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João Paulo II, outubro de 1986, Encontro inter-religioso Assis João Paulo II, outubro de 1986, Encontro inter-religioso Assis  (Vatican Media) Editorial

Aquelas mãos estendidas, a atualidade de um testemunho

O centenário do nascimento de São João Paulo II, um Papa que navegou na rota traçada pelo Concílio Vaticano II percorrendo novos caminhos

ANDREA TORNIELLI

Em 27 de outubro de 1986, num momento dramático da nossa história recente, quando a perspectiva de uma guerra nuclear estava se tornando realidade, São João Paulo II convocou corajosamente representantes das religiões do mundo em Assis, superando também muitas resistências internas. “O encontro de tantos líderes religiosos para rezar, disse ele, é em si um convite hoje para que o mundo tome consciência de que existe outra dimensão da paz e outra forma de promovê-la, que não é o resultado de negociações, compromissos políticos ou regateios econômicos". Mas o resultado da oração, que apesar da diversidade das religiões, expressa uma relação com um poder supremo que supera as nossas capacidades humanas sozinhas". Estamos aqui", acrescentou o Papa Wojtyla, "porque estamos certos de que há necessidade de oração intensa e humilde, de oração confiante, para que o mundo se torne finalmente um lugar de paz verdadeira e permanente".

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Neste 18 de maio celebramos o centenário do nascimento do grande Pontífice que veio da além “cortina de ferro”, que no seu longo serviço petrino introduziu a Igreja no novo milênio, viu o colapso do Muro que dividia a Europa em duas, esperou ver o surgimento de uma nova era de paz, mas teve que, ao invés, confrontar-se - já idoso e doente – com novas guerras e um terrorismo desestabilizador e implacável, que abusa do nome de Deus para semear morte e destruição. E para combatê-lo, em janeiro de 2002, voltou a convocar as religiões em Assis sem nunca ceder à ideologia do choque de civilizações, focalizando sempre tudo, até o fim, no encontro entre povos, culturas, religiões. Ele testemunhou uma fé forte como a rocha, uma ascese de grande místico, uma humanidade transbordante.

Ele falou a todos e sempre tentou de todas as maneiras para evitar que um conflito irrompesse, para promover transições pacíficas, para promover a paz e a justiça. Ele viajou por todo o mundo, para abraçar todos os povos anunciando o Evangelho. Lutou para defender a dignidade de cada vida humana. Fez uma visita histórica à Sinagoga de Roma. Ele atravessou a porta, o primeiro Papa da história, de uma mesquita. Navegou na rota traçada pelo Concílio Vaticano II. Ele foi capaz de percorrer caminhos novos e inexplorados, declarando-se também disposto a discutir o modo de exercer o ministério de Pedro para promover a unidade cristã. O seu testemunho é mais do que nunca atual.

 

17 maio 2020, 09:28