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Irmã Nuria Calduch-Benages Irmã Nuria Calduch-Benages 

Calduch-Benages: a presença feminina abre horizontes no estudo das Escrituras

Na entrevista, a biblista espanhola nomeada pelo Papa Francisco secretária da Pontifícia Comissão Bíblica, a primeira mulher a ocupar este cargo, expressa admiração e gratidão por esta escolha.

Debora Donnini/Mariangela Jaguraba - Vatican News

É uma mulher que dedicou sua vida aos estudos bíblicos com paixão. Professora de Antigo Testamento na Pontifícia Universidade Gregoriana, especialista de longa data em Sagrada Escritura, a espanhola Nuria Calduch-Benages, das Missionárias da Sagrada Família de Nazaré, também participou dos trabalhos da Comissão de Estudo sobre o Diaconato Feminino (2016-2019). Na semana passada ela foi nomeada pelo Papa secretária da Pontifícia Comissão Bíblica. Originária de Barcelona, entra pela primeira vez no organismo do Vaticano em 2014 e foi reconfirmada em janeiro passado para um novo quinquênio, até 2025. Dentre outros cargos, é professora convidada do Pontifício Instituto Bíblico de Roma, colaboradora assídua da Federação Bíblica Católica, membro proeminente de revistas especializadas, assim como membro do Comitê Científico da revista História da Mulher (Universidade de Florença) e da série "Tesis y Monografías" publicada por Verbo Divino (Estella). Em 2008, participou do Sínodo da Palavra como especialista.

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Como a senhora acolheu a nomeação para secretária da Pontifícia Comissão Bíblica e qual o significado de ser mulher neste cargo?

Calduch: Duas palavras podem resumir minha reação. Por um lado, admiração, porque eu nunca teria imaginado receber esta nomeação, e por outro, gratidão a todas as pessoas que confiaram em mim. Penso que a presença feminina nesta comissão, como em outras, é um elemento positivo e significativo que abre horizontes na Igreja.

O que significou a experiência de ter participado da Comissão de Estudo sobre o Diaconato Feminino?

Calduch: Durante três anos, de 2016 a 2019, estive envolvida, junto com outros membros, no estudo do diaconato feminino. E mesmo se os resultados obtidos foram considerados de certa forma parciais, a experiência vivida foi muito enriquecedora tanto do ponto de vista intelectual e eclesial quanto do ponto de vista humano. Criamos entre nós relações de amizade e colaboração que continuam até hoje. E isto eu considero um privilégio.

As Sagradas Escrituras estão no centro de seus estudos. A seu ver, qual é a contribuição específica que as mulheres podem dar ao estudo da Palavra de Deus?

Calduch: A sua competência, seus interesses e sua perspectiva. Pense por exemplo no estudo das figuras bíblicas femininas, suas histórias, o uso de metáforas femininas, a hermenêutica feminista, e muitos outros aspectos. Quarenta anos atrás, quando as mulheres biblistas eram quase invisíveis, estes temas e abordagens da Escritura não eram contemplados nos ambientes bíblicos. Hoje, por outro lado, são apreciados por todos, homens e mulheres, e as publicações se tornam cada vez mais numerosas.

A senhora ensina o Antigo Testamento. Débora, Ester, Judite... As figuras femininas são centrais nestes livros da Bíblia, mostrando também uma atenção à mulher e uma relevância atribuída a elas na história da salvação não indiferente em relação a outros povos contemporâneos de Israel. Que visão da mulher emerge destes textos?

Calduch: Em alguns relatos bíblicos, como os que você citou, as mulheres aparecem como as verdadeiras protagonistas da história de Israel, com uma importante missão a cumprir a favor do povo. Em outros, porém, são meros instrumentos do poder masculino. Em outros ainda, são totalmente silenciadas pelos autores. Assim, suas histórias não são contadas e, portanto, não podemos ouvir sua voz. Esta é a nossa principal dificuldade. Além disso, os textos bíblicos, não esqueçamos, são textos muito antigos nos quais a mulher é descrita de acordo com os arquétipos de cada época e segundo a ótica androcêntrica dos autores.

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16 março 2021, 11:24