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Dom Zeferino Zeca Martins, bispo auxiliar de Luanda, Angola Dom Zeferino Zeca Martins, bispo auxiliar de Luanda, Angola 

Dom Zeca: migrantes deixam seus países motivados pela insegurança no futuro

A Igreja se sente comovida com a realidade de morte dos jovens africanos na travessia do Mar Mediterrâneo.

Amábile Corrêa, Silvonei Protz – Cidade do Vaticano

Guerras, pobreza, violência, perseguição, são muitas as causas que levam dezenas de milhares de pessoas a deixar seus lares no Oriente Médio e na África na esperança de obter uma maior segurança na Europa, cruzando o Mar Mediterrâneo.

Em entrevista concedida ao Vatican News o auxiliar de Luanda, em Angola, e padre sinodal nesta XV Assembleia Geral Ordinária dos Bispos, Dom Zeferino Zeca Martins, falou-nos que necessitamos olhar para o jovens africanos com carinho e zelo, para que não caiam no mundo da ilegalidade. A Igreja se sente comovida com a realidade de morte dos jovens africanos na travessia do Mar Mediterrâneo.

“De fato vemos impotente, a humanidade inteira se vê  impotente, a Igreja se vê impotente, aliás, com muita comoção, e o Santo Padre quando visita estes locais onde os jovens deixam a sua vida, vê-se muito comovido e com ele toda igreja sente-se comovida, ver os jovens no seu potencial da juventude a deixando a vida no Mediterrâneo. Isto manifesta que portanto a nossa humanidade ainda tem muito que trabalhar, em fazer como Igreja, esta advocacia para que se tenha também em contaum pouco a África. Porque na África há muitas nações industrializadas, nações com tecnologia, e suas  políticas sociais não são aquelas que fazem com que os jovens estando nas suas terras saibam tirar os recursos naturais e levá-los para um mundo naturalmente, porque os recursos naturais que Deus nos deu é pra toda humanidade. Estou convencido disso como pastor, como cristão e como gente da Igreja, mas que também esse recursos beneficiem os nativos. Estou falando do Congo, de Angola, desses países que sem industrialização nenhuma, sem nenhuma tecnologia encontramos grandes nações que retiram recursos dali, e no fim as pessoas continuam vivendo na mesma miséria, na mesma desgraça. E daí, a necessidade de muitos deles poderem procurar em países. E o que não encontram nos países terceiros, e como é impossível essa imigração orientada, essa imigração legal acabam se aventurando na ilegalidade e perdendo a vida no Mediterrâneo. Portanto, esta é uma problemática para qual a Igreja não pode virar as costas para uma problemática dessa  natureza. E tudo leva a isto, aqueles que promovem essa imigração porque também se beneficiam. A Igreja deveria ter uma palavra de mãe-mestra, palavra de orientação mais contundente, que fosse capaz de suadir aqueles que estão envolvidos nesta imigração clandestina. E assim, é a humanidade que ganha, porque são talentos que se perdem, que se podiam aproveitar para construir a nossa humanidade com consciência, com arte, com tecnologia. Enfim, espero que a nossa humanidade desperte e trilhe nesse caminho”.

O jovem africano está abandonado pelas suas nações, perdido numa realidade de delinquência Juvenil e necessita da Igreja como base e fonte de ajuda para superar suas dificuldades.

A imagem do jovem africano que trazemos para este Sínodo é daquele jovem africano que está desempregado porque as políticas não são muito assertivas, e dali faz com que os jovens desemboquem no desemprego. Com o desemprego tudo vem como consequência, o alcoolismo, a prostituição, a delinquência, o uso de drogas. Eu vejo que em Angola há muita delinquência juvenil, os cárceres estão cheios de jovens de 15,16 anos e os delitos deles são roubos, furtos e assassinatos. Trazemos, portanto, a imagem do jovem que procura na Igreja encontrar esse apoio que necessita para resolver os problemas na família, para resolver os problemas de emprego, para resolver seus problemas de saúde, e como muitas vezes procuram essa satisfação imediata facilmente entram nas seitas religiosas, e ali elas crescem continuamente em nossas terras africanas. Seitas religiosas que prometem aos jovens emprego, saúde, prometem tudo aquilo capaz de fazer deles jovens fortes com futuro e muitas vezes nas seitas ficam desiludidos”.

A Igreja propõe aos jovens um caminho fundamentado nos valores, e na família. O jovem deve se sentir amado, e protegido, pronto para testemunhar sua fé no ambiente em que se encontra.

O trabalho da Igreja é muito persistente. De fato, nós na Conferência Episcopal de Angola em  São Tomé dedicamos todo o triênio 2018/2020 para a juventude. O triênio anterior foi dedicado a família por essa necessidade de se consolidar a família, de se ter uma família mais enraizada na vida cristã, na vida espiritual, e por conseguinte uma família capaz de viver os valores cristãos, mas também os valores humanos, como uma moral mais sólida. Portanto, o valor do trabalho árduo, o valor do respeito à vida humana e à dignidade humana. Nós dedicamos esse triênio à juventude após o triênio à família porque achamos que o jovem necessita desta atenção atenção e trouxemos a imagem de Zaqueu sob o lema “Zaqueu quero ficar em tua casa” e nós dissemos “jovem quero ficar em tua casa” e quem quer ficar na casa do jovem é Jesus Cristo, que usa a Igreja para que assim a partir da Igreja esse jovem sinta-se amado, amparado, protegido e por conseguinte guiado. Deste modo, o primeiro ano do triênio o intitulamos o ‘jovem e a fé recebida’. Acolhemos todos os jovens da Igreja, os evangelizamos mediante a catequese, os evangelizamos mediante a Doutrina social da Igreja, os evangelizamos mediante o magistério e tradição da Igreja para que conheçam a fundo o que é a Igreja, e assim, conhecendo-a, possam viver sua fé de acordo com o conhecimento que tem da Igreja”.

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17 outubro 2018, 14:52