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No encontro com os participantes da Semana Nacional Litúrgica, em agosto de 2017, o Papa Francisco reiterou que a reforma litúrgica é irreversível. No encontro com os participantes da Semana Nacional Litúrgica, em agosto de 2017, o Papa Francisco reiterou que a reforma litúrgica é irreversível.  (AFP or licensors)

Teólogos que fomentaram a reforma litúrgica

Um encontro realizado em 1909 em Malines, assinalou o início do movimento litúrgico no século XX, encontrando eco na Holanda, Bélgica, Itália e França . O movimento litúrgico foi particularmente ativo nos países de Língua alemã.

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos falar no programa de hoje sobre “os teólogos que fomentaram a reforma litúrgica.”

Damos continuidade neste nosso espaço memória histórica ao tema da reforma litúrgica que encontrou sua expressão máxima com a Constituição Sacrosanctum Concilum do Concílio Vaticano II. O objetivo desta reforma, era de que o texto e as cerimônias deveriam ser ordenadas de tal modo, que exprimissem mais claramente as coisas santas que eles significam e que o povo cristão pudesse compreendê-las facilmente, participando, à medida do possível,  plena e ativamente da celebração comunitária.

No programa desta quarta-feira, padre Gerson Schmidt, incardinado na arquidiocese de Porto Alegre - que tem nos acompanhado neste percurso dos documentos conciliares – nos fala sobre os teólogos que fomentaram a reforma litúrgica:

“A reforma litúrgica não se deu de um dia para outro, como se tivesse acontecido um Pentecostes tão somente no Concilio Vaticano II. Houve um tempo de longa preparação, motivados pelos movimentos de renovação litúrgica, pelos teólogos, liturgistas e também pelas reformas dos papas anteriores ao concilio: Pio X, Pio XI e Pio XII.

A Constituição Sacrosantum Concilium, portanto, não caiu do céu, mas é fruto de todo um clamor que vinha dos novos tempos, da nova compreensão da liturgia, motivada pelos centros teológicos, que fomentaram os princípios contidos na SC.  Anselm Schott, por exemplo, tinha publicado em 1884 um missal popular, das formas de participação do povo, que teve grande difusão nos anos sucessivos.

Em 1909, em Malines, por ocasião do Katholikentag (palavra alemã, que se traduz por “dia do Católico”), o bispo Lambert Beauduin(+1960) defendeu o fortalecimento da liturgia celebrada com a participação do povo.  Esse encontro de Malines assinalou o início do movimento litúrgico no século XX, encontrando eco na Holanda, Bélgica, Itália e França¹.  O movimento litúrgico foi particularmente ativo nos países de Língua alemã.

Os grandes teólogos desse movimento litúrgico foram Odo Casel, OSB(+1948) e Romano Guardini (+1968). Guardini já havia escrito, durante a I Guerra Mundial (1914-1918) a sua obra magistral intitulada “O Espírito da Liturgia”, que terá uma influência enorme nessa reforma. Bento XVI foi aluno e admirador confesso de Romano Guardini.

"O destino realmente singular de Romano Guardini é o fato de ter sido uma espécie de 'mestre' para nada menos do que três papas. Paulo VI promoveu pessoalmente as suas primeiras traduções a partir do pequeno livro La coscienza, que aconselhava aos seus estudantes da Federação das Universidades Católicas Italianas. Bento XVI se percebe até mesmo como uma espécie de discípulo espiritual e intelectual do grande pensador. Finalmente, o Papa Francisco passou alguns meses na Alemanha para ler e estudar Guardini...".

“O primeiro teólogo da liturgia que se ocupou da celebração enquanto tal foi Odo Casel (1948), pioneiro também por oferecer uma reflexão do culto cristão sobre bases direta e primariamente teológicas. Para ele a celebração é uma epifania, uma manifestação do divino na ação ritual (...), o elemento principal do ato celebrativo é a presença-atualização da salvação na ação sagrada e ritual, na qual intervém a prece da Igreja (...). A ação sagrada é imitação simbólica do agir divino(mimésis), mas ao contrário do que ocorre na celebração das religiões naturalistas, apoia-se numa palavra pronunciada como anúncio da intervenção divina(Palavra de Deus) e na súplica que se seguiu como resposta à proclamação”².

Odo Casel preparou terreno para a Teologia do Mistério Pascal e Romano Guardini, entre os tesouros, a ideia fundamental da Igreja como Corpo Místico, ambos conceitos contemplados e valorizados nos documentos do Concílio Vaticano II”.

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¹ Helmut Hoping, A Constituição Sacrosanctum Concilium. In: As constituições do Vaticano II, Ontem e hoje, org. Geraldo B. Hackmann e Miguel de Salis Amaral, Edições CNBB, 2015, p.104.

² J. L. Martin, No Espírito e na Verdade, I, p. 187.

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19 setembro 2018, 08:22