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A partir da leitura dos dados revelados no Anuário Pontifício podemos deduzir algumas novidades sobre a vida da Igreja Católica no mundo. A partir da leitura dos dados revelados no Anuário Pontifício podemos deduzir algumas novidades sobre a vida da Igreja Católica no mundo.  (ANSA)

O Anuário Pontifício 2018 e o Annuarium Statisticum Ecclesiae

Os dados estatísticos do Annuarium Statisticum, referentes ao ano de 2016, nos permitem atualizar alguns aspectos numéricos básicos da Igreja Católica no contexto mundial e destacar as tendências mais marcantes e mais importantes.

Cidade do Vaticano

O Anuário Pontifício 2018 e o Annuarium Statisticum Ecclesiae 2016, cuja redação esteve aos cuidados do Departamento Central de Estatística da Igreja, estão sendo distribuídos nas livrarias, com um atraso devido à passagem para métodos de edição e produção mais avançados dos dois anuários.

O trabalho de impressão de ambos os volumes foi realizado pela Tipografia Vaticana.

A partir da leitura dos dados revelados no Anuário Pontifício podemos deduzir algumas novidades sobre a vida da Igreja Católica no mundo.

Durante este período, 6 novas sedes episcopais e 4 eparquias foram erigidas; uma diocese foi elevada à sede metropolitana e 3 vicariatos apostólicos foram elevados à diocese.

Os dados estatísticos do Annuarium Statisticum, referentes ao ano de 2016, nos permitem atualizar alguns aspectos numéricos básicos da Igreja Católica no contexto mundial e destacar as tendências mais marcantes e mais importantes.

Número de batizados

 

O número de católicos batizados no mundo passou de 1 bilhão 285 milhões em 2015 para 1 bilhão 299 milhões em 2016, um aumento total de 1,1%. Esse aumento é inferior ao aumento médio anual registrado no período 2010-2015, que foi de 1,5%. Esse crescimento, ademais, é um pouco menor que o da população mundial entre 2015 e 2016; de modo que a presença relativa de católicos batizados não diminui que em alguns milésimos: de 17,73 católicos por 100 habitantes em 2015 passa para 17,67 no ano seguinte.

Católicos por continente

 

A distribuição dos católicos, de acordo com o diferente peso demográfico dos diferentes continentes, é diferente nas várias áreas geográficas.

África

 

A África detém 17,6 por cento dos católicos de todo o planeta e é caracterizada pela difusão de uma Igreja Católica muito dinâmica: o número de católicos subiu de pouco mais de 185 milhões em 2010 para mais de 228 milhões em 2016, com um variação relativa de 23,2%. No continente africano, em particular, a República Democrática do Congo é confirmada em primeiro lugar pelo número de católicos baptizados, com mais de 44 milhões, seguida pela Nigéria com 28 milhões, mas também Uganda, Tanzânia e Quênia registram números respeitáveis.

América

 

A posição da América se consolida como o continente ao qual pertencem 48,6% dos fiéis batizados no mundo. Destes, 57,5% vivem na América do Sul (27,5% apenas no Brasil, que é o país com o maior número de católicos do mundo), 14,1% na América do Norte e os 28,4% restantes na América Central. Caso se  compare o número de católicos ao tamanho dos habitantes, a Argentina, a Colômbia e o Paraguai surgem com uma incidência de católicos igual a mais de 90% da população.

Ásia

 

No continente asiático, o número de católicos revela-se estável. Diante de um percentual de 60% da população de católicos no planeta, na Ásia permaneceu em torno de 11% durante todo o período. 76% dos católicos no sudeste da Ásia estão concentrados nas Filipinas (com um número de católicos igual a 85 milhões em 2016) e na Índia (22 milhões).

Europa

 

A Europa, apesar de abrigar quase 22% da comunidade católica mundial, confirma-se como a área menos dinâmica, com um aumento no número de católicos no período 2010-2016 de apenas 0,2%. Essa variação, por outro lado, diante de uma estagnação na dinâmica demográfica, traduz-se em uma ligeira melhora na presença no território, que em 2016 chega a quase 40%. Na Itália, Polônia e Espanha, a incidência de católicos supera 90% da população.

