplinar anti-peregrinação, no contexto das relações existentes entre as duas nações vizinhas.

Visita de Tawadros II a Jerusalém em novembro de 2015

Um incentivo adicional para as peregrinações coptas à Terra Santa foi sem dúvida dado pela visita do patriarca Tawadros II a Jerusalém em novembro de 2015 para o funeral do arcebispo Abraham, chefe da comunidade ortodoxa copta local.

A viagem do patriarca, embora apresentada pela Igreja ortodoxa copta como "uma exceção", foi percebida pelos coptas egípcios como um sinal eloquente de que o novo patriarca não tinha a intenção de defender proibições que penalizavam a vida espiritual dos fiéis.

(com Fides)

14 janeiro 2022, 11:31