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Cardeal Tagle em Goma. 13 de junho de 2023 Cardeal Tagle em Goma. 13 de junho de 2023 

Tagle: na República Democrática do Congo encontrei a alegria da fé

O cardeal Luis Antonio Tagle fala à mídia vaticana sobre sua recente viagem ao país africano como enviado especial do Papa ao Congresso Eucarístico Nacional. O pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização destaca a riqueza do testemunho dos cristãos dessa terra que, apesar do sofrimento e das dificuldades, vivem com alegria sua fé em Jesus Cristo.

Alessandro Gisotti

Uma viagem ao coração da África para testemunhar a proximidade da Igreja àqueles que sofrem. Foi com esse espírito que o cardeal Luis Antonio Tagle viajou para a República Democrática do Congo nos últimos dias como enviado especial do Papa ao 3º Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Lubumbashi, no sul do país. O pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização também visitou Goma, a capital da província de Kivu do Norte, onde a população sofre há anos com a violência e os confrontos armados entre as forças do governo e os milicianos do M23. Nesta entrevista à mídia do Vaticano, o cardeal filipino fala sobre a força do testemunho dos cristãos congoleses e seu vínculo especial com o Papa Francisco.

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Cardeal Tagle, o senhor acaba de retornar de uma visita à República Democrática do Congo, onde participou do Congresso Eucarístico Nacional como enviado especial do Papa Francisco. O que mais o impressionou no povo congolês e na Igreja no Congo?

Temos muito a aprender com o povo congolês e os católicos do Congo. Antes de tudo, vemos alegria neles. Uma alegria que é misteriosa, porque sabemos que eles são um povo sofredor. Então, qual é o segredo dessa alegria? A fé e a esperança que eles têm no Senhor, que é precisamente o que está no coração da Eucaristia! Portanto, foi uma celebração que também foi um testemunho para o mundo inteiro de como a fé, na presença do Senhor, pode transformar o sofrimento em uma explosão de alegria.

O Papa Francisco visitou a República Democrática do Congo no início deste ano. Já há algum fruto visível dessa viagem?

Eu diria que sim! Além da lembrança, a profunda lembrança da visita do Papa gravada na mente e no coração das pessoas, há também uma adesão à sua mensagem. Muitas pessoas, inclusive assistentes sociais, disseram que as palavras do Santo Padre foram uma fonte de esperança para elas e que, se estudadas com cuidado, poderiam oferecer um caminho para a reconciliação e a paz. Isso é algo que também me encorajou. Quando me encontrei com o clero, com os religiosos, eu lhes disse: 'por favor, não deixemos que a visita do Santo Padre seja apenas uma lembrança. Não! Que ela seja transformada em um programa pastoral e missionário".

cardeal Tagle em Goma
cardeal Tagle em Goma

O senhor também visitou Goma, capital de Kivu do Norte, a província da República Democrática do Congo mais afetada pela violência e pelos combates. O senhor levou a proximidade do Papa, que não teve a oportunidade de visitar Goma. Qual foi a reação da população local à sua visita?

Fiquei impressionado, realmente impressionado, e pensei: 'Se o Santo Padre estivesse aqui, ele certamente se sentiria muito revigorado e encorajado em seu ministério como Papa. As pessoas estão vivendo uma situação de grande desespero e miséria, como em qualquer outro campo de refugiados. Mas há aqueles que também sentem esse desejo ardente de paz, e esperamos que todos os envolvidos no conflito - seja local ou internacional, político, militar ou econômico - olhem essas pessoas nos olhos e vejam as consequências de suas escolhas. Elas não são números, mas seres humanos; e como seres humanos, elas demonstraram sua lealdade ao Santo Padre. A propósito, o Santo Padre implementou um projeto em que as pessoas podem ter água limpa e potável, e assim... sim, é uma necessidade humana, mas também é muito bíblico! A água é um sinal de vida, um sinal do Espírito Santo; e toda vez que as pessoas forem lá para tirar água, tenho certeza de que rezarão pelo Santo Padre.

Como pró-Prefeito do Dicastério para a Evangelização, qual é, em sua opinião, a contribuição de uma Igreja como a do Congo e, de modo mais geral, da África, para o resto da Igreja, pensando também no Sínodo sobre a Sinodalidade?

A Igreja no Congo - e talvez possamos dizer em toda a África - é uma Igreja vibrante. Em algumas partes do continente, ela é muito jovem. No Congo, a Igreja está cheia de energia jovem! Há jovens: eles rezam, cantam, expressam suas orações ao Senhor até mesmo com movimentos. Espero que isso traga essa energia para o Sínodo e para toda a Igreja, que agora está focada na sinodalidade. Que ela traga essa injeção de energia para o resto do mundo. Mas, ao mesmo tempo, no espírito da sinodalidade, espero que a comunidade internacional - começando pelas Igrejas locais fora do Congo - ouça o clamor dos pobres. Faz parte da sinodalidade olhar para eles e vê-los como irmãos e irmãs que estão conectados a nós, e entender que nosso comportamento, nossas escolhas, nossas ações, onde quer que estejamos, têm um impacto sobre eles. Espero que isso faça parte do processo sinodal.

Cardeal Tagle na RDC
Cardeal Tagle na RDC

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21 junho 2023, 17:06