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Papa à comunidade patrística: sejam fiéis às raízes para ajudar a vida de hoje da Igreja

O Papa Francisco recebeu na manhã deste sábado (16), no Vaticano, professores e alunos do Instituto Patrístico Augustinianum de Roma, por ocasião dos 50 anos de fundação: “encorajo a serem fiéis às suas raízes” e “a perseverar no empenho de comunicar os valores intelectuais, espirituais e morais que possam preparar os estudantes a participar com sabedoria e responsabilidade na vida da Igreja e nos debates sobre os desafios cruciais do nosso tempo”.

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco recebeu na manhã deste sábado (16), na Sala Clementina, no Vaticano, a comunidade acadêmica do Instituto Patrístico Augustinianum de Roma, por ocasião dos 50 anos de fundação da escola. Logo no início do discurso aos docentes, alunos, conselheiros, colaboradores e administradores da faculdade, o Pontífice se congratulou com todos pelo aniversário jubilar, enaltecendo o valor dos sábios em idade avançada, os professores em pensão, que “quando chegam naquela idade são de uma simplicidade grandiosa, que faz muito bem”.

Meio século de contribuição à tradição católica

Ao dar graças a Deus por tudo que o instituto realizou nesse meio século de vida, o Papa voltou às origens e à tradição da Ordem Agostiniana em Roma, com os estudos “dedicados às ciências sagradas, em especial aos Pais da Igreja, a Santo Agostinho e seu legado”. O Augustinianum “foi fundado para contribuir a preservar e transmitir a riqueza da tradição católica, sobretudo a tradição dos Pais”, disse o Papa.

“Essa contribuição é essencial para a Igreja. Foi sempre, mas especialmente na nossa época, como afirmou São Paulo VI no discurso de inauguração do Instituto: ‘o retorno aos Pais da Igreja’, disse ele, ‘faz parte do recuperar as origens cristãs, sem as quais não seria possível atuar na renovação bíblica, na reforma litúrgica e na nova pesquisa teológica pretendida do Concílio Ecumênico Vaticano II’ (4 de maio de 1970).”

Francisco também citou São João Paulo II, quando visitou a escola em 1982, enaltecendo os valores do instituto que ajudam a “conhecer melhor Cristo e a conhecer melhor o homem”, num conhecimento que ajuda “a Igreja na sua missão” (7 de maio de 1982).

Responsabilidade na vida da Igreja

O Papa, então, usou da recente Constituição Apostólica Veritatis gaudium e o exemplo de Santo Agostinho para incentivar a comunidade patrística:

“Encorajo vocês a serem fiéis às suas raízes e à sua tarefa; a perseverar no empenho de comunicar os valores intelectuais, espirituais e morais que possam preparar os seus estudantes a participar com sabedoria e responsabilidade na vida da Igreja e nos debates sobre os desafios cruciais do nosso tempo. Tal serviço é estreitamente ligado à evangelização e contribui a promover o crescimento da família humana em direção à sua definitiva plenitude em Deus (Const. Ap. Veritatis gaudium, 1).”

Francisco finalizou o discurso exortando a rezarem um pelo outro, porque se faz necessário e “é importante numa instituição”, para que o Senhor anime no empenho diário de pesquisa, ensinamento e estudo.

Escola patrística de excelência de Roma

O Augustinianum é um instituto de especialização e pesquisa teológica patrística, onde a Tradição da Igreja, ou seja, a transmissão viva da fé cristã dos primeiros séculos ocupa um lugar de destaque. O instituto completa meio século de experiência na didática e na pesquisa, formou estudiosos que hoje ensinam em universidades pontifícias de prestígio, além de leigos de todo o mundo. Inclusive os professores representam uma excelência no panorama científico católico internacional.

O Pe. Alejandro Moral Antón, Prior Geral dos Agostianianos e Moderador geral do Instituto, ao saudar o Papa salientou o legado do patrono Santo Agostinho, prometendo estudar os autores de um passado distante, “mas sempre fecundo, empenhando-se a viver e a transmitir às gerações futuras o frescor e a alegria do Evangelho”.

16 fevereiro 2019, 12:57