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Rádio Rádio  (ANSA) Editorial

O poder do rádio de unir povos e culturas

O rádio é uma tecnologia capaz de unir povos e culturas. E também um meio que pode informar, educar e evangelizar.

Silvonei José – Cidade do Vaticano

Celebramos no último dia 13 o 9º Dia Mundial do Rádio, instituído pela UNESCO em 2011, e um dia antes o aniversário da Rádio Vaticano. O rádio é uma tecnologia capaz de unir povos e culturas. E também um meio que pode informar, educar e evangelizar. Estas são algumas das principais vocações da rádio, um instrumento ainda hoje de primária importância. Sabemos das grandes revoluções que envolveram o rádio nas últimas décadas, mas mesmo assim continua sendo o companheiro de todas as horas.

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Mas como foi a relação dos Papas com o rádio desde a criação da Rádio Vaticano? Muito bem, a relação entre os Papas e o rádio está principalmente ligada a uma data. Era 12 de fevereiro de 1931, quando Pio XI inaugurou a Statio Radiophonica Vaticana, obra de Guglielmo Marconi, que abriu as fronteiras do mundo ao Magistério dos Papas. Eram 16h49 e o Papa Ratti leu uma mensagem radiofônica, a primeira, dirigida a todos os povos e a todas as criaturas:

“Nós nos dirigimos em primeiro lugar – disse - a todas as coisas e a todos os homens, dizendo-lhes, agora e em seguida, com as palavras mesmas da Sagrada Escritura: "Ouvi, ó céus, o que estou para dizer, ouvi ó terra as palavras da minha boca (Dt 32,1). Escutai, ó todas as nações, estendei os vossos ouvidos, a todos vós que habitais o globo, unidos num só propósito, o rico e o pobre - Escutai, ó ilhas, e escutai, ó povos distantes”.

“O rádio tem o espaço como domínio, o teatro daquelas misteriosas ondas que ligam todas as coisas que outras ciências estudam". Esta é uma das passagens do discurso dirigido pelo Papa Pio XII, em 3 de outubro de 1947, aos participantes do Congresso Internacional por ocasião do cinquentenário da descoberta marconiana da rádio. Os cientistas que estudam as fronteiras do rádio, disse o Papa Pacelli, se confrontam com as leis da criação.

João XXIII recordou-o dirigindo-se aos participantes do primeiro Congresso Internacional de Organizações rádio televisivos, em 7 de dezembro de 1961: “é verdade que, para muitos, essas técnicas, sempre em desenvolvimento, como o rádio, o cinema, a imprensa e a televisão, não são nada mais que agradáveis passatempos. Podem ser, em certa medida, e é legítimo que sejam utilizados para animar o tempo livre dos indivíduos e das famílias. Mas é ainda mais importante que estas novas possibilidades, graças ao engenho da inteligência humana, sirvam à educação e educação dos homens.

Já Paulo VI falou que a missão dos profissionais da comunicação é "muito útil e importante". Encontrando em 12 de fevereiro de 1972, os dirigentes da empresa monegasca "Radio Montecarlo" disse que aqueles que realizam esta missão são chamados a ser testemunhas e servidores.

O trabalho no campo da mídia "é mais do que uma simples ocupação, mais do que uma possibilidade de ganhar dinheiro ou uma simples influência pessoal sobre as pessoas e sobre a sociedade". Estas são as palavras pronunciadas por São João Paulo II no encontro de 29 de setembro de 1986 com um grupo de jornalistas de uma estação de rádio alemã. Somente um uso do microfone que adere aos valores morais - afirmou o Papa Wojtyła naquela ocasião - pode garantir ao público "aquela informação e entretenimento que correspondem às justas necessidades do homem, à sua dignidade e direitos fundamentais, assim como ao bem comum".

É a possibilidade de relacionar homens e contextos também distantes, uma das peculiaridades do rádio. Foi o que Bento XVI recordou em 20 de junho de 2008, quando se encontrou com os participantes no congresso internacional para os responsáveis das estações de rádio católicas.

As muitas e diferentes formas de comunicação com as quais todos temos de lidar, manifestam com evidente clareza como o homem, na sua estrutura antropológica essencial, seja constituído para entrar em relação com o outro. Ele faz isso acima de tudo através da palavra. Na sua simplicidade e aparente pobreza, a palavra, inscrita na gramática comum da linguagem, age como um instrumento que realiza a capacidade do homem de se relacionar. Isto se baseia na riqueza compartilhada de uma razão criada à imagem e semelhança do Logos eterno de Deus, ou seja, aquele Logos no qual tudo é criado livremente e por amor.

O rádio é também um poderoso instrumento de evangelização. Quem disse isso foi o Papa Francisco falando aos responsáveis e colaboradores da Associação Rádio Maria, no dia 29 de outubro de 2015. O Rádio torna-se um meio que não só comunica um conjunto de notícias, de ideias, de músicas sem um fio comum, e que só poderia tentar distrair e talvez divertir, mas torna-se um meio de primeira ordem para transmitir esperança, a verdadeira esperança que vem da salvação trazida por Cristo Senhor, e para oferecer boa companhia a muitas pessoas que precisam dela.

Prestamos homenagem ao poder duradouro do rádio, que contribui para a promoção da diversidade e para a construção de um mundo mais pacífico e unido. Num contexto em que a coexistência social pacífica é cada vez mais desafiada por múltiplos impulsos perturbadores pensamos que o rádio, desde sempre um veículo de entretenimento e informação, possa realmente assumir um papel de caixa de ressonância na tentativa de restabelecer um clima harmonioso de paz. O rádio é por sua natureza difusora dos princípios de igualdade e dos valores e dos direitos humanos. 

15 fevereiro 2020, 07:55