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Basílica São Pio X em Lourdes neste 15 de agosto Basílica São Pio X em Lourdes neste 15 de agosto  (AFP or licensors)

Parolin aos Assuncionistas: sejam audazes, livres e a serviço do próximo para evangelizar

O secretário de Estado do Vaticano presente em Lourdes neste sábado, dirigiu à Congregação nascida com o presbítero francês D'Alzon, um discurso que repassa a história dos 175 anos de fundação, chegando aos desafios e escolhas exigidos hoje

Gabriella Ceraso – Vatican News

Conclui-se o primeiro dia da visita a Lourdes do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, por ocasião da Solenidade da Assunção e das celebrações da Peregrinação Nacional 2020 da Congregação dos Agostinianos da Assunção, no 175º aniversário da sua fundação.

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A eles, o purpurado dirigiu uma reflexão durante um encontro realizado na parte da tarde, olhando antes de tudo para a história da instituiçãoreligiosa e para o "bem" por ela realizada para o crescimento da espiritualidade no homem, para chegar depois às necessidades que o presente apresenta ao carisma.

Montar uma “tenda” no mundo de hoje

 

O rosto de vocês - observa o cardeal - é o rosto “multifacetado” no qual se reflete o do fundador Emmanuel D'Alzon e de todos os protagonistas do “serviço a Cristo, ao Evangelho, à Igreja e à humanidade” ao longo destes anos. Um rosto que ainda “não esgotou o seu 'espaço' e a sua 'expressividade'”.

Entre o passado e o presente, o cardeal vislumbra uma ligação, um "fio vermelho" no fim da sociedade cristã, que caracterizou de várias formas a história a partir do século IV.

Hoje, como nos dias de Emmanuel D'Alzon e seguindo a escolha por ele realizada sob a orientação do discernimento, em um cristianismo que muda e que abraça uma "transformação antropológica com resultados incertos", é necessário - diz Parolin - não parar no passado, mas colocar-se em movimento, "para que o fim se torne um novo começo", "uma nova etapa no caminho contínuo, por meio do qual a alegria do Evangelho constrói uma tenda entre os altos e baixos da humanidade".

Hoje,  175 anos mais tarde, graças às escolhas do seu fundador "sua fundação se encontra precisamente no coração da Igreja", não como uma ONG ou "grupo de profissionais", mas como "família de irmãos", "uma verdadeira comunidade de fé".

O coração de toda a história encontra-se na Regra de Vida que orienta a Congregação: testemunhar com a vida quotidiana a presença do Reino de Jesus Cristo e em nome da sua presença na terra, superar as diversidades e as divisões para se encontrar "na aceitação e no perdão mútuo".

Uma história de corações

 

“A história da Igreja e a história da vossa família religiosa é uma história dos corações”, são as palavras do Secretário de Estado: isto é, “seres humanos concretos que se tornam capazes de construir a sinodalidade”, de “comprometer-se junto aos outros e pelos outros "no modelo do amor de Cristo por nós. Essa força evangélica permite – observa ainda -  viver sem angústias o "provisório" que marca esta mudança de época, permanecendo firmes.

As "novas formas" de evangelizar

 

A partir de uma análise atenta das condições atuais de evangelização, o purpurado assinala que é preciso mudar atitudes e maneiras de pensar, visto “não sermos os únicos que hoje produzem cultura, nem os primeiros, nem os mais ouvidos”.

O cardeal fala de uma nova "mentalidade pastoral", que não significa passar para uma "pastoral relativista". Fala também do serviço aos outros e do interesse somente por Cristo. E portanto, citando as palavras do Papa no encontro de maio de 2019 com os participantes da Convenção da Diocese de Roma, afirma: “Que o Senhor nos encha o coração com a audácia e a liberdade de quem não está amarrado por interesses e deseja colocar-se com empatia e simpatia no meio das vidas dos demais.”

No mundo de hoje, as vocações estão diminuindo, a evangelização começa nas nossas cidades, lugares próximos e não distantes e a presença de Deus é muitas vezes marginalizada. Tudo isso, conclui o purpurado, nos convida a nos tornarmos humildes e "últimos" nos complexos ambientes do diálogo ecumênico e inter-religioso, e nos torna solidários com os pobres e excluídos deste mundo e com a mesma "casa comum" que é o nosso planeta, ferido pela ganância dos sistemas econômicos e por organizações criminosas.

15 agosto 2020, 19:17