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Cavalhada Santo Amaro - (Foto aqruivo) Cavalhada Santo Amaro - (Foto aqruivo) 

Pandemia: tradição cultural cancelada em Campos

A Cavalhada de Santo Amaro, espetáculo que representa o encontro, diálogo e o abraço entre fé e cultura pela Pandemia teve sua apresentação cancelada na festa pela primeira vez em quase três séculos para evitar aglomeração. A apresentação aconteceria no dia 15 de janeiro é um dos momentos culturais mais esperados e atrai um publico expressivo à arena da praça do distrito campista.

.Ricardo Gomes – Diocese de Campos

Tradição de quase três séculos, a Cavalhada de Santo Amaro teve sua apresentação cancelada este ano. A decisão tomada pela Comissão Organizadora para evitar aglomeração na arena da Praça e preservar a integridade e saúde dos componentes e da equipe de apoio ao espetáculo que representa o dialogo entre a fé e a cultura. José Fernando Teles da Silva destaca que tradição maior e o cuidado para evitar que a Covid 19 continue circulando e fazendo vitimas.

"Num cenário de mortes pela pandemia do coronavirus é mais importante preservar a vida. A tradição será mantida com os componentes, suas famílias e o público com a saúde preservada e quando tivermos o controle desse vírus que já ceifou tantas vidas teremos o espetáculo de volta a nossa comunidade. Confiamos a nosso Padroeiro a quem imploramos sua intercessão pelo fim desse tempo de medo e de incertezas, pontua Teles.

Cavalhada Santo Amaro (Foto arquivo)
Cavalhada Santo Amaro (Foto arquivo)

Momento social, cultural e de fé

A Cavalhada de Santo Amaro é um espetáculo construído pelas famílias e envolve toda a comunidade. Desde sua preparação até o dia do espetáculo a produção das roupas é um momento de integração comunitária. A Professora e Escritora Gisele Gonçalves destaca um pouco desse processo de elaboração que envolve emoção e fé com a participação de atores comunitários envolvidos na trama representada no dia 15 de janeiro diante de um grande público.

"Quando assistimos a Cavalhada de Santo Amaro logo ficamos encantados com as vestes dos cavaleiros.  Por isso, é importante valorizar costureiras e artesãs da Baixada.  Assim, não podemos deixar de citar Maria da Conceição Ramos, de 94 anos, conhecida como Dona Conceição, que por muitos anos confeccionou as vestes da Cavalhada com todo carinho, passando a tradição para a sua sobrinha Inês. Ela é muito querida pela comunidade de Santo Amaro e sua família faz questão de cultivar esse carinho todos os anos, no dia da festa, quando recebem visitas de amigos e parentes. Com a pandemia de Covid e o cancelamento da Cavalhada, a família está cuidando muito bem de Dona Conceição, para que possa assistir muitas e muitas Festas de Santo Amaro", declara Gisele.

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Cavalhada: o encontro e diálogo entre fé e cultura

Desde os processos de elaboração até a apresentação do espetáculo no dia 15 de janeiro a cavalhada reúne as historias familiares de compromisso social. Miguel Henriques se orgulha de ter participado por 52 anos da representação e deixa o lugar para o filho Weligton Luis de Carvalho, mas continua colaborando no processo de organização.

"Eu tenho um grande orgulho quando eu visto esse uniforme. Comecei a cavalhada aqui quando eu tinha 14 anos e me aposentei como cavaleiro há quatro, quando passei meu lugar para o meu filho. A cavalhada é tudo na minha vida e, mesmo fora dela hoje, ela ainda está dentro de mim. Eu fico triste, porque este vai ser o único ano que não vamos ter a cavalhada em Santo Amaro, mas a gente entende que é uma situação complicada por causa da pandemia", contou Miguel.

Cavalhada Santo Amaro (Foto arquivo)
Cavalhada Santo Amaro (Foto arquivo)

Amor a tradição

Jose Fernando Teles da Silva recorda que o amor a tradição e a devoção a Santo Amaro herdou dos pais que eram atuantes na igreja. Desde criança participava da festa e hoje continua participando. E diante da Pandemia junto a Comissão Organizadora optou pelo cancelamento, mas se mostra confiante de que ainda este ano o espetáculo possa ser realizado.

"A gente acompanha as notícias desse vírus que traz tanto sofrimento. Então, nós temos que ter consciência e, por isso, resolvemos há alguns meses, não fazer esse evento neste período. Depois que as coisas tranquilizarem e a vacina chegar, talvez em julho a gente realize uma cavalhada simbólica para não deixar passar o ano de 2021 em branco",  destacou.

Além da fé e da tradição Fernando revela seu sentimento de devoção e de fé no santo que é venerado no município e recebe  devotos de todo o Brasil. Seus pais José de Souza Teles e Benedita Teles foram exemplo em sua vida desde a infância e hoje passa esse legado para o filho Rafael que o acompanha.

"A Festa de Santo Amaro faz parte da minha vida desde que eu era criança. A minha casa funcionava como um ponto de apoio para as pessoas. Meu pai fazia parte, hoje sou eu e já tenho meu filho de 15 anos que não perde uma Festa de Santo Amaro. Então, é um legado que vai de pai para filho. Isso é muito forte pra mim. Quem conhece a história da Festa de Santo Amaro, passa a vir todo ano, porque são muitas bênçãos recebidas", conta.

Depoimento
13 janeiro 2021, 14:02