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Refugiados rohingya Refugiados rohingya   (AFP or licensors)

Papa em Mianmar: também a Igreja se abre ao mundo

Minoria num país budista, diferente de outras realidades os católicos não pertencem à elite nem política nem econômica da nação.

Bianca Fraccalvier - Yangun

Uma Igreja insignificante, mas muito engajada: assim o Arcebispo de Yangun, Cardeal Bo, define a presença católica em Mianmar.

Paz e reconciliação.

Minoria num país budista, diferente de outras realidades os católicos não pertencem à elite nem política nem econômica da nação. A Igreja é periférica em todos os sentidos e já põe em prática o sonho do Papa Francisco: uma Igreja pobre para os pobres. De fato, a caridade ocupa grande parte das atividades eclesiais.

Agora que o país está se abrindo ao mundo depois de décadas de isolamento, a Igreja está seguindo os mesmos passos da população. As religiosas acabam de integrar a rede da vida consagrada contra o tráfico humano, Talitha Kum. Com efeito, Mianmar é o mais novo parceiro da rede mundial, com a realização do primeiro encontro neste mês de novembro.

Em entrevista à Rádio Vaticano, a coordenadora de Talitha Kum em Mianmar, Ir. Rebecca Kay, explica que a vulnerabilidade social faz dos birmaneses possíveis vítimas do tráfico:

Em Mianmar, homens, mulheres e crianças são todas vítimas. Tenho o conhecimento de muitos homens traficados na indústria pesqueira, em navios pesqueiros. Mulheres, sobretudo, para a indústria do sexo e crianças para o trabalho infantil e a mendicância. Em Mianmar, todo mundo pode ser traficado por causa da pobreza, da situação do país, da instabilidade política. Em lugares onde há guerra civil, as pessoas saem de seus vilarejos e cruzam a fronteira, são obrigadas a migrar e, no caminho, acabam vítimas do tráfico. Em Mianmar, as pessoas são vulneráveis para serem traficadas.

Por isso, a principal preocupação das religiosas é como combater o fenômeno e advertir a população. Num contexto tão complexo, a visita do Papa Francisco é considerada uma bênção:

Sim, esta é a primeira visita e nós estamos muito orgulhosos disto. Em meio à crise em Mianmar, e o Papa escolheu este país, então estamos muito felizes porque ele nos ama e nos concede seu tempo ao nos visitar. A Igreja Católica em Mianmar é muito pequena, nós somos uma minoria, mas a fé dos católicos é forte. É uma bênção de Deus para nós, porque por muito muito tempo vivemos desconectados da Igreja por causa da situação do país.

Amor e paz é o tema da viagem, de quem mais necessita Mianmar?

Paz e reconciliação. Porque o nosso país por um longo período sofreu muito, especialmente as minorias, então necessitamos de reconciliação. E a visita do Papa irá nos unir, não só os católicos estão aguardando o Papa, mas também os budistas e outras denominações cristãs darão as boas-vindas ao Papa.

24 novembro 2017, 13:19