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Droga Droga  (ANSA) Editorial

Droga, um problema mundial

O tema do Dia Mundial deste ano "Saúde para a Justiça". Justiça para a Saúde" está indicando aos Estados o caminho a seguir juntos para conter decididamente o tráfico e o consumo de drogas.

Silvonei José – Cidade do Vaticano

"Saúde para a justiça. Justiça para a Saúde": esse o foi o tema do Dia Mundial contra o Abuso e o Tráfico de Drogas comemorado no último dia 26 de junho. Uma celebração que trouxe aos nossos olhos cifras impressionantes de pessoas que perderam a vida somente no último ano por causa do consumo de drogas. Mais de meio milhão de mortes num único ano, segundo o Relatório Mundial sobre Drogas, publicado pelas Nações Unidas. E os dados vão além: 271 milhões de pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos consomem drogas. As doenças mais comuns entre os toxicodependentes são o HIV e a hepatite C. Desde 2009, a população mundial que usa drogas cresceu 30%.

Estas estimativas aumentam à medida que a agência das Nações Unidas para o controle da droga e a prevenção da criminalidade (UNODC), com sede em Viena, encontra mais dados, especialmente nos países em desenvolvimento e nas economias em transição. Novas investigações foram de fato conduzidas para o último relatório na Nigéria e na Índia, entre os dez países mais populosos do mundo.

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A droga mais consumida em todo o mundo continua a ser a “cannabis”, 188 milhões de consumidores em 2017, crescendo na América do Norte, América do Sul e Ásia, enquanto o consumo de opiáceos aumenta na África e na Europa, mas também nos países asiáticos e norte-americanos, 53,4 milhões de consumidores totais, mais 50% num ano.

Recorde histórico de produção ilegal de cocaína, estimado em 2017 em 1.976 toneladas, um aumento de 25% em relação a 2016, registrando um recorde positivo de apreensões de 1.275 toneladas, a maior quantidade já registrada.

Alarme particular também para as mortes por overdoses de opiláceos sintéticos, 47 mil nos Estados Unidos em 2017, mais de 13% em relação ao ano anterior e no Canadá 4 mil, mais 33%. As novas substâncias psicoativas (Nps), por outro lado, estão diminuindo, graças à pronta resposta da comunidade internacional na avaliação dos seus danos.

"Os resultados do Relatório - escreve o Diretor Executivo do UNODC, Yury Fedotov - completam e complicam ainda mais o quadro global dos desafios relacionados às drogas, sublinhando a necessidade de uma cooperação internacional mais ampla para ter respostas equilibradas e integradas de saúde e justiça penal à oferta e à demanda”.

O tema do Dia Mundial deste ano "Saúde para a Justiça". Justiça para a Saúde" está portanto, indicando aos Estados o caminho a seguir juntos para conter decididamente o tráfico e o consumo de drogas: programas eficazes de prevenção, especialmente entre os jovens; tratamentos adequados e reabilitação dos toxicodependentes; políticas rigorosas para combater a produção e o comércio de drogas, conscientes dos danos à saúde resultantes do uso de estupefacientes, que o UNODC denuncia mais grave e difundido, à luz das novas evidências científicas e pesquisas de campo.

Daí o convite dirigido a todos os governos para "manter a promessa de garantir saúde e justiça para todos", contrariando aqueles que "lucram com a miséria humana". São necessárias cooperação e a partilha de informação ao longo de toda a cadeia de abastecimento, serviços de prevenção, tratamento e reabilitação, que evite o estigma e a discriminação, bem como a aplicação de leis para proteger as vítimas da violência e da exploração criminosa.

Tempos atrás o Papa Francisco falando aos participantes de uma Conferência Internacional sobre "Drogas e Dependências: um obstáculo ao desenvolvimento humano integral", recordou que é um dever lutar contra os traficantes de morte.

"Toda a comunidade como um todo é desafiada pelas atuais dinâmicas socioculturais e formas patológicas derivadas de um clima cultural secularizado, marcado pelo capitalismo de consumo, autossuficiência, perda de valores, vazio existencial, precariedade de vínculos e de relações. As drogas, como já foi dito várias vezes, são uma ferida em nossa sociedade, que aprisiona muitas pessoas em suas redes. São vítimas que perderam sua liberdade em troca dessa escravidão (...) Somos todos chamados a nos opor à produção, processamento e distribuição de drogas no mundo. É dever e tarefa dos governos enfrentar com coragem esta luta contra os traficantes de morte. Traficantes de morte: não tenham medo de dar esta qualificação".

As drogas são um dos principais problemas do mundo e cada país precisa ter consciência do uso de sua população para tentar remediar de alguma forma o consumo desenfreado.

Para superar as dependências é necessário um compromisso sinérgico, envolvendo as diferentes realidades presentes no território na implementação de programas sociais orientados para a saúde, apoio familiar e, sobretudo, educação. É necessário uma  maior coordenação das políticas antidroga e anti-dependência, e não precisamos de políticas isoladas: é um problema humano, é um problema social; tudo deve estar interligado, criando redes de solidariedade e proximidade com aos afetados por estas doenças".

Se é "dever e tarefa dos governos enfrentar com coragem esta luta contra os traficantes de morte", "a Igreja", por sua vez, "sente a necessidade urgente de estabelecer no mundo contemporâneo uma forma de humanismo que coloque a pessoa humana no centro do discurso sócio-econômico-cultural".

Um humanismo que tem como fundamento o 'Evangelho da Misericórdia'. A partir dele, os discípulos de Jesus encontram inspiração para realizar uma ação pastoral verdadeiramente eficaz, a fim de aliviar, curar e cuidar os muitos sofrimentos ligados às multiformes dependências presentes na humanidade".

13 julho 2019, 08:00