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"As pessoas pedem: eleições livres e transparentes, com observadores nacionais e internacionais", diz o cardeal Brenes "As pessoas pedem: eleições livres e transparentes, com observadores nacionais e internacionais", diz o cardeal Brenes  (AFP or licensors)

Encontro entre governo e empresários é resposta às nossas orações, diz cardeal Brenes

A abertura do diálogo entre o presidente Daniel Ortega e parte da sociedade civil, pode lançar as bases para uma mesa de negociação em nível nacional, diz o cardeal ao Vatican News.

Patricia Ynestroza  - Cidade do Vaticano

O encontro do último sábado na Nicarágua entre os empresários locais e presidente Daniel Ortega "foi um fato bastante positivo e, em certa medida, é uma resposta às nossas orações e àquelas de nossa gente que continue a rezar para que as partes possam sentar-se em uma mesa de negociação". A afirmação é do cardeal Leopoldo Brenes, bispo de Manágua, entrevistado pelo Vatican News.

Centenas de mortos em manifestações contra o governo

 

O cardeal estava presente no encontro juntamente com o núncio apostólico Stanislaw Sommertag, naquele que é considerado um dos primeiros passos para reconstruir o país, onde as manifestações iniciadas em abril passado contra o presidente Ortega, que assumiu o cargo em 2007, levaram à morte e à prisão centenas de cidadãos.

 

A Igreja da Nicarágua já havia feito um chamado à retomada do diálogo nacional em janeiro, em função de uma situação que já levou alguns parlamentares europeus que visitaram a Nicarágua nos últimos meses, a pedir à União Europeia para considerar sanções contra o país por violações dos direitos humanos .

O papel da Igreja

 

O cardeal Brenes explica que  "durante várias semanas houve esta iniciativa de empresários que queriam ter um encontro com o presidente e a vice-presidente. A proposta foi feita a ambos e no sábado à tarde fomos informados de que o encontro aconteceria, e  eu e o núncio fomos convidados a participar da reunião solicitada há meses, sobretudo para tocar questões muito cruciais do país ".

Depois, haverá negociações com outros setores da sociedade para buscar da paz?

R. - Os empresários propuseram um caminho, portanto aquele que aconteceu não será o último. Haverá muitas reuniões em que as questões cruciais envolvendo a Nicarágua poderão ser tratadas. Assim como a questão dos presos políticos, da liberdade dos meios de comunicação, do Conselho Superior  Eleitoral. Todas questões que precisam ser abordadas em um novo contexto, quem sabe em um estágio sucessivo

Na última sexta-feira, a Organização dos Estados Americanos (OEA) falou ao governo sobre possíveis reformas do processo eleitoral ...

R. - Nós sabemos há algum tempo que o OEA reuniu-se com o governo para criar um caminho em vista das próximas eleições. Todo esse diálogo foi interrompido também com eles. Graças a Deus, o OEA retornou à Nicarágua, falaram com as autoridades e eu acho que eles vão retomar esse diálogo novamente. Penso que se trate de um trabalho em que eles têm uma experiência considerável em termos da condução democrática das eleições. Nós somos pastores, não temos nenhuma experiência como OEA, que tem experiência em apoiar o governo nestes processos eleitorais, porque é uma das coisas que as pessoas pedem: eleições livres e transparentes, com observadores nacionais e internacionais.

22 fevereiro 2019, 11:39