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O Papa abraça o cardeal Ernest Simoni no final da Missa em Santa Marta O Papa abraça o cardeal Ernest Simoni no final da Missa em Santa Marta  (Vatican Media)

Cardeal Simoni completa 90 anos concelebrando com o Papa

O cardeal albanês Ernest Simoni concelebrou com o Papa Francisco a Missa na Casa Santa Marta. O Papa ofereceu a Eucaristia pelas suas intenções recordando as perseguições sofridas por ele e dos cristãos que ainda hoje são perseguidos por causa do Evangelho

Cidade do Vaticano

“O nosso irmão que completa 90 anos pode nos contar muitas coisas sobre as perseguições”. São palavras do Papa Francisco durante a homilia desta quinta-feira (18/10) na Casa Santa Marta ao se dirigir ao cardeal albanês Dom Ernest Simoni, que concelebrava com o Papa por ocasião do seu 90º aniversário. Papa Francisco ofereceu a Eucaristia pelas suas intenções.

Durante a homilia, o Papa disse que "ainda hoje existem muitos cristãos perseguidos, mas não podemos esquecemos os do passado". No tempo do regime comunista albanês, Simoni foi preso em 24 de dezembro de 1963, logo depois da Missa da Noite de Natal. Foi condenado à morte mais de uma vez, e ficou muitos anos na prisão: 18 anos de cárcere e trabalhos forçados, dos quais 12 trabalhando em minas.

Na prisão tornou-se padre espiritual dos encarcerados e o ponto de referência, confessava e celebrava a Missa às escondidas todos os dias. Depois da sua libertação em 1981, ainda foi considerado “inimigo do povo” e obrigado a trabalhar nas instalações de esgotos de Escodra. Continuou exercendo o ministério sacerdotal clandestinamente, até a queda do regime em 1990. Depois disso continuou a servir como humilde sacerdote, em muitos vilarejos, procurando levar a reconciliação entre os albaneses.

O Papa Francisco encontrou padre Simoni durante a sua visita a Tirana em setembro de 2014. O seu testemunho comoveu profundamente o Papa, e de surpresa, em 9 de outubro de 2016 anunciou a sua nomeação a cardeal.

Emoções pelo seu aniversário com o Papa

Depois da Missa ao responder algumas perguntas ao Vatican News, o cardeal Simoni falou de suas emoções neste dia…

“Foi uma grande alegria, grande mesmo, encontrar Jesus na Missa e o Papa Francisco, com seu infinito amor por todos os homens e pelos pobres, ouvir suas palavras de felicitações, de missão da Igreja para aproximar todos os homens e principalmente os jovens para que amem e vivam ao lado de Jesus para ter aquela alegria que ninguém pode nos dar e principalmente a ressurreição”.

Albânia

Falando de sua pátria, a Albânia, cardeal Simoni afirma:

“Rezo todos os dias pelo povo albanês, para todos, para que conheçam o Senhor, amem o Senhor e façam tudo o que agrada a Jesus, porque o mundo nos dá um punhado de lama e Jesus nos diz: ‘Eu sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá’”.

Durante a prisão

Falando sobre os anos passados na prisão, sob o regime comunista albanês, Dom Simoni diz: “Devemos sempre olhar para o objetivo supremo, todos nós homens estamos caminhando para o reino eterno; a história mundial nos ensinou que sem Deus não há futuro. Colocando em prática o amor de Jesus com os sacrifícios, com a oração, podemos nos aproximar de Deus. O Santo Rosário é o maior poder existente para salvar o mundo das guerras, dos terremotos, das carestias, de tudo o que é ruim. Jesus vive no meio de nós, morreu por nós, porque devemos esquecê-lo? Jesus deve ser colocado em primeiro lugar, porque é o Criador, é o Redentor.

Apelo aos jovens

Meu conselho é o mesmo deixado por Jesus: rezar sempre, seguir os Mandamentos, a santificação do matrimônio, a ajuda aos pobres. E também o Santo Rosário: Nossa Senhora todos os dias espalha sua luz, o seu amor a toda a humanidade. Assim como o nosso corpo precisa de comida todos os dias, precisamos nutrir espiritualmente nosso espírito. Vivamos com Jesus, olhemos todos os dias para Jesus, para vencer com Jesus, e viver a felicidade no Paraíso.

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18 outubro 2018, 16:37