Oceania

 

Os católicos da Oceania somaram pouco mais de 10 milhões e apresentam ligeiro crescimento em relação ao ano anterior, enquanto divergem ligeiramente dos números de 2010: em todo o período houve uma variação positiva de 10,4 por cento.

Circunscrições Eclesiásticas

 

A dinâmica diferencial dos católicos batizados nos diversos continentes impôs uma adequação da estrutura territorial da Igreja, a fim de torná-la mais eficiente na resposta às necessidades e exigências de uma ação eficaz dos serviços pastorais oferecidos.

Em particular, o número de Circunscrições Eclesiásticas, no período 2010-2016, registrou o crescimento mais significativo nas áreas territoriais que mostraram o maior dinamismo da demanda de serviço pastoral. De fato, as Circunscrições Eclesiásticas aumentaram 3% na África e 1,9% na Ásia, em comparação com uma substancial inércia na Europa. As áreas geográficas restantes estão crescendo a uma taxa moderada em torno de um por cento.

As circunscrições apresentam uma variabilidade territorial tanto em termos de área como da população católica. As mais extensas são as da Oceania, com uma superfície de mais de 105.000 quilômetros quadrados e da América do Norte, com 71.378 quilômetros quadrados. Seguem o Sudeste Asiático com mais de 68.000, a América do Sul com quase 30.000 e a Europa com pouco mais de 13.000 quilômetros quadrados. A relação entre o número de católicos e o número de circunscrições também apresenta uma variabilidade considerável.

A América se confirma como o continente com o maior quociente, com 577 mil católicos pertencentes à mesma Circunscrição Eclesiástica, seguida pela África com um território para 422 mil católicos, a Europa com 376 mil católicos e a Ásia, onde cada circunscrição tem em média mais de 265 mil católicos.

Clérigos

 

Os dados mais recentes referentes a 2016 também indicam que o número de clérigos no mundo é igual a 466.634, com 5353 bispos, 414.969 sacerdotes e 46.312 diáconos permanentes.

Bispos

 

Ao longo dos anos entre 2010 e 2016, o número de bispos aumentou em 4,88%, passando de 5104 em 2010 para 5353 em 2016; no entanto, os aumentos resultam diferenciados do ponto de vista territorial. Se calcularmos o aumento médio linear, obtemos consistências diferentes do fenômeno nas várias partes do globo: ordenando as áreas de forma decrescente, vai-se de um valor máximo de 1,47% para a América Central, para o valor mínimo para a América do Norte de 0,34% (outros valores: América do Sul 1,07%, Ásia 0,95%, Europa 0,82%, África 0,45% e Oceania 0,39 por cento).

Observa-se assim, que a América Central e do Sul e a Ásia registram um aumento relativo mais substancial em comparação com outras áreas geográficas. Da mesma forma deve-se levar em consideração pode-se afirmar, a América do Norte e a Europa.

Pode-se observar também que o número de católicos para cada bispo, em 2016, não é muito diferente de continente para continente (média mundial igual a 243 mil com variação de 313 mil a 169 mil, respectivamente para a África e Europa). Particularmente favorável é a situação na Oceania, em que cada bispo é responsável por 79 mil católicos, um sinal deste ponto de vista, de um pequeno elevado número de bispos em comparação com os outros continentes.

Também a avaliação do número de sacerdotes para cada bispo pode ser útil, pois esta relação fornece uma indicação daqueles que, pelo menos num nível meramente numérico, são os empenhos pastorais aos quais cada bispo, em média em cada continente, deve assumir.

A partir dos dados deste relatório, relativos ao período 2010-2016, há um melhor equilíbrio quantitativo entre padres e bispos em todo o mundo. No arco de tempo entre o início e o final do período examinado: passou-se de 81 padres por bispos em 2010 a 78 em 2016. A diminuição da relação é verificada na América (de 64 para 61), na Europa (de 118 para 105) e na Oceania (de 37 para 36), enquanto tal proporção está aumentando na África (de 54 para 63) e na Ásia (de 75 a 82).

Sacerdotes

 

Em 2016, o número de sacerdotes no mundo católico era de 414.969, dividido da seguinte forma: 67,9 por cento deles são do clero diocesano, enquanto os restantes 32,1 por cento do religioso. Observa-se que em comparação com o ano anterior, esta distribuição é praticamente a mesma, enquanto a percentagem de sacerdotes diocesanos aumentou cerca de um ponto em relação a 2010.

