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Audiência Papa Francisco a Mariella Enoc - 2020.02.12 Audiência Papa Francisco a Mariella Enoc - 2020.02.12  (Vatican Media)

Um retrato de Mariella Enoc num livro entre os caminhos da ética e da fé

Em Roma, a apresentação do livro editado por Francesco Occhetta e Mariella Enoc intitulado: "O dom e o discernimento". Diálogo entre um jesuíta e uma manager". A presidente do Hospital Bambino Gesù: no campo da saúde "não pode haver o lucro exagerado para o qual muitos estão caminhando". "Não é o lucro, como diz continuamente o Papa Francisco, o objetivo dos cuidados de saúde".

Amedeo Lomonaco – Vatican News

O gestor não é apenas chamado a equilibrar as despesas, mas também e acima de tudo a respeitar a dignidade da pessoa. Esta é uma das mensagens que ressoaram na Sala Zuccari do “Palazzo Giustiniani”, em Roma, a sede representativa do Presidente do Senado, por ocasião da apresentação do livro publicado por Rizzoli "Il dono e il discernimento". O evento, realizado  na noite de quarta-feira, 20 de outubro, contou com a presença do Vigário Geral do Papa para a Cidade do Vaticano, o cardeal Mauro Gambetti, do ministro da Saúde italiano Roberto Speranza e do editor da revista Espresso Marco Damilano.

Não o lucro mas a pessoa

O livro, realizado por Mariella Enoc e pelo padre Francesco Occhetta, exorta a questionarmo-nos sobre questões que dizem respeito à experiência humana e à vida social. As páginas do livro fluem através de um diálogo denso entre a presidente do Hospital Bambino Gesù, um dos mais importantes gestores italianos na área da saúde, e o religioso jesuíta, um professor da PontifIcia Universidade Gregoriana. Esta conversa dá origem a uma história que retrata a carreira de Mariella Enoc, e não só: os anos de presidência da Fundação Cariplo, da Confindustria Piemontesa (Confederação da Indústria Italiana) e do hospital pediátrico da Santa Sé, são acompanhados pelas suas experiências na Ação Católica e pelos seus encontros com grandes personalidades da Igreja. A vida de Mariella Enoc é a experiência de uma mulher gestora, impulsionada não só pela necessidade de fazer equilibrar as despesas, mas sobretudo animada pelos horizontes da ética e da fé. Ela disse ao Vatican News que, quando se trata de cuidados de saúde, "a centralidade não é a remuneração do capital". No centro deve estar "a pessoa e as suas necessidades".

Mariella Enoc, debrucemo-nos sobre o livro "O dom e o discernimento". Surge um retrato que traça a sua vida, entre escolhas de gestão e caminhos de fé. Como é que estes dois mundos - o mundo dos negócios e o mundo da fé - se uniram no seu caso?

Para mim, as escolhas de gestão foram sempre à luz de escolhas sobre as quais a fé me fez refletir. São escolhas de transparência, ética e respeito pela pessoa. Nunca quis comprometer-me: receber bónus por despedir um certo número de pessoas, fazer balanços que pudessem enganar os accionistas. Tenho tentado manter todas estas coisas longe de mim e da minha forma de operar.

Escolhas também ditadas por questões específicas. A questão crucial não deve ser o custo dos medicamentos. Frequentemente a senhora assinalou que as questões fundamentais quando se trata de saúde, da relação com os doentes... são outras.

No entanto, tendo em conta que os orçamentos devem estar em ordem e os projetos devem ser sustentáveis, pois caso contrário nada pode ser feito, a questão central para mim não é o retorno do capital. Em vez disso, é tudo o que me faz colocar a pessoa e as suas necessidades no centro. Tratar os doentes não é como fazer parafusos. É absolutamente diferente e devemos estar ciente disso. Não é que não deva haver remuneração, mas não pode haver o lucro exagerado que muitos pretendem. O Papa Francisco diz repetidas vezes: o lucro não é o objetivo dos cuidados da saúde.

Uma questão fundamental pode ser, por exemplo, quantas pessoas doentes posso curar?

Uma questão pode ser esta e pergunto-me, por exemplo, invisto uma quantidade muito grande de dinheiro, como aconteceu no caso das gêmeas siamesas. Perguntei-me quantas crianças teria curado. Mas a ciência deu-me a resposta. A ciência disse-me: com esta operação não só salvaremos duas meninas, como também ajudaremos o caminho da ciência. As respostas devem ser sempre cuidadosas e racionais. Para mim, primeiro é preciso olhar nos olhos da pessoa, compreender as suas necessidades e dar uma resposta. Também queremos curar crianças incuráveis.

21 outubro 2021, 12:16