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África: um continente jovem, rico em recursos e oportunidades

"Africa: the Unknown. Resources and Gains". O texto partindo do princípio da teoria do Ubuntu e na lógica inclusiva da Encíclica “Fratelli Tutti” destaca as conquistas e os recursos presentes no continente africano nas áreas de política, economia, cultura e na esfera religiosa e eclesial. A obra é da Escola Sinderesi, da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma

Marina Tomarro – Vatican News

Falar da África, de um ponto de vista inédito, como um continente com recursos e ganhos. Isto é o que conta o livro "Africa: the Unknown. Resources and Gains" (África: o Desconhecido. Recursos e Ganhos). O texto, que reúne uma série de contribuições de especialistas na área, sem ignorar os problemas e limitações da África, quer partir de uma visão diferente, a do Ubuntu, a tradicional ideologia da África subsaariana, que se concentra na lealdade e nas relações mútuas das pessoas, para combater o individualismo egoísta que envenena o mundo e apoia a reconciliação e a compreensão mútua entre as partes em conflito, impulsionada a olhar além de seus interesses particulares em direção ao bem comum e a encontrar uma solução para a atual crise econômica e ambiental. A obra é da Escola Sinderesi, da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

A África apresentada com uma perspectiva diferente

"Estamos falando de uma África desconhecida, porque quisemos apresentá-la como um continente de recursos e de sucessos - explica Dom Samuele Sangalli, coordenador da Escola Sinderesi - em vez de vê-la sempre apenas através de seus problemas. A nossa visão foi completamente diferente, para dizer que a África é um continente jovem, pois há uma alta taxa de natalidade e a idade média é muito jovem e tem seus próprios recursos".

Neste livro é abordada a teoria do Ubuntu. Do que se trata especificamente?

R. - A teoria moral do Ubuntu é baseada na filosofia africana, que privilegia a interdependência como uma qualidade intrínseca e não secundária de nossa identidade individual. Dentro desta visão cosmológica, que está muito próxima daquela proposta pelo Papa Francisco na encíclica Fratelli tutti, a implicação moral do Ubuntu, que literalmente significa "eu sou em virtude da humanidade dos outros", nos diz que fundamentalmente, se olharmos para a raiz da profunda cultura africana, existe este sentido de colaboração e co-responsabilidade em enfrentar qualquer desafio na vida, mesmo que a globalização e o impacto com a nossa cultura ocidental coloque a dura prova esta corrente do pensamento africano.

Como esta teoria pode influenciar positivamente o desenvolvimento do continente africano?

R. - Em nossa pesquisa, que tocou diferentes partes do continente, quisemos olhar a realidade de diferentes pontos de vista: histórico, cultural, econômico, político, ambiental e de saúde, enfocando então em cada âmbito um país diferente, e como este princípio do Ubuntu levou a novas metodologias. Por exemplo, a interdependência social, que se tornou uma questão jurídica na Constituição inclusiva da África do Sul, continua a perdurar mesmo após o grande período histórico de Nelson Mandela. Também vimos como este princípio de co-responsabilidade gera uma relação inter-religiosa no Norte da África, como por exemplo no Senegal, uma relação de coexistência entre diferentes grupos étnicos e religiões que segue a ótica do Ubuntu. Estudamos as crises de Camarões e do Congo atualmente em curso, a inculturação dos processos destas situações complexas, só podem ser compreendidas se forem ligadas a este princípio de co-responsabilidade própria da identidade africana (o Ubuntu). E de fato as Conferências Episcopais destes países, neste momento, também estão se tornando muito corajosas em indicar este caminho, para encontrar soluções de paz, prosperidade e convivência entre os povos, apesar das diferenças culturais, sociais e religiosas".

19 maio 2021, 10:53