Se de 2010 a 2014 houve um crescimento não intenso, mas ainda apreciável (média variação anual de +0,22%), nos dois anos seguintes o número de sacerdotes sofreu pouca variação: no geral diminuiu em 0,2% (+0,19 para os diocesanos e -1,01 para os religiosos), mas as quedas estão concentradas na América do Norte (-2,7%), na Europa (-2,8%) e no Oriente Médio (-1,7%), enquanto incrementos de 4-5 por cento são verificados em todas as outras áreas, com exceção da América Central e Oceania, onde o aumento é de 2 por cento.

Durante todo o período 2010-2016, os sacerdotes no total aumentaram em 0,7%, passando de 412.236 para 414.969. No entanto, se analisarmos os sacerdotes diocesanos e religiosos​separadamente, observa-se que, diante de um crescimento dos primeiros (1,55%), os religiosos sofrem um declínio numérico não insignificante (redução relativa de 1,4%). Nos vários continentes, as dinâmicas são diferenciadas

Os sacerdotes religiosos, salvo alguma exceção de incremento como a África, a região do Sudeste Asiático e a América Central-continental, sofreram no geral um decréscimo numérico com picos de certa importância na América do Norte e na Europa.

Por outro lado, os sacerdotes diocesanos mostram uma tendência oposta: aqui as áreas de decréscimo, limitadas à América do Norte, Europa e em menor escala na Oceania, são a exceção de uma situação de crescimento geral, ainda que em alguns casos bastante brando.

Deve-se observar o caso da África em que o movimento de crescimento é conspícuo e contínuo (+23,1%). Pode-se notar também que essas dinâmicas reavaliaram o peso relativo dos sacerdotes diocesanos em relação ao dos religiosos, todavia uma variação apreciável foi verificada apenas na África, onde os sacerdotes religiosos que no início do período eram 47,5% dos religiosos diocesanos, em 2016 este percentual diminuiu para 43,5%.

A diminuição dos padres religiosos na África deve ser atribuída ao retorno desses agentes pastorais a seus lugares de origem, secundados pelo fortalecimento das comunidades eclesiais locais, asseguradas pelo crescimento dos sacerdotes diocesanos.

As mudanças descritas acima influenciaram, consequentemente, o peso dos sacerdotes nos vários continentes. A distribuição em 2016 por áreas geográficas, mostra, que diante dos 42,6 por cento do número total de padres presentes na Europa, estão os 29,5 por cento pertencentes ao continente americano, enquanto as outras áreas geográficas seguem com 15,9 por cento para a Ásia, 10,9 por cento para África e, finalmente, 1,1% para a Oceania.

Pode-se acrescentar à análise estrutural dos sacerdotes a dos católicos para destacar quaisquer desequilíbrios entre a demanda e a oferta do serviço pastoral. No caso do perfeito equilíbrio entre a presença e as exigências de atividade pastoral, as percentagens de composição dos sacerdotes deveria coincidir para cada área territorial examinada com aquela dos católicos.

De fato, a partir da comparação entre os dois percentuais de composição de sacerdotes e dos católicos, resulta que em 2016 foram registradas grandes lacunas. Em particular, os percentuais de sacerdotes superam os dos católicos na América do Norte (11,2% dos padres versus 6,8% dos católicos), na Europa (42,6% de sacerdotes e 22% de católicos) e na Oceania (1,1% de sacerdotes e 0,8% dos católicos).

As deficiências mais evidentes de sacerdotes estão localizadas na América do Sul (12,1% de sacerdotes e 27,9% de católicos), na África (10,9% de sacerdotes e 17,6% dos católicos) e na América Central Continental (5,3% de sacerdotes e 11,6% de católicos).

A diferença entre as distribuições das duas séries implica a existência de uma variabilidade da carga pastoral, entendida como relação entre o número de católicos e o número de sacerdotes.

A tendência de tal índice, em nível mundial, pode ser atribuída ao aumento devido ao diferencial de crescimento demográfico entre as diversas áreas territoriais: de 2900 a 3130 católicos por sacerdote, respectivamente para os anos  2010 e 2016. E ainda as diferenças geográficas são muito significativas: em 2016, há pouco mais de 1600 católicos por sacerdote na Europa, mais de 7200 na América do Sul, pouco mais de 5.000 na África e pouco menos de 2.200 na Ásia.

