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Próxima viagem apostólica começa pelo Chile e termina no Peru Próxima viagem apostólica começa pelo Chile e termina no Peru  (AFP or licensors)

Francisco, 'Apaktone' vestido de branco, aguardado pelos índios no Peru

‘Apaktone’: assim era chamado pelos nativos José Álvarez Fernández, missionário dominicano que por 53 anos promoveu o desenvolvimento dos povos originários na Amazônia peruana.

Cristiane Murray - Cidade do Vaticano

“Falta pouco para a chegada do ‘Apaktone’”: assim dizem os membros do povo Harakbut, comunidade nativa da Amazônia peruana que conta os dias para receber Francisco.

O Papa terá seu primeiro encontro com o povo amazônico no dia 19 de janeiro, no Ginásio ‘Coliseu Madre de Dios’, em Puerto Maldonado.

“ Os membros das 13 etnias que habitam nos 150 km2 de Puerto Maldonado mantêm viva sua cultura: costumes, língua e legado ancestral. Sobrevivem desde 1940, quando o povo foi salvo de um extermínio ”

Mais de cem comunidades indígenas esperam a chegada do Papa como se fosse o ‘Apaktone’: assim era chamado pelos nativos José Álvarez Fernández, missionário dominicano que por 53 anos promoveu o desenvolvimento destes povos originários na Amazônia peruana. Está em andamento seu processo de beatificação.

De “Apaktone” a Francisco

Assim como os Harakbut resistiram aos seringueiros que os exploravam como escravos para apoderar-se das riquezas da selva peruana, a ganância estrangeira de hoje os enfraquece, contaminando seus rios e derrubando suas matas e bosques.

Os sem voz têm em Francisco seu melhor aliado

As aldeias situadas na confluência dos rios Madre de Dios e Tambopata pertencem desde 1913 à jurisdição eclesiástica da Igreja em Puerto Maldonado, capital do departamento Madre de Dios.

“Os indígenas o sentem muito próximo; sabem que Francisco traz uma mensagem de paz”, afirma Dom David Martínez, bispo do Vicariato de Puerto Maldonado. Uma versão da Encíclica Laudato si na língua originária será distribuída aos participantes do encontro no Coliseu Madre de Dios e universitários da cidade participaram de jornadas de estudo sobre o cuidado com o meio ambiente.

“Apaktone” (Cuevas, Belmonte de Miranda, 16 de maio de 1890 - Lima, 19 de outubro de 1970) é considerado como símbolo do missionário, embora não soubesse nadar e ser de natureza temerosa. Atravessou a floresta, rios caudalosos e bosques, dormiu em praias e ao pé de grandes árvores, acompanhado somente por sua inquebrável fé. Por muitos era chamado de louco, mas hoje é visto pela maioria como herói e santo. 

05 janeiro 2018, 13:23