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Encontro em Doha (Catar)  entre representantes da União Europeia e o Talibã, neste dia 12 de outubro Encontro em Doha (Catar) entre representantes da União Europeia e o Talibã, neste dia 12 de outubro  (AFP or licensors)

Afeganistão: um milhão de crianças com risco de vida

Diplomacia em tabalho frenético. Os EUA fornecerão ajuda humanitária, mas não reconhecerão politicamente o Talibã. Este foi o resultado do encontro em Doha, Qatar, na primeira reunião, após a retirada americana, entre representantes de Washington e do Talibã, que hoje, também no Qatar, estão se encontrando com uma delegação da União Europeia. O Unicef adverte sobre catástrofe humanitária iminente

Francesca Sabatinelli – Vatican News

O encontro entre os enviados de Bruxelas e os representantes do Talibã em Doha, nestes dias (12/09) será apenas um intercâmbio informal e técnico. A porta-voz da Comissão da União Europeia ressalta que a reunião em Doha não constitui nenhum reconhecimento do governo interino do Talibã, assim como os Estados Unidos deixaram claro após as conversações da segunda-feira (11), quando a delegação de Washington especificou que a ajuda humanitária seria fornecida à população afegã, mas que não haveria nenhum reconhecimento político ou diplomático do Talibã.

Encontro União Europeia e Talibã

A agenda das conversações entre o Talibã e a União Europeia cobre questões-chave como: a necessidade de um governo inclusivo, a questão dos corredores para afegãos que desejam deixar o país, o acesso à ajuda humanitária, a proteção dos direitos humanos e a necessidade de impedir que terroristas utilizem o solo afegão para ameaçar terceiros países, uma garantia já dada pelo Talibã, que promete combater os terroristas no país.

Catástrofe humanitária iminente

Enfrentar a situação humanitária extremamente grave no Afeganistão "é do interesse primário da União Europeia", disse ontem Josep Borrell, o Alto Representante da UE para Política Externa, que falou de pelo menos um milhão de crianças que correm o risco de morrer de frio e fome, a menos que recebam assistência adequada. "Não se pode esperar para ver", acrescentou Borrell, acompanhado pelo voz do Unicef, que adverte: a situação é realmente grave. O sistema de saúde está desmoronando, falta equipamento, medicamentos, pessoal e recursos adequados", afirma Andrea Iacomini da Unicef Itália. "Precisamos agir rapidamente, não meses ou anos, mas dias, ou seremos confrontados com uma catástrofe humanitária. No Afeganistão, explica a organização, há uma grave seca e o retorno de epidemias como o sarampo, 14 milhões de pessoas enfrentam atualmente uma insegurança alimentar generalizada, enquanto 95% das famílias não consomem alimentos suficientes, "porque os adultos comem menos para alimentar seus filhos". "Prometemos aos afegãos que não os deixaríamos sozinhos", conclui Iacomini, "e é hora de cumprir essa promessa".

Enquanto isso, sob a presidência italiana, será realizada hoje uma reunião extraordinária dos líderes do G20 sobre o Afeganistão, enquanto o Secretário Geral da ONU Antonio Guterres aponta o dedo para Cabul, acusando o Talibã de trair "promessas" sobre os direitos das mulheres.

12 outubro 2021, 12:07