Diáconos permanentes

 

Os diáconos permanentes constituem o grupo de clérigos que crescem com extraordinária vivacidade. O aumento médio anual no período 2010-2015 foi igual a 2,88%, globalmente, e continuou também em 2016, embora a um ritmo mais lento (2,34%); nesse ano são 46.312 comparados aos 39.564 registrados em 2010.

As diferenças territoriais continuam muito acentuadas: nos anos de 2010 a 2015 os ritmos de crescimento mais expressivas ocorrem na Ásia e na América do Sul e na região centro-continental, enquanto as mais brandas foram registradas na América do Norte, Europa e África.

No período 2015-2016, os ritmos de aumento da presença de diáconos nas diversas áreas territoriais foram mantidos, com forte aceleração na África, na América Central e na América do Sul, e uma significativa desaceleração na América do Norte, Europa e América do Norte e na Ásia, onde se registra uma estase.

Não houve mudanças significativas na distribuição global de diáconos entre os dois anos 2015 e 2016: verifica-se apenas uma ligeira diminuição no peso do número relativo de diáconos na Europa e um aumento igualmente ligeiro no da América. A possibilidade efetiva de os diáconos permanentes cooperarem com os sacerdotes na prestação de serviços pastorais no território permanece, no entanto, ainda limitada.

No mundo, a distribuição de diáconos para cada cem padres presentes, na verdade, é de apenas 11,2 em 2016 e vai de um mínimo de 0,48 na Ásia a um máximo de 24,8 na América. O quociente na Europa é de cerca de 8%, enquanto na África é igual a um diácono para 100 padres presentes.

As dimensões do fenômeno, portanto, ainda são completamente inadequadas porque o trabalho dessa categoria de agentes pastorais possa incidir significativamente no equilíbrio entre a demanda e a oferta de serviços aos fiéis católicos presentes no território. Em termos evolutivos, entretanto, nota-se que eles tendem a manifestar uma frequência maior no território precisamente onde a relação católicos batizados/sacerdote  é mais carente.

Religiosos

 

Em 2016, o grupo de religiosos professos não sacerdotes do mundo era de 52.625, estando presentes 8.731 na África, 14.818 na América, 12.320 na Ásia, 15.390 na Europa e 1.366 na Oceania. A diminuição ocorrida no período 2010-2015 continuou e aumentou em 2016: o grupo, em nível mundial, diminuiu 3% no último ano.

 Em particular, observa-se que, enquanto na África há uma situação quase estacionária, em todos os outros continentes há uma queda generalizada com pontos significativos na Oceania (-4,5%), na Europa (-3,8%) e na América (-3,7%).

A distribuição percentual dos religiosos professos não sacerdotes em 2016 sofre pequenas mudanças em relação a 2015, sendo a mais significativa a Europa, que viu sua participação relativa cair de 29,5% para 29,2%.

Religiosas

 

As religiosas professas constituem o grupo de maior peso numérico de todos os diversos agentes pastorais (especificamente: bispos, sacerdotes, diáconos permanentes, sacerdotes religiosos, não professos e religiosos). Em 2010 elas eram 722 mil, diminuindo progressivamente, de modo que em 2016 eram 659 mil (com variação relativa no período de -8,7%).

A contração registrada no número de religiosas professas no mundo é substancialmente atribuível a um aumento considerável das mortes, resultado de uma elevada presença de religiosas em idade avançada, enquanto o número de abandonos da vida religiosa torna-se menos relevante durante o período de referência.

É importante notar a profunda diferença de comportamentos nos vários continentes que segue as características já observadas para as outras categorias de agentes pastorais, agrupadas segundo as determinações geográficas.

A África, no período 2010-2016, registrou o maior aumento (+9,2%), seguida pelo Sudeste Asiático (+4,2%). A América do Norte, por outro lado, tem um recorde negativo, com uma contração de quase 21%, seguida de perto pela Europa (com -16%) e a América do Sul (-11,8%), enquanto a queda registrada na América Central e Central e no Oriente Médio é menor.

