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Bispos mexicanos: migrantes, proteção dos menores e liberdade religiosa

“A emergência migratória iniciada com as grandes caravanas de 2018 e prosseguida em 2019 foi ocasião para tornar concreta a caridade da nossa Igreja no México, na pessoa dos nossos irmãos migrantes”, escrevem os bispos na mensagem para 2020, convidando a olhar com fé e esperança para este novo ano, voltando o olhar e o coração para Cristo Salvador

Cidade do Vaticano

“Foram muitos os desafios com os quais nos deparamos em 2019 e que, como Igreja católica, enfrentamos com a devida urgência e responsabilidade. Prosseguimos rezando pelas situações especiais que estamos vivendo e nos comprometemos com nossas melhores forças a continuar cuidando das pessoas que o Senhor nos confiou.”

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É o que escrevem os bispos do México numa mensagem para o novo ano, publicada na terça-feira, 14 de janeiro, assinada pelo arcebispo de Monterrey e presidente da Conferência Episcopal Mexicana (CEM), dom Rogelio Cabrera López, e pelo bispo auxiliar de Monterrey e secretário geral do episcopado, dom Alfonso G. Miranda Guardiola.

Emergência migratória e a caridade concreta da Igreja

“A emergência migratória iniciada com as grandes caravanas de 2018 e prosseguida em 2019 foi ocasião para tornar concreta a caridade da nossa Igreja no México, na pessoa dos nossos irmãos migrantes. Milhares deles entraram em nosso país nos últimos meses e o fluxo não parou”, escrevem na mensagem.

Doação do Papa Francisco

A contribuição de 500 mil dólares oferecida pelo Papa Francisco para a assistência aos migrantes no México foi utilizada para realizar 32 projetos voltados a responder às exigências emergenciais de alimentação, saúde e vestuário.

Em alguns casos foram reestruturados ambientes dos centros de acolhimento – superlotados de migrantes – e, em outros, foram adquiridos móveis e equipamentos. Para a segurança de voluntários e migrantes foi terminada a construção de um muro de proteção em torno de alguns centros de acolhimento.

“Esperamos concluir todos os projetos até fevereiro e poder continuar contando com a generosidade do Povo de Deus para prosseguir este apoio aos nossos irmãos migrantes”, escrevem os bispos.

Proteção dos menores

A segunda questão diz respeito à proteção dos menores: os prelados recordam os progressos na constituição das Comissões diocesanas, das quais já existem 14. O Conselho Nacional para a Proteção dos Menores integrou membros da Conferência dos Superiores Maiores dos Religiosos do México (CIRM) para caminhar juntos com as congregações religiosas  a fim de debelar todo e qualquer abuso sexual contra menores no ambiente eclesial.

“Ao todo, nos últimos 10 anos, 426 sacerdotes anos foram investigados. 173 processos ainda estão em andamento, 253 foram completados e 217 sacerdotes foram demitidos do estado clerical.”

Assistência social e promoção humana da Igreja

“O ano 2019 foi um dos mais violentos que vivemos em nosso país, eventos que prejudicaram profundamente toda a sociedade, bem como sacerdotes e igrejas”, prossegue o texto, citando os 272 centros em que, entre muitos outros serviços, a Igreja dá assistência a vítimas da violência, trabalha pela recuperação das dependências, assiste mulheres, se ocupa de detentos, meninos de rua e famílias desaparecidas.

“O trabalho social realizado pela Igreja católica no país é amplo. Para continuar colaborando em favor da sociedade, devemos atualizar o quadro jurídico que regula um dos direitos fundamentais para toda sociedade democrática moderna, que é a liberdade religiosa, atualizar a lei secundária sobre a liberdade religiosa, defender o princípio histórico de separação entre Igreja e Estado, segundo os critérios internacionais mais avançados”, ressalta o texto da Conferência episcopal.

Liberdade religiosa

Os bispos ressaltam não pedir privilégios para nenhuma associação religiosa, mas querer que “as igrejas e seus ministros possam trabalhar corretamente, que a liberdade religiosa seja tutelada por uma proteção legal eficaz e que os supremos direitos e deveres dos homens sejam respeitados para desenvolver livremente a vida religiosa na sociedade. Professamos a autêntica separação entre Igreja e Estado e a plena autonomia de ambos em seus campos específicos”.

A mensagem se conclui com o convite dos bispos mexicanos a olhar com fé e esperança para este 2020, a fim de que seja “um ano em que reinem a paz, a reconciliação e o diálogo, um ano em que todos, como sociedade, se comprometam a cuidar do irmão e da Casa comum”, voltando o olhar e o coração para Cristo Salvador.

(Fides)

16 janeiro 2020, 13:41