Versão Beta

Cerca

Vatican News
Quaresma é um tempo de reflexão sobre o nosso ser cristãos Quaresma é um tempo de reflexão sobre o nosso ser cristãos 

Respeito e promoção do bem comum

Na sua mensagem para a Quaresma 2018, os Bispos da Conferência Episcopal do Senegal, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Mauritânia, convidam a reflectir sobre o “Respeito e a Promoção do Bem Comum.

Cidade do Vaticano

Quaresma é um tempo de reflexão sobre o nosso ser cristãos. E geralmente os bispos emitem mensagens para ajudar os fiéis a meditar e a rezar sobre o que significa ser cristão. Este ano, os Bispos da Conferência Episcopal do Senegal, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Mauritânia, exortam a meditar sobre o “Respeito e a Promoção do Bem Comum”. Uma meditação – sugerem - a ser feita em família, nas comunidades sacerdotais e religiosas, nas comunidades eclesiais de base, nas paróquias, nas associações e nos movimentos, nas dioceses…

O que significa Bem Comum

Na sua ampla mensagem, os bispos explicam o que se entende por Bem Comum, ilustram os obstáculos à sua realização, dão indicações para o alcançar e lançam - a terminar - alguns apelos. 

Mas antes de tudo, frisam que “o respeito e a promoção do Bem Comum fazem parte da caridade de Cristo (…). De facto, trabalhar e responder às reais necessidades do próximo, é uma maneira de viver a caridade cristã” – escrevem, citando a encíclica de Bento XVI, Deus Caritas Est, Deus é Caridade.

O Bem comum é para todos os membros da comunidade social – recordam os Bispos. E  explicam que de acordo com os ensinamentos da Igreja, Bem Comum é “um conjunto de condições sociais que permitem, tanto aos grupos como a cada um dos seus membros alcançar a perfeição da maneira mais total e mais completa”. Bem comum não se refere, portanto, só aos bens, mas sobretudo à pessoa e a cada pessoa, ou seja: o Bem comum pressupõe o respeito pela pessoa humana enquanto tal, com direitos fundamentais e inalienáveis ordenados para o seu desenvolvimento integral.

Obstáculos à realização do Bem Comum

Para que o Bem Comum seja devidamente promovido e realizado é preciso um conjunto de condições. Isto significa ter consciência dos obstáculos a essa realização e ultrapassá-los. 

Então, depois de definir o que se entende por Bem Comum, os Bispos desses quatro países da África Ocidental passam a ilustrar algumas dessas dificuldades: as Deviações da Solidariedade Africana; a Corrupção, a Violação dos Direitos Humanos; a Mentalidade do Açambarcamento e do Desperdício; a Má Governação.

No que toca às deviações da Solidariedade Africana, fazem notar que em nome dessa solidariedade, alguns pensam que os outros têm o dever de os sustentar e acaba-se no parasitismo. E em nome dessa mesma solidariedade, permite-se desviar o dinheiro publico ou os bens da Igreja, para si mesmo ou em benefício dos membros da família, do clã, da etnia e da região.

A corrupção que é praticada a diversos níveis, é uma praga que favorece a preguiça, o parasitismo, cria a pobreza, é a primeira causa de desvios de dinheiro público, provoca degradação acelerada dos costumes, destrói a sociedade…

A violação dos direitos humanos é – escrevem os bispos – um sério obstáculo à realização do Bem Comum. É, muitas vezes, gerada pela corrupção sob forma de violência nas relações de dominação e exploração.

Há depois a mentalidade do açambarcamento e do desperdício de meios adquiridos de forma desonesta, ou seja acumulação egoísta das riquezas por indivíduos ou grupos em detrimento do Bem comum. Sem falar na tendência ao desperdício.

Outro obstáculo à realização do Bem Comum é a má governação. Isto parte duma má concepção do poder político, entendido não como condição para servir, mas para ser servido. Nesta mesma linha insere-se a concentração em vez da separação dos poderes judicial, legislativo e executivos.

Ultrapassar os obstáculos ao Bem Comum

Ultrapassar os obstáculos ao Bem Comum – escrevem os Bispos da Conferência Episcopal do Senegal, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Mauritânia requer políticas que privilegiem a pessoa humana e o seu pleno desenvolvimento. Para favorecê-las é necessário ter em conta as condições e os locais de realização.

No contexto dos seus territórios, os bispos consideram – na linha do Papa Francisco - ser necessário respeitar a Casa Comum, fazer com que as instituições do Estado funcionem adequadamente, educar à cidadania e ao civismo, rever a concepção da solidariedade africana e do poder politico. O clima é um Bem comum que temos a obrigação de cuidar. Falar em desenvolvimento sustentável – dizem – requer solidariedade entre gerações. Não se pode, portanto, ser indiferentes à Terra.

O funcionamento correcto das instituições é outro requisito para a realização do Bem Comum. E aqui também os Bispos recordam que se trata de servir e não de ser servido ou de se servir. A separação dos poderes é mais uma vez evocada para dizer que a independência e a integridade do sistema judicial contribuirão em muito para promoção do Bem Comum. “Enquanto houver impunidade, será difícil, ou mesmo impossível, trabalhar pelo Bem Comum”.

É também necessário educar à responsabilidade e à cidadania se se quer promover o Bem Comum. É necessário fazer nascer e crescer nas mentes e nos corações das crianças, dos jovens dos adultos, valores e comportamento como a dignidade, autoconfiança, amor ao país, etc.

“Nós cristãos – dizem os bispos – não nos contentamos em esperar, criticar ou ficar para trás, mas nos engajamos resolutamente nas instâncias e estruturas onde o futuro do país e suas comunidades são decididos e construídos”.

Há também que rever a concepção e a prática da solidariedade africana, encorajando todos a participarem activamente no desenvolvimento da comunidade. O respeito e a promoção do Bem Comum exigem a contribuição de todos e de cada um e a família, a comunidade, a escola, são lugares onde essa educação ao Bem comum deve acontecer num espírito de intercolaboração – insistem os Bispos que passam depois a lançar alguns apelos: aos pais, aos fieis leigos, aos agentes pastorais, bispos sacerdotes e consagrados, aos dirigentes e militantes políticos, e aos parlamentares, aos juízes…  A cada uma destas categorias é pedido para assumir as próprias responsabilidades em favor do bem comum, da paz, do desenvolvimento durável e integral dos povos.

Apelos

E os Bispos concluem com estas palavras aos fiéis: “queremos todos juntos nos engajar no caminho das mudanças de mentalidades e comportamento que, reclamam o respeito e a promoção do Bem Comum, condição vital para o desenvolvimento dos nossos países. Tais mudanças estão em sintonia com a nossa Quaresma cristã, tempo forte de conversão que nos conduz à vitória da Páscoa”.

12 março 2018, 16:38