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Padre Zampini: curar o vírus do racismo com uma cultura do encontro

Organizada pela Embaixada da Argentina junto à Santa Sé e pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, a celebração realizou-se no sábado, 20 de março, na sede do dicastério, e foi presidida pelo seu prefeito, cardeal Peter A. Turkson.

Isabella Piro – Vatican News

"Para curar o vírus do racismo é necessária uma cultura do encontro baseada no respeito pela dignidade humana, porque somos todos irmãos e irmãs, filhos do mesmo Deus Pai."

Estas palavras foram proferidas pelo secretário adjunto do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, pe. Augusto Zampini, na homilia da missa celebrada neste domingo (21/03), Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial.

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Organizada pela Embaixada da Argentina junto à Santa Sé e pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, a celebração realizou-se no sábado, 20 de março, na sede do dicastério, e foi presidida pelo seu prefeito, cardeal Peter A. Turkson.

Racismo, um vírus que muda facilmente

Referindo-se a uma passagem da Encíclica do Papa Francisco "Fratelli tutti", o pe. Zampini lembrou que "o racismo é um vírus que muda facilmente e em vez de desaparecer, se esconde, mas está sempre à espreita". Consequentemente, para fazer florescer uma comunidade, “é necessário fugir de uma atitude de condenação, de se acreditar superior aos outros, porque isso nos divide e nos afasta de Deus”. “Uma comunidade saudável”, acrescentou o pe. Zampini, “precisa de atitudes constantes de perdão e serviço aos outros, especialmente aos mais vulneráveis”, porque “ali está Jesus”.

“Amar a Deus e aos outros como a nós mesmos não pode ser baseado apenas numa lei”, disse ele, mas deve ser fruto de “uma cultura do encontro graças à qual nos descobrimos irmãos e irmãs, sem nenhuma discriminação”. O pe. Zampini também encorajou a "procurar os grãos de trigo que caíram ao nosso redor, a ver Jesus" no rosto "dos enfermos, dos pobres, dos maltratados, dos oprimidos, dos que perdem a vida ou são vítimas da pobreza, violência, discriminação, racismo e atrocidades da guerra”. “Não ver estas pessoas nos impede de ver Jesus”, reiterou. “Ao contrário, vê-las e reconhecer o seu sofrimento nos liga profundamente a Cristo crucificado e ressuscitado”, acrescentou.

Encontro que seja inclusivo

O pe. Zampini convidou todos a trabalhar em nível pessoal, cultural, jurídico e linguístico "para ver a alegria das pessoas que, imersas na escuridão de situações terríveis, emergem à luz de uma vida diferente". "O sofrimento causado em tantas pessoas pela discriminação não deve ser em vão", frisou o secretário adjunto do Dicastério Vaticano. "Desejamos hoje que dê frutos, começando por um novo modo de encontro que seja inclusivo e que respeite os outros e de toda a Criação". A homilia concluiu-se com uma invocação ao Senhor para que doe aos homens "um coração puro que não discrimine, um coração capaz de respeitar a diversidade da comunidade e assim gerar uma verdadeira comunhão".

Na celebração esteve presente a Embaixadora da Argentina junto à Santa Sé, Sra. Maria Fernanda Silva, que leu a primeira leitura. Também participaram os representantes diplomáticos do Panamá, El Salvador e Guatemala, assim como alguns funcionários do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

Convocado pela Assembleia Geral da ONU em 1966, o Dia Internacional contra o Racismo tem o objetivo de sublinhar a necessidade de um maior compromisso com a eliminação de todas as formas de discriminação racial. A data de 21 de março, escolhida para comemorar o aniversário, não é causal: nesse mesmo dia, em 1960, na África do Sul, durante o período do apartheid, a polícia abriu fogo contra um grupo de manifestantes negros, matando 69 e ferindo 180. O episódio passou tristemente para a história com o nome de "Massacre de Sharpeville".

Missa no Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial
22 março 2021, 11:14