Finalmente, a situação na América Central-Antilhas é substancialmente estacionária, com uma redução de cerca de 2%. Esses movimentos, naturalmente, influenciam sobre as variações dos pesos continentais das consistências de religiosas. Observando a distribuição para as áreas continentais no período 2010-2016, verifica-se um redimensionamento da presença de religiosas na Europa e na América do Norte, em benefício da Ásia e da África. Em particular, de fato, se em 2010 o grupo de religiosas professas que atuam na Europa e na América do Norte representaram 49,7% do total mundial, em 2016 elas representam 45,1% dos dois continentes.

A mudança positiva mais significativa pode ser vista no Sudeste Asiático, onde o número de religiosas aumentou de 22,2% em 2010 para 25,4% em 2016, e na África em que a incidência no total mundial é chega em 2016 a 11% contra  os 9,2% por cento em 2010.

Vocações sacerdotais

 

Em 2016, a tendência das vocações sacerdotais, em linha com a desaceleração já observada nos anos anteriores, continua em declínio: de 116.843 seminaristas maiores em 2015 para 116.160 em 2016 (683 a menos, igual a 0,6 para por cento); a taxa de vocação (seminaristas para 100.000 católicos) regride de 9,09 para 8,94. Em nível territorial, a América (especialmente a do sul) é o continente com menor taxa vocacional (5,13 seminaristas por 100.000 católicos); a Europa segue de perto com um quociente de 6,17.

No mundo, entre 2010 e 2016, verifica-se um decréscimo de 2830 seminaristas maiores, resultado do aumento de 1061 seminaristas no período 2010-2012 e da diminuição de 3891 no período seguinte.

Portanto, a crise das vocações se acentua em nível mundial, mas uma análise por áreas mais restritas evidencia situações territoriais diferenciadas. Tendência semelhante àquele mundial (fase de crescimento seguida de desaceleração) apresenta a Ásia, que registra um saldo ativo ao longo de todo o período de 779,  com o ponto máximo em 2012.

Na Europa e no continente americano por outro lado, houve um declínio constante que levou a uma redução total ao longo de todo o período de 4082 seminaristas para a América e 2949 para a Europa.

A África manifesta um tendência diferente tanto daquela mundial como das outras áreas territoriais. Neste continente, de fato, o número de seminaristas maiores tem aumentado constantemente, com um aumento absoluto de 358 de 2010 a 2016.

Um exame territorial ainda mais analítico realizado nos países onde em 2016 havia nada menos que 1000 seminaristas maiores (diocesanos e religiosos), mostra que - exceto por um mínimo de países, onde as tendências nem sempre são detectáveis ​​com precisão - na grande maioria dos países considerados, no período 2010-2016, houve tendências do tipo anteriormente encontrado: crescimento seguido de queda, crescimento ou decréscimo constante.

O crescimento constante que pode ser visto na África também é encontrado em seus principais países. Estes, na verdade, apresentam todos um aumento percentual total maior do que aquele que que por si só já é muito alto (+13,1 por cento) do continente: de fato, Uganda, onde o aumento é de 22,1 por cento, é superada por Camarões (+31,2 por cento),  pela Tanzânia (+ 39,5 por cento) e pelo Madagáscar, que mostram um aumento muito alto (+65,6 por cento). A República Democrática do Congo registrou crescimento até 2013, seguido por um declínio nos anos seguintes (com um aumento percentual global durante todo o período de 5,1%). Em contraste, o Quênia mostra um declínio constante nas vocações: durante todo o período -13%.

Nas Américas, a do Norte mostra, a grosso modo, a tendência das vocações em todo o mundo com o pico em 2012, seguido de um lento decréscimo. A América Central-continental está experimentando um declínio constante nas vocações, o que no total leva a 91 seminaristas a menos entre 2010 e 2016.

O país com o maior peso demográfico do subcontinente, o México, mostra uma tendência não detectável com precisão, dado que a um ligeiro aumento registrado até 2012, seguiu-se uma tendência de queda nos anos seguintes: no final do período, o número de seminaristas estabilizou-se em 5000.

A América do Sul mostra um declínio contínuo de vocações, entre 2010 e 2016, com uma redução absoluta de 3752, ou seja, um percentual igual a -17,4%. O declínio afeta todos os países do subcontinente com diferentes intensidades, com acentuação para o Peru, Colômbia e Brasil.

