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Papa Francisco no Salão do Palácio Presidencial, em Bagdá Papa Francisco no Salão do Palácio Presidencial, em Bagdá  (AFP or licensors)

Grão Imame de Al-Azhar e Justin Welby tuitam sobre viagem do Papa ao Iraque

Mesmo o Iraque sendo de maioria xiita, a maior autoridade do Islã sunita tuitou nesta sexta-feira, fazendo votos de resultado positivo à viagem do Papa no "caminho da fraternidade humana". No mesmo sentido, a mensagem do primaz da Comunhão Anglicana, para que cure as feridas e abençoe os cristãos do Iraque.

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Em linha não só com o documento sobre a Fraternidade Humana, mas também com a Encíclica Fratelli tutti, o Grão Imame de Al-Azhar, Ahmed al-Tayyeb, e arcebispo de Cantuária, Justin Welby, tuitaram nesta sexta-feira, 5, assegurando orações para que Deus abençoe a viagem do Papa Francisco, dando continuidade assim ao "caminho da fraternidade humana” e que "conceda paz e prosperidade aos cristãos".

Rezando pelo Papa Francisco ao chegar ao Iraque hoje para uma peregrinação histórica de quatro dias. Que Deus proteja e abençoe sua viagem, cure as feridas de todos os afetados pela guerra, perseguições e Covid-19, e conceda paz e prosperidade aos cristãos do Iraque. #PopeInIraq”, foi a mensagem na conta Twitter do primaz da Comunhão Anglicana, enquanto al-Tayyeb escreveu"A visita histórica e corajosa ao Iraque envia uma mensagem de paz, solidariedade e apoio a todo o povo iraquiano. Rezo a Deus Todo-Poderoso que lhe conceda sucesso e que sua viagem alcance o resultado desejado para continuar no caminho da fraternidade humana".

Al-Tayyeb, a maior autoridade do Islã sunita, assinou juntamente com o Papa Francisco em Abu Dhabi, em 4 de fevereiro de 2019, o Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da Paz Mundial e da Convivência Comum, com "um convite à reconciliação e à fraternidade entre todos os crentes, mais ainda, entre os crentes e os não-crentes, e entre todas as pessoas de boa vontade; um apelo a toda a consciência viva, que repudia a violência aberrante e o extremismo cego; um apelo a quem ama os valores da tolerância e da fraternidade, promovidos e encorajados pelas religiões; um testemunho da grandeza da fé em Deus, que une os corações divididos e eleva a alma humana; um símbolo do abraço entre o Oriente e o Ocidente, entre o Norte e o Sul e entre todos aqueles que acreditam que Deus nos criou para nos conhecermos, cooperarmos entre nós e vivermos como irmãos que se amam."

Se com o representante do Islã sunita o Pontífice teve vários encontros no decorrer dos últimos anos, inclusive durante sua visita ao Egito em abril de 2017, quando discursou na Universidade de al-Azhar, a visita ao Iraque permitirá um contato mais estreito com o Islã xiita, na pessoa do Grande Aiatolá Ali al-Sistani.

A autoridade do líder xiita ultrapassa as fronteiras iraquianas. De fato, o aiatolá de 90 anos, nascido no Irã, sempre foi um guia espiritual muito apreciado por sua clarividência, sobriedade e sabedoria, mesmo por aqueles que não pertencem ao islamismo xiita. Iniciativas e palavras cordiais em relação aos cristãos, marcaram sua intensa participação nos tormentos das últimas décadas da história do Iraque. O Papa Francisco terá um encontro privado com ele em Najaf, na manhã do sábado, 5 de março.

Os conflitos entre as duas linhas do Islã tiveram início no século 632 d.C., após a morte do Profeta Maomé. A maioria dos muçulmanos é sunita e tem a Arábia Saudita como país de referência, enquanto os xiitas são capitaneados pelo Irã. No Iraque, os xiitas são maioria, entre 60-65% da população, enquanto os sunitas são 32-37%.

05 março 2021, 14:27