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Encontro sobre a Proteção de Menores em 21 de fevereiro de 2019 Encontro sobre a Proteção de Menores em 21 de fevereiro de 2019  (Vatican Media)

Pe. Zollner: com a Conferência de Varsóvia, fortalecer a prevenção dos abusos

De 19 a 22 de setembro se realiza em Varsóvia uma Conferência internacional sobre a proteção de menores e de adultos vulneráveis para as Igrejas da Europa Centro e Oriental. Organizado pela Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores e pela Conferência Episcopal da Polônia, o encontro contará com a participação de representantes de episcopados, ordens religiosas e profissionais leigos de 20 países.

Salvatore Cernuzio - Cidade do Vaticano

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“Nossa missão comum de salvaguardar os filhos de Deus” é o título, mas também o objetivo da Conferência Internacional que de domingo 19, até 22 de setembro, reunirá em Varsóvia, capital da Polônia, bispos, sacerdotes, superiores de congregações religiosas masculinas e femininas, especialistas em psicoterapia e leigos, para discutir o delicado tema dos abusos em menores. A Conferência, a primeira sobre o tema focada na área da Europa Central e Oriental, é organizada pela Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores e pela Conferência Episcopal da Polônia, em colaboração com a Fundação São José.

 

O'Malley: "Estar ao lado das Igrejas da Europa Central e Oriental"

 

Três dias de trocas e partilha, debates e reflexões sobre esta profunda ferida do corpo eclesial, que seguirão linhas muito precisas: a prevenção, a denúncia dos abusos e a implementação de procedimentos existentes, com o olhar no Motu proprio do Papa Francisco Vos estis lux mundi. O objetivo é examinar as respostas à crise dos abusos por parte de várias Igrejas Católicas e mesmo Greco-católicas (não apenas a da Polônia, mas também da Albânia, Croácia, Eslováquia, Rússia, Ucrânia, Sérvia e assim por diante), a fim de avaliar seu impacto do contexto regional.

A esperança é criar uma rede para estabelecer uma colaboração mais estreita. De fato, como explica o cardeal Seán Patrick O'Malley, arcebispo de Boston e presidente da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores, a presença em Varsóvia está ligada ao desejo de “estar ao lado das Igrejas da Europa Central e Oriental, para ouvi-las, conhecer sua realidade e ajudá-las a traçar um caminho para a proteção dos menores e pessoas vulneráveis​​”.

“Espero – diz no mesmo sentido Dom Stanisław Gądecki, presidente da Conferência Episcopal polonesa (KEP) - que este encontro nos permita trocar experiências e práticas virtuosas que levem a ações comuns em nossa parte da Europa”.

 

Pe. Zollner: prevenir o abuso antes que aconteça

 

“O objetivo principal desta Conferência é demonstrar que a Igreja está interessada neste problema em todas as partes do mundo”, explica ao Vatican News Pe. Hans Zollner, jesuíta alemão membro da Pontifícia Comissão e presidente do Centro de Proteção de Menores da Gregoriana, que agora se tornou o Instituto de Antropologia, estudos interdisciplinares sobre a dignidade humana e o cuidado dos vulneráveis.

“É a primeira vez que se organiza um evento desta envergadura, com a participação de toda Europa centro-oriental. Queremos que essas pessoas, suas instituições, as Conferências episcopais, ordens religiosas, escolas católicas e universidades, mas também jardins de infância, bem como toda a organização pastoral, sejam informados sobre o status quo das denúncias e como tratar as vítimas, como colaborar com elas, como prevenir o abuso antes que surja. E com certeza se pretende oferecer um encorajamento para fortalecer tudo aquilo que possa impedir que o abuso se concretize”.

Olhando para o futuro

 

Já a partir de agora, os organizadores da Conferência olham para o futuro e para as iniciativas concretas que se deseja realizar logo que termine o encontro de Varsóvia: “Temos em mente - explica Pe. Zollner - pedir a todas as Igrejas locais, romano-católicas, mas também as greco-católicos e também para as assim chamadas Igrejas uniatas, para produzirem a cada ano um relatório sobre o estado do trabalho de prevenção, sobre o número de denúncias e também, na medida do possível, sobre as sentenças eventualmente proferidas. Por isso - acrescenta - queremos pedir uma colaboração também a médio e longo prazo para sabermos como está a situação e assim acompanharmos ativamente este trabalho. Trabalho que não será um caminho que termina amanhã ou depois de amanhã, mas certamente exigirá tempo e energia, também no futuro”.

 

Formação e diretrizes: etapas já realizadas para serem implementadas

 

No entanto, explica o presidente do Instituto de Antropologia, já foram dados passos, mas precisam ser melhor implementados. “Sei que em algumas áreas, por exemplo na Ucrânia, Croácia, Eslováquia, algumas universidades católicas instituíram, em colaboração com o nosso Instituto Gregoriano de Antropologia, a formação de agentes pastorais - sacerdotes, religiosos e religiosas - no país.

Todas as Conferências Episcopais, depois, tiveram que redigir e promulgar diretrizes sobre temáticas do tratamento das vítimas, o enfrentamento dos abusadores e as medidas de prevenção. No entanto, isto - sublinha o jesuíta - ainda está no papel e, portanto, em muitos países os passos devem ser concretizados para implementar o que já foi formulado”.

A Conferência de Varsóvia quer “impelir”, portanto, a “uma maior tomada de consciência e um maior fortalecimento” da vontade concreta de “fazer o que for necessário, para que - diz Zollner - menores e adultos vulneráveis ​​sejam protegidos dentro da Igreja e na sociedade".

18 setembro 2021, 14:42