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Parolin: a Rádio Vaticano é um marco, a vocação é a universalidade

O secretário de Estado Vaticano, cardeal Pietro Parolin, presidiu a missa na Basílica de São Pedro nos 90 anos da emissora pontifícia. Abertura, universalidade e comunicação foram as três palavras que marcaram a homilia do purpurado.

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Uma delegação de funcionários da Rádio Vaticano participou, na manhã desta sexta-feira (12/02), da missa celebrada no Altar da Cátedra da Basílica Vaticana, presidida pelo secretário de Estado Vaticano, cardeal Pietro Parolin, por ocasião dos 90 anos da emissora do Papa. No altar, como concelebrantes, estavam o cardeal Marcello Semeraro, prefeito da Congregação das Causas dos Santos e membro do Dicastério para a Comunicação, o secretário do Dicastério, mons. Lucio Adrian Ruiz, pe. Federico Lombardi, ex-diretor geral da Rádio Vaticano, e numerosos sacerdotes da comunidade de trabalho da emissora pontifícia.

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Em sua homilia, o cardeal Parolin disse estava feliz de levar ao altar junto com todos os presentes “a ação de graças pelos noventa anos da Rádio Vaticano. Nossa gratidão ao Senhor inclui a gratidão a todos aqueles que neste período de tempo ofereceram e continuam oferecendo com generosidade sua contribuição para transmitir a voz do Papa em todo o mundo. Há mais necessidade do que nunca de divulgar mensagens benéficas, num contexto comunicativo que muitas vezes parece visar mais o útil do que o humano, e precisa ser restaurado”.

“Por uma singular e providencial coincidência, o Evangelho de hoje nos fala precisamente de uma cura que torna possível comunicar, falar e escutar novamente. Portanto, pensei em extrair do episódio da cura do surdo-mudo três palavras ligadas à missão de comunicar.”

“A primeira é a abertura. Desde o início a Rádio Vaticano representou um sinal de abertura ao mundo, não apenas do ponto de vista "geográfico", atingindo as latitudes mais distantes, mas também do ponto de vista "histórico", tornando-se um marco na inovação da comunicação. A invenção de Guilherme Marconi foi uma vanguarda tecnológica. Ainda hoje é indispensável abrir-se com um novo olhar para as mutáveis exigências dos tempos: não é apenas uma estratégia necessária, é acima de tudo uma necessidade de fé. O Santo Padre nos lembra com frequência que a fé autêntica leva a abrir-se, a lutar contra os fechamentos e a rigidez que paralisam o coração e o fecham no “sempre foi feito assim”. Temos o exemplo dos primeiros cristãos, que foram levados pelo Espírito a superar o legalismo religioso no qual estavam enraizados para que a difusão do Evangelho não fosse limitada de forma alguma.”

Proponho uma segunda palavra: universalidade. A Rádio Vaticano criou uma rede que se espalhou por toda parte, expressão da universalidade da Igreja Católica e do ministério petrino. Além disso, fez as pessoas a milhares de quilômetros de distância rezarem em uníssono. A sua mensagem, uma reverberação moderna do antigo Pentecostes, alcançou povos distantes em diferentes línguas sob o signo do Espírito que alcança e une a todos. A Rádio Vaticano perfurou até mesmo a cortina de ferro, fazendo a presença de Deus alcançar os totalitarismos que negavam sua existência.

A última palavra sobre o Evangelho é que a comunicação é contato. A Rádio Vaticano, durante a II Guerra Mundial, foi intensamente comprometida como “braço operacional” do Departamento de Informação da Secretaria de Estado, criado para rastrear e contatar as famílias das pessoas desaparecidas e dos prisioneiros. Foi criada uma rede de solidariedade que conseguiu difundir mais de um milhão de mensagens e conectou muitas pessoas com seus entes queridos.

A comunicação tende ao contato vivo e direto, como lembrou o Santo Padre em sua última mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, destacando a importância de “comunicar encontrando as pessoas onde e como elas estão”. A palavra é de fato “eficaz somente se for 'vista', somente se envolve uma experiência”, somente se toca a vida com a mão.

A este fim, queridos irmãos e irmãs, eu os encorajo, para que nas inevitáveis dificuldades de cada dia vocês possam basear seu serviço no contato transparente com o Senhor. Isto lhes permitirá manter uma mente aberta às necessidades dos tempos e cultivar a dimensão universal que os caracteriza. Ao renovar minha sincera gratidão, asseguro minhas orações por vocês e por aqueles que se beneficiam de seu trabalho, para que possam ser tocados, através das palavras que vocês transmitem, pela Palavra que salva.

No final da celebração eucarística, o secretário do Dicastério para a Comunicação, mons. Lucio Adrian Ruiz, tomou a palavra e dirigiu-se ao cardeal Parolin em nome do prefeito do Dicastério, Paolo Ruffini.

Em nome do prefeito e de todo o Dicastério, gostaria de lhe agradecer por presidir esta celebração e por sua bela e desafiadora mensagem! Agradeço também ao cardeal Semeraro, membro de nosso Dicastério, ao pe. Federico Lombardi, e a todos aqueles que aceitaram o convite para celebrar este 90º aniversário do serviço e missão da Rádio Vaticano.

Dar graças a Deus, em chave cristã, tem apenas um nome: Eucaristia! Aqui está a fonte e o cume para a Igreja. É aqui que queremos agradecer por estes primeiros 90 anos de missão e serviço. É aqui que queremos adquirir a força e o amor para continuar a missão.

Este é um tempo cheio de graças para nós como Dicastério, um tempo de aniversários e projetos: começamos os "nossos jubileus" em 24 de dezembro, com o 25º aniversário do site www.vatican.va que reúne os textos do Magistério dos Papas, o que significou o desembarque na grande internet. Hoje, celebramos o 90º aniversário da Rádio Vaticano e, em julho, os 160 anos do nascimento do L'Osservatore Romano.

Se a encarnação é o evento, a lei e o critério do anúncio do Evangelho, é também a dinâmica da evangelização que chama a Igreja a se tornar história e cultura. Portanto, estas celebrações são o sinal de que a Igreja soube caminhar com o homem na história: de fato, a Rádio Vaticano nasceu das mãos de Marconi, aquele que inventou a rádio; e o vatican.va nasceu quando a Word Wide Web nasceu.

Nós também, Dicastério para a Comunicação criado pelo Papa Francisco, estamos de certa forma completando 90 anos hoje. Assumindo o serviço e a missão da Rádio Vaticano, assumimos um novo impulso missionário, pois somos chamados a responder ao contexto cultural em que o homem, e portanto a Igreja, caminha hoje. Na sinergia da convergência de todas as mídias, típica desta cultura digital, a missão é enriquecida e relançada!

12 fevereiro 2021, 14:30