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Cineasta Ermanno Olmi, Prêmio Leão de Ouro à carreira (2008) Cineasta Ermanno Olmi, Prêmio Leão de Ouro à carreira (2008)  (AFP or licensors)

Mons. Viganò sobre Olmi: sintonia espiritual com o Papa Francisco

“Ermano Olmi deixa hoje um traço indelével, fecundo, na história do cinema e da indústria cultural italiana, tendo sabido conjugar a força expressiva da imagem às impalpáveis dinâmicas do espírito... Olmi era um homem pronto para o encontro, com olhar aberto e luminoso”, afirma Mons. Viganò.

Cidade do Vaticano

“Deixa-nos um grande cineasta, um homem de profunda cultura e fé.” Foi o que disse o assessor da Secretaria para a Comunicação (Spc) da Santa Sé, Mons. Dario E. Viganò, sobre o mestre do cinema italiano Ermanno Olmi, falecido esta segunda-feira (07/05) com quase 87 anos, cuja obra cinematográfica é densa de referências e contínuas evocações à tradição cristã, ao universo de valores católicos.

Pronto ao encontro, com olhar aberto e luminoso

“Conheci pessoalmente Ermanno Olmi anos atrás, dialogando com ele num encontro público em Luino, Varese (norte da Itália), por ocasião do Prêmio Piero Chiara em março de 2013 – conta à agência Sir Mons. Viganò. Naqueles anos, Olmi, com sua saúde já debilitada, desejava partilhar seu imaginário cinematográfico e espiritual.”

Último trabalho dedicado ao Cardeal Carlo Maria Martini

A partir de então, Mons. Viganò e Olmi tiveram outras ocasiões de contato: “Apresentei na Filmoteca Vaticana, graças à filha Elisabetta Olmes, a quem mando meu abraço – continua Viganò – seu último trabalho, dedicado ao Cardeal Carlo Maria Martini, intitulado ‘Vejam, sou um de vocês’. E propriamente naquela ocasião, em que o cineasta não pode intervir por motivo de saúde, emergiu o desejo de um contato com o Papa Francisco. Deu-me uma carta para ser entregue ao Santo Padre, com seus últimos filmes, em particular Villaggio di Cartone (Aldeia de Papelão).”

De fato, com este filme o multipremiado cineasta e escritor originário de Treviglio – região italiana da Lombardia – faz um forte e premente apelo à Igreja e a toda a comunidade a acolher o outro, o estrangeiro, o necessitado de integração e inclusão.

Sintonia espiritual com o Santo Padre, atenção aos últimos, aos rejeitados

Propriamente sobre este filme, acrescenta Mons. Viganò: “Ermanno Olmi tinha uma sintonia espiritual com o Papa, por sua atenção aos últimos, aos rejeitados. Olmi queria muito que o Papa Francisco visse esse filme, capaz de colher aquela imagem de Igreja em saída, de Igreja hospital de campanha, pronta para o acolhimento, reiteradas vezes evocada pelo Santo Padre”.

Como estudioso do cinema e por muitos anos à frente de instituições cinematográficas, Mons. Viganò observa: “Ermano Olmi deixa hoje um traço indelével, fecundo, na história do cinema e da indústria cultural italiana, tendo sabido conjugar a força expressiva da imagem às impalpáveis dinâmicas do espírito. Um último pensamento, porém, é pessoal, mais que ao artista, ao homem, tendo-o conhecido. Olmi era um homem pronto para o encontro, com olhar aberto e luminoso”.

A dimensão popular da experiência cristã

Também o subsecretário da Conferência Episcopal Italiana (CEI), Mons. Ivan Maffeis, manifestou-se sobre a importante herança cultural deixada pelo cineasta e escritor:

“Ermanno Olmi soube ler a dimensão popular da experiência cristã, contando suas mais simples e genuínas tradições. Colheu a importante cotidianidade da fé na vida do homem, o encontro do Evangelho com a vida de todos os dias.”

(Agência Sir)

08 maio 2018, 18:09