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L'Osservatore Romano: católicos brasileiros resgatam refugiados venezuelanos

A Venezuela há muito tempo tem lutado contra uma grave crise econômica. Estima-se que todos os dias cerca de oitocentos venezuelanos atravessem a fronteira para entrar no norte do Brasil.

Silvonei José - Cidade do Vaticano

Como responder de modo eficaz às necessidades crescentes suscitadas pela onda de refugiados venezuelanos? Como envolver neste trabalho de assistência, além das instituições públicas e da sociedade civil, toda a comunidade eclesial? E como evitar o perigo, do qual já existe alguns sinais, de que a persistência da emergência possa leva a uma guerra sem sentido entre os pobres?

É em torno destas questões centrais  - destaca o jornal vaticano L’Osservatore Romano em um artigo - que se articulam os trabalhos da Comissão Episcopal de Pastoral Especial para o Combate ao Tráfico de Seres Humanos, que durante dois dias se reuniu em Brasília para fazer um balanço da recente missão levada a cabo por alguns membros da mesma Comissão em Boa Vista, capital do Estado de Roraima, na fronteira com a Venezuela, onde centenas de pessoas chegam todos os dias para escapar da grave situação de crise que atravessa seu país.

A guiar a Comissão é Dom Enemésio Ângelo Lazzaris, bispo de Balsas. O prelado reconhece que a visita realizada ao Estado de Roraima “deu força, maior solidez à nossa Comissão. Desta missão, desta visita surgiram muitas propostas”. E assegurou: "Estamos trabalhando para que o que foi planificado, planejado, se transforme pouco a pouco em realidade”, um processo para o qual, na verdade, o encontro na capital brasileira se mostrou de grande importância.

Em Boa Vista 50.000 venezuelanos

Como se sabe, a Venezuela há muito tempo tem lutado contra uma grave crise econômica. A população está agora reduzida ao limite e não consegue encontrar comida e bens  de primeira necessidade, nem mesmo no mercado negro. Assim, estima-se que todos os dias cerca de oitocentos venezuelanos atravessem a fronteira para entrar no norte do Brasil. A cidade de Boa Vista abriga atualmente cerca de 50.000 venezuelanos, que representam quase 15% da população. Tanto que os serviços de saúde do Estado de Roraima nos últimos três anos viram aumentar a demanda por assistência em 3.500%. Uma situação que, como se pode imaginar, corre o risco de se tornar cada dia mais explosiva, com manifestações xenófobas contra os  imigrantes venezuelanos e frequentes episódios de violência.

Coleta para os refugiados

O bispo de Balsas, em uma declaração à Agência Fides, insiste na importância do trabalho realizado: “Os passos já dados tiveram o objetivo de dar maior visibilidade seja à nossa Comissão seja à missão que levamos adiante”. Um aspecto que, segundo Dom Lazzaris, “apareceu muito concretamente” durante a última Assembleia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, realizada em Aparecida de 11 a 20 de abril passado. Na ocasião, de fato, o bispo de Roraima, Dom Mário Antônio da Silva, teve a oportunidade de ilustrar amplamente à plenária a dramática situação de sua diocese. Não é por acaso que o episcopado brasileiro decidiu que mais de um terço da renda da coleta nacional de solidariedade, que se realizou no Domingo de Ramos em todas as dioceses do país, seja destinada como gesto concreto da tradicional Campanha da Fraternidade que este ano teve como tema a superação da violência, para ajudar os imigrantes venezuelanos no Estado de Roraima.

Para Dom Lazzaris é uma grande alegria que o episcopado brasileiro “destine 40% da arrecadação da Campanha da Fraternidade para superar as primeiras necessidades, as emergências de nossos irmãos e irmãs venezuelanos”. Um compromisso em sintonia com o “Plano Pastoral Integrado” desenvolvido por oito episcopados sul-americanos, em colaboração com o Dicastério vaticano para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

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27 maio 2018, 10:26