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Fundação Centesimus Annus Pro Pontifice foi criada em 5 de junho de 1993 Fundação Centesimus Annus Pro Pontifice foi criada em 5 de junho de 1993 

Centesimus Annus promove Conferência sobre "pandemias" de injustiça, guerra e pobreza

Em 21 e 22 de outubro, Prêmios Nobel e cientistas estarão em diálogo no Vaticano com ministros, bispos e cardeais sobre o tema "solidariedade, cooperação e responsabilidade" como "antídotos" contra a desigualdade no mundo. "O Papa Francisco nos convida a construir um mundo novo através de um processo de regeneração", diz a presidente da Fundação, Anna Maria Tarantola

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Cuidar do mundo que está saindo da pandemia seguindo uma bússola: Laudato si', Fratelli tutti e Caritas in Veritate. As três Encíclicas podem servir de guia para o caminho em direção à saída de tantas pandemias globais: pobreza, injustiça, desigualdade e guerras.

É possível tornar mais justa a comunidade em que se vive, enfrentando as emergências sanitárias, ecológicas e socioeconômicas, somente tomando plena consciência, em todos os níveis, da necessidade de ancorar as ações aos valores da solidariedade, da cooperação e senso de responsabilidade.

Estes serão os temas centrais dos trabalhos e reflexões da Conferência internacional a ser realizada na Sala Nova do Sínodo, no Vaticano, de 21 a 22 de outubro. O evento é organizado pela Fundação Centesimus Annus Pro Pontifice, quase trinta anos após a sua criação, em 5 de junho de 1993, e será dedicado à "Solidariedade, cooperação e responsabilidade: os antídotos para combater a injustiça, a desigualdade e a exclusão".

Refletir e dialogar

 

Três dias durante os quais reconhecidos oradores se revezarão para refletir e dialogar precisamente sobre os valores delineados por estas duas Encíclicas, junto com a Caritas in Veritate de Bento XVI; textos que juntos representam a continuidade da Doutrina Social da Igreja na história e que oferecem uma chave para enfrentar o impacto devastador da Covid-19 e as tantas outras pandemias que afligem nosso planeta: pobreza, injustiça, desigualdade e guerras. Encíclicas ainda de grande atualidade, porque como a pandemia do coronavírus deixou claro, trinta anos após Centesimus Annus (1° de maio de 1991), doze anos após Caritas in Veritate (29 de junho de 2009) e seis anos após Laudato si’, a situação em nível global não mudou, mas as coisas pioraram ainda mais em alguns contextos.

Um novo mundo

 

O evento será aberto pela presidente da Centesimus Annus, Anna Maria Tarantola. Seguem-se os pronunciamentos de Gérard Mourou, Prêmio Nobel de Física; Fabiola Gianotti, diretora geral do CERN, Genebra; Roberto Cingolani, ministro de transição ecológica; Piero Cipollone, diretor Geral Adjunto do Banco da Itália; Elisa Ferreira, comissária Europeia para a reforma e a coesão; monsenhor Nunzio Galantino, presidente da Administração do Patrimônio da Santa Sé (APSA); cardeal Luis Antonio G. Tagle, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos; arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados.

"O Papa Francisco nos convida a não voltar ao passado, mas a construir um novo mundo por meio de um processo de regeneração. Uma regeneração que deve partir do indivíduo, de comportamentos responsáveis orientados para o bem comum e guiados pela solidariedade, caridade e verdade", sublinha a presidente Tarantola.

Terceira etapa de uma viagem

 

A Conferência de 2021 - que tem como mídias parceiras o Corriere della Sera, L'Osservatore Romano, Rádio Vaticano, Vatican News - é a terceira etapa de um percurso iniciado em 2019 como resposta ao convite do Papa Francisco à Fundação, na audiência privada em 2019, para trabalhar pela afirmação de um desenvolvimento sustentável e integral para proteger nossa casa comum.

Depois de ter tratado a urgência de mudar os comportamentos e estilos de vida, abandonando o paradigma individualista e relativista do consumo, do desperdício e do lucro a curto prazo para lutar por uma economia com rosto humano (2019), foram analisados os novos modelos empresariais, de governança e educacionais que podem e devem ser adotados para buscar um desenvolvimento econômico e social inclusivo e sustentável (2020).

Mas estes novos modelos não podem ser concretizados se o comportamento das empresas, das instituições, dos governos e indivíduos não for orientado pelos valores da solidariedade, cooperação e responsabilidade, como demonstrou a pandemia. A Conferência deste ano se concentrará nestes três valores, ouvindo as vozes de cientistas, acadêmicos, responsáveis pelas instituições, governantes, empresas e jovens que nos dirão como é possível operar enquanto estando ancorados nestes princípios, que são as pedras angulares da Doutrina Social da Igreja, e conseguir equilibrar eficiência e bem comum.

Os modelos de empresa

 

As empresas desempenham um papel importante no caminho para o desenvolvimento solidário, inclusivo e sustentável. “É preciso olhar para o novo modelo de negócios indicado pelo Papa Francisco", aponta a presidente. Uma empresa consciente de suas responsabilidades para com todos e o meio ambiente, que produz renda com impacto positivo no território e nas pessoas que interagem com a empresa, criando trabalho diversificado e conhecimento, ajudando assim a superar a pobreza".

Este novo modelo de empresa está aparecendo timidamente no cenário empresarial. São empresas circulares, empresas que adotam os critérios Meio Ambiente, Social, Governança (ESG) e Sociedades Beneficentes. “São todos modelos -  conclui Tarantola - que se aproximam do perfil indicado pelo Papa e que, entre outras coisas, têm bons resultados e são apreciados pelos mercados e pelos consumidores, sobretudo pelos mais jovens".

16 outubro 2021, 08:00