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Nicarágua. Bispos: celebrar a Independência superando divisões e atitudes violentas

"Celebremos esta Independência comprometendo-nos a superar divisões e atitudes violentas e egoístas, o que comporta uma verdadeira conversão de nossa maneira de pensar, que implica uma conversão do coração, que nos vejamos como irmãos, para que juntos construamos uma nova sociedade, motivados pela caridade e solidariedade", exortam os bispos da Conferência Episcopal Nicaraguense (CEN), por ocasião das celebrações comemorativas dos 200 anos de Independência da América Central, este 15 de setembro

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Por ocasião do Bicentenário da Independência da América Central, celebrada na quarta-feira, 15 de setembro, a Conferência Episcopal da Nicarágua (CEN) exortou a sociedade nicaraguense a meditar sobre as "circunstâncias históricas do presente", e a rezar para que a nação tenha "autoridades lúcidas, sábias e respeitadas" das quais "hoje mais do que nunca precisam", que "saibam nos conduzir pelos caminhos da amizade cívica, do diálogo tolerante e respeitoso, buscando o bem comum acima dos interesses pessoais ou de parte e assim encontrando caminhos de justiça e paz social".

Como irmãos, construir juntos uma nova sociedade

Conforme declarado na mensagem dos bispos nicaraguenses, enviada à Fides - agência missionária da Congregação para a Evangelização dos Povos -, "a Nicarágua precisa reacender a esperança, ter um novo espírito que dê vida àqueles ossos secos, nas palavras do profeta, que já não servem mais à Comunidade. Proponhamo-nos todos construir uma sociedade baseada em valores que, como irmãos da mesma Pátria, nos levem a viver um espírito de fraternidade, liberdade e paz".

"Portanto, celebremos esta Independência comprometendo-nos a superar divisões e atitudes violentas e egoístas, o que comporta uma verdadeira conversão de nossa maneira de pensar, que implica uma conversão do coração, que nos vejamos como irmãos, para que juntos construamos uma nova sociedade, motivados pela caridade e solidariedade."

Denúncia da Comissão Justiça e Paz

A tensão entre o governo e a Igreja católica continua mesmo durante as celebrações civis do Bicentenário em todo o país. Há um mês, a Arquidiocese de Manágua, através de sua Comissão de Justiça e Paz, denunciou a violação sistemática dos direitos políticos e constitucionais na campanha eleitoral para a votação de novembro.

Na segunda-feira, 13 de setembro, a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, denunciou o crescente ataque às liberdades na Nicarágua, tendo em vista as eleições de 7 de novembro, com pelo menos 36 detenções arbitrárias, a invalidação de candidaturas e o cancelamento de partidos políticos.

Aumento de prisões arbitrárias no país

Os nicaraguenses, ressaltou Bachelet, têm o direito de apresentar candidaturas à presidência, de participar da campanha e a mídia deve acompanhar o processo, mas "nada disso está acontecendo", lamentou em seu relatório atualizado sobre o país perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU.

A Alta Comissária indicou que às 20 pessoas detidas em relação às eleições, que já havia denunciado em junho, juntaram-se 16 outras, "incluindo políticos, defensores dos direitos humanos, empresários, jornalistas e líderes camponeses ou estudantes".

(com Fides)

15 setembro 2021, 13:35