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Foto de arquivo: com o Papa Francisco, Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk (Vatican Media) Foto de arquivo: com o Papa Francisco, Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk (Vatican Media)

Ucrânia, dom Shevchuk: apoiamos toda forma de diálogo para evitar o conflito armado

"Nosso desejo é de que o Santo Padre visite a Ucrânia. Convidamos o Papa a vir porque os gestos são eloquentes e sua visita à Ucrânia seria um gesto muito forte". "Não queremos esperar 10 anos" para que esta viagem aconteça. "As pessoas na Ucrânia dizem o seguinte: se o Papa vier à Ucrânia, a guerra terminará porque, se o Papa vier, ele o fará como um mensageiro de paz", afirma Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk, arcebispo-mor da Igreja greco-católica ucraniana, que lança um apelo em favor da paz

Vatican News

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"Agora é importante dizer, em voz alta, não à guerra. Não à guerra como meio de resolver problemas geopolíticos entre Estados. Não à lei do forte, mas sim à força da lei. A única maneira de evitar o confronto militar é através do direito internacional, do diálogo e da diplomacia. É por isso que estamos apoiando todas as formas de diálogo entre os poderosos deste mundo, para que o confronto armado possa ser evitado. E queremos dizer fortemente não à violência, que está se elevando no mundo como uma idolatria. Como cristãos, devemos dizer que a única maneira de superar as dificuldades é através do respeito, do amor ao próximo e da solidariedade."

Dom Shevchuk, um apelo em favor da paz

Falando na manhã desta terça-feira, 08 de fevereiro, em transmissão ao vivo da capital Kiev com os jornalistas, foi novamente Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk, arcebispo-mor da Igreja greco-católica ucraniana, que lançou um apelo em favor da paz nestas horas cruciais, quando diplomatas e líderes governamentais estão trabalhando para alcançar compromissos e evitar uma escalada militar no conflito na fronteira com a Ucrânia.

No encontro com a imprensa organizado pela Universidade da Santa Cruz, o arcebispo-mor relata como o povo ucraniano está passando por este período de tensão extremamente alta. "Estamos cercados pelo exército russo." Nestas horas, o ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, anunciou que as forças armadas de Kiev realizarão de 10 a 20 de fevereiro exercícios militares com armas fornecidas pelos aliados, nos mesmos dias em que a Rússia e Belarus realizarão manobras conjuntas perto da fronteira norte da Ucrânia.

Uma guerra de propaganda, política e econômica

"Este não é mais um conflito bilateral entre a Ucrânia e a Rússia", reitera dom Shevchuk, mas "uma escalada militar entre a Rússia e o Ocidente" e "a Ucrânia está no meio entre estes dois blocos". "Estamos sob ataque, sob perigo iminente e grave". A situação é muito frágil e muitos advertem que ela pode se deteriorar ou piorar a qualquer momento".

O arcebispo fala, em seguida, de "uma guerra de propaganda", de "uma guerra política finalizada a mudar o governo em Kiev para instalar um regime fiel à Rússia e ao projeto de reintegração da Ucrânia na área da ex-União Soviética". É também uma guerra econômica, jogada com o aumento do preço do gás, que está colocando o país inteiro de joelhos, mergulhando-o na pobreza.

Igrejas trabalham juntas, em várias frentes

Muitas pequenas empresas tiveram que fechar e o número de pobres chegou a "triplicar". As pessoas estão retirando dinheiro dos bancos, temendo um colapso financeiro. As famílias têm "malas de emergência" preparadas no caso de um ataque armado e os "abrigos" estão prontos para proteger a população no caso de ataques armados.

Neste contexto, as Igrejas, todas juntas, estão trabalhando em várias frentes. A primeira é a oração, acompanhada de jejum. Cada vez mais pessoas estão se conectando diariamente via YouTube para a Oração pela Paz, que é transmitida às 20h.

A preocupação do Santo Padre

"O Santo Padre acompanha a situação na Ucrânia muito de perto e constantemente" e "está muito preocupado", diz o arcebispo-mor, e quando perguntado se o povo ucraniano espera mais da diplomacia vaticana, dom Shevchuk respondeu:

"Sabemos que também estão sendo feitos esforços a nível diplomático para comunicar esta preocupação do Santo Padre". "A força da diplomacia vaticana é muito eficaz", acrescentou ele. "Este trabalho que os diplomatas da Santa Sé estão fazendo é muito importante. Talvez o estilo diplomático seja diferente porque não se trabalha através de condenações ou apontando dedos para alguém."

Diplomacia vaticana à obra

"O que temos visto até agora é um esforço de mediação. Quando o diálogo morre ou é ameaçado, então a Santa Sé tenta discretamente salvar e promover a comunicação", acrescentou.

"O estilo da diplomacia vaticana é de não tomar um partido e estar acima do conflito para ter a liberdade de mediar e reconciliar os lados opostos. Mas devemos dizer que a Santa Sé nos ajudou muito, para libertar os reféns e proteger os católicos na Crimeia. A Santa Sé tem feito muito".

Visita do Papa à Ucrânia seria um gesto muito forte

"Nosso desejo – volta a dizer dom Shevchuk - é de que o Santo Padre visite a Ucrânia. Convidamos o Papa a vir porque os gestos são eloquentes e sua visita à Ucrânia seria um gesto muito forte". "Não queremos esperar 10 anos" para que esta viagem aconteça. "As pessoas na Ucrânia dizem o seguinte: se o Papa vier à Ucrânia, a guerra terminará porque, se o Papa vier, ele o fará como um mensageiro de paz."

(com Sir)

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08 fevereiro 2022, 16:42