Na Europa, todos os principais países têm uma tendência de vocações semelhante à do continente: sempre decrescendo ao longo do período e com um saldo negativo que também atingiu níveis notáveis ​​na Polônia, Alemanha, Irlanda, Grã-Bretanha e Espanha.

Na Ásia, as Filipinas e na República da Coreia registrou-se uma queda nas vocações ao longo do período, com -1,1%  de seminaristas no primeiro  e -30,2% no segundo, enquanto o Vietnam tem um aumento constante e o saldo é de +48,3%. Um ligeiro aumento no tempo ocorreu na Indonésia, onde as vocações cresceram 2%.

A comparação entre a distribuição percentual de seminaristas entre os vários continentes e a correspondente distribuição percentual de católicos, evidencia claramente as excedências positivas e negativas das vocações no nível territorial.

A Europa que, que apesar da diminuição das vocações no período 2010-2016, parece ser capaz de responder adequadamente às necessidades dos católicos (15,2 por cento dos seminaristas contra 22 por cento de católicos), é compensada pelo déficit vocações nas Américas (27,9% dos seminaristas contra 49% dos católicos), o que é particularmente alto para a América do Sul.

Nos países da África e da Ásia, onde a baixa taxa de católicos no total de habitantes, pelo contrário, a percentagem de seminaristas são significativamente mais elevadas em relação à baixa percentagem de católicos.

Tende-se assim, a  satisfazer nestes continentes a exigência de prover, em plena autonomia, o trabalho do apostolado local.

Análise

 

Analisando estes dados quantitativos dos principais fatores que dizem respeito à Igreja Católica nos diferentes continentes e concentrando a atenção apenas nos aspectos que parecem ser as tendências mais marcantes e mais importantes, pode-se observar, em primeiro lugar que, nos anos de 2010 a 2016, o número de católicos no mundo aumentou significativamente.

Nestes anos, registra-se uma situação de alta concentração territorial de batizados católicos no mundo. No total, em 2016, em 15 países existem cerca de 830 milhões, o equivalente a 64% dos católicos batizados em todo o mundo.

América e Europa (com 49% e 22%, respectivamente) têm 71% da população total batizada. Olhando individualmente cada país, 4 dos 15 (República Democrática do Congo, Nigéria, Uganda e Angola) estão na África e representam apenas 47% do total continental.

Na América, mais de 64 por cento do total é atribuída a outros 4 países (Brasil, México, EUA e Colômbia), dois países pertencem à Ásia (Filipinas e Índia),  que sozinhos contam com quase 77 por cento do total continental e os restantes 5 países são europeus (Itália, França, Espanha, Polônia e Alemanha), com uma incidência no continente igual a 74 por cento.

Outro aspecto relevante, é que no período examinado há uma atenuação dos desequilíbrios pré-existentes na distribuição geográfica para grandes áreas, quer dos Circunscrições Eclesiásticas como dos centros pastorais. Até mesmo o número de bispos parece mais harmonicamente distribuído e em bom crescimento. Quanto à evolução dos outros agentes pastorais, há uma contração evidente nos religiosos não sacerdotes, nas religiosas professas e nos sacerdotes.

Estes últimos, todavia, registram um decréscimo somente na última parte do período examinado. As perdas sofridas em todo o período na Europa e América, são em grande parte compensadas pela vivacidade demonstrada pela África e Ásia para os sacerdotes diocesanos.

As religiosas professas, apesar da contração observada globalmente e em nível de algumas realidades continentais, continuam sendo uma realidade não negligenciável: o número total de freiras representa 59% a mais do que a população sacerdotal.

Apesar de o papel que historicamente desempenham na provisão de serviços pastorais ter sido redimensionado - como indicam as estatísticas da consistência das paróquias conduzidas por religiosas -, sua ação na vida das comunidades religiosas ainda permanece aquela de apoiar, quando não raro substituir a dos sacerdotes.

Candidatos ao sacerdócio globalmente mostram uma tendência ao decréscimo, sendo o número de seminaristas maiores diminuindo em 1,8% entre 2010 e 2016. Também neste caso, no entanto, algumas razões para preocupação provém da Europa e do continente americano, onde a diminuição parece muito evidente. Por outro lado, a África e a Ásia mostram grande vitalidade.

(L’Osservatore Romano)

17 junho 2018, 09:20