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Cardeal Sandri preside exéquias do cardeal Albert Vanhoye, S.I

O vice-decano do Colégio Cardinalício presidiu na Basílica de São Pedro as exéquias do idoso cardeal falecido no dia 29 de julho, recordando sua grandeza: rigoroso e fiel, soube tirar do tesouro da Bíblia "coisas antigas e coisas novas”

Alessandro De Carolis - Cidade do Vaticano

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“Deus teria muitos motivos para não falar mais ao seu povo, mas nunca se resignou!” A exclamação é de um mestre do espírito, um homem imbuído da sabedoria da Bíblia, sondada e literalmente “ruminada” por décadas para ser restituída na sua densidade.

A recordar a exclamação do cardeal Albert Vanhoye, falecido em 29 de julho, foi o cardeal Leonardo Sandri, que presidiu a Missa com o rito das Exéquias no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro, na manhã deste sábado, 31 de julho.

No fogo das Escrituras

 

Noventa e oito anos de vida e sessenta e sete do sacerdócio. Os números dão uma medida do homem "rigoroso e determinado" que aos dezoito anos atravessou "a pé a França então ocupada pelos nazistas, para entrar na Companhia de Jesus".  Logo ao iniciar sua homilia, o cardeal Sandri recordou  deste episódio, sinal eloquente da fibra do futuro exegeta francês, tão apreciado por Bento XVI.

 

A estrela-guia de sua vocação e de seu ministério sacerdotal foi a Sagrada Escritura e, em particular, o texto da Carta aos Hebreus, da qual era um exímio estudioso. "Ele - apontou o vice-decano do Colégio dos Cardeais - nunca o tratou como um árido texto a ser dissecado e fragmentado, mas sempre foi capaz de captar a referência a Cristo por trás das estruturas e composição das passagens" e, para isso - acrescentou - “pedia a graça para que fosse a experiência também de cada um de nós, atraídos não por uma glória distante, mas por aquela que nos introduz na comunhão com Deus”.

O escriba fiel

 

O cardeal Sandri usou palavras para expressar a "total dedicação" demonstrada pelo purpurado francês durante os anos da dignidade cardinalícia a que foi chamado pelo Papa emérito em 2006. Padre Albert se distinguiu por seu "sentir cum Ecclesia" e "ensinou-nos a retomar a linguagem sacerdotal em referência a Cristo", alertando-nos contra um esvaziamento de aparências rituais e fazendo-nos apreender a radical novidade do sacerdócio do Novo Testamento".

“A existência do biblista e cardeal Vanhoye - continuou o cardeal Sandri – pode ser comparada à do escriba que se tornou discípulo do Reino, capaz de extrair coisas antigas e novas de seu tesouro”, como por ocasião dos Exercícios Espirituais pregados na Cúria em 2008.

As lições que permanecem

 

Naquela ocasião, recordou o cardeal celebrante, “fomos conduzidos pela mão por um irmão de fé totalmente arrebatado pela Palavra que anunciava” e “quase antecipando” aquele Jubileu da Misericórdia que o Papa Francisco proclamaria alguns anos mais tarde, o cardeal Vanhoye nos deixou - destacou o cardeal Sandri - um ensinamento sobre a misericórdia, "o traço distintivo de Cristo": não o "sentimento superficial de quem se comove facilmente", mas a "capacidade adquirida pela experiência pessoal do sofrimento. É preciso passar pelas mesmas provações, pelos mesmos sofrimentos daqueles que se quer ajudar”. E “Cristo sabe se compadecer, porque foi provado em tudo como nós”.

31 julho 2021, 13:47