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Patriarca Raï: só neutralidade entre Oriente e Ocidente garante ao Líbano real independência

Nas celebrações do 77º aniversário da independência do Líbano o patriarca maronita lançou um apelo renovado a reafirmar a “neutralidade libanesa”. A festa nacional deste ano transcorreu sem desfiles militares e demonstrações públicas, num contexto também marcado por novas medidas de confinamento adotadas para contrastar o aumento do contágio da Covid-19. O País dos Cedros está sem governo há mais de três meses, após a renúncia do premier Hassan Diab, depois das terríveis explosões no porto de Beirute em 4 de agosto

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A independência do Líbano não se reduziu à mera cessação do protetorado francês, mas marcou “a saída do país da política dos eixos, e o início de sua neutralidade” em relação às esferas geopolíticas do Ocidente e do Oriente. Também agora, na atual crise política e social que está assolando o País dos Cedros, vale a pena lembrar que a independência do Líbano e também