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2018.11.17 visita del card. Sandri in Libano 2018.11.17 visita del card. Sandri in Libano 

Concluída visita do cardeal Sandri ao Líbano

O Líbano deve permanecer uma sociedade aberta, um exemplo de convivência pacífica: este é o desejo compartilhado pelo cardeal Leonardo Sandri e pelo presidente do país, general Michel Aoun, em um de seus últimos encontros na peregrinação em terras libanesas.

Adriana Masotti - Cidade do Vaticano

Concluiu-se a visita ao Líbano do cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, por ocasião do Jubileu da ROACO, o organismo que reúne as Obras de Ajuda para as Igrejas Orientais.

Uma agenda intensa no último dia, a começar pelo encontro com o presidente da República, general Michel Aoun, no Palácio Presidencial de Baabda. Um privilégio e uma honra, disse o cardeal Sandri, ser recebido pela mais alta autoridade do Estado, que "reconhece o precioso trabalho realizado no País dos Cedros" pelas agências da Roaco.

Líbano, um modelo de coexistência e liberdade religiosa

 

O cardeal definiu o Líbano como um país onde se vive a gramática da dignidade do homem e afirmou como deste ponto de vista, sempre se olha com grande respeito e ao mesmo tempo apreensão para o Líbano, porque espera-se que o modelo de convivência, pluralismo e liberdade religiosa nele existente, possa continuar e ser modelo também para outros Estados da região.

O general Aoun expressou agradecimento por estas palavras, e afirmou a importância de falar sobre a presença dos cristãos no Oriente Médio, e da sua esperança de poder continuar a ser atores e protagonistas em suas terras.

O presidente recordou já ter relatado ao Papa Francisco durante sua visita a Roma,  o desejo de estabelecer sob os auspícios da ONU uma "Academia do Homem para o encontro e o diálogo", e confirmou o desejo de que a Santa Sé seja o primeiro signatário deste pedido.

Por sua parte, o cardeal Sandri compartilhou a preocupação pela sorte dos cristãos no Oriente Médio, reiterando a posição da Santa Sé sobre Jerusalém e da existência de dois Estados: Israel e Palestina.

Caritas Líbano: lançando luz em um oceano das trevas

 

A segunda etapa do dia foi nos Escritórios da Caritas Líbano, sob a guia do diretor Rev. Paul Karam. Os destinatários do trabalho realizado pela estrutura, são os estratos mais fracos da população, os trabalhadores migrantes e o grande número de refugiados sírios no território libanês, devido ao conflito em seu país.

O cardeal Sandri agradeceu à Caritas Líbano por estar na vanguarda da ajuda aos diversos "pobres", manifestando de maneira visível “o ser Igreja de Jesus”. "O mundo está passando por uma grande crise - disse ele - e aqui no Oriente Médio e no Líbano são sentidas as pesadas consequências disto, mas a esperança a que vocês são chamados a levar, é uma pequena grande luz, naquele que às vezes parece ser um oceano de trevas. Estejam certos da saudação e da bênção de encorajamento do Papa Francisco".

Nesta sede foram expressas, entre outros – observou ele -  algumas reservas sobre corredores humanitários ativados por alguns países europeus, que porém lançam a mensagem sutil de um "abandono" das antigas terras do cristianismo, em vez de apoiar a sua presença.

Refugiados sírios no Líbano: riscos e perspectivas

 

Toda a tarde foi passada na Universidade do Espírito Santo de Kaslik (USEK), onde o Ateneu junto ao Conselho de Igrejas do Oriente Médio, realizou uma mesa redonda em que se pronunciaram a delegação da ROACO, alguns acadêmicos especialistas em direito internacional, em ciências políticas e sociais, e os representantes das diferentes religiões e confissões presentes no Líbano, bem como dos vários partidos políticos da nação. Franco e aberto o debate, do qual emergiu a comum paixão e oração para invocar uma "novidade" para o Oriente Médio.

O dado principal do qual se partiu foi a presença de mais de um milhão de sírios no Líbano, que merecem atenção tanto no que diz respeito às condições de acolhimento que devem ser adequadas, como no que diz respeito ao contexto da população libanesa que os acolhe, em um empobrecimento geral, dos recursos econômicos e de um crescente desconforto do ponto de vista da convivência.

Necessário depois considerar como poder garantir àqueles que desejarem, um retorno seguro à Síria. O Líbano não pode ser deixado sozinho na gestão da emergência, foi enfatizado, e as Igrejas podem oferecer a eles a sua contribuição, mas as autoridades políticas locais e a comunidade internacional devem ser chamadas à sua responsabilidade.

As responsabilidades da comunidade internacional

 

O Líbano - foi reafirmado - deve poder manter sua identidade como um país-mensagem, como definido por São João Paulo II. E a mensagem é ser uma sociedade aberta. Entre outros desafios, também  o tráfico de armas: no Oriente Médio há pessoas que matam e pessoas que são mortas, e não há pessoas que produzam armas. O que pode e o que quer fazer o Ocidente que as produz?, foi o questionamento lançado.

À luz do que emergiu do debate, o cardeal Sandri reiterou que o estilo da ROACO quer prosseguir como serviço concreto, mas também como capacidade de interpelar as consciências nos respectivos países de origem.

Os níveis de discussão são múltiplos: no Líbano, na Europa, nas regiões árabes, em nível da comunidade internacional. É difícil, concluiu ele, mas a tarde passada hoje nos diz que é possível: se deixássemos ainda ocasiões para sérios confrontos e ações, a consciência de cada um deverá responder por isto ao julgamento de Deus.

 

17 novembro 2018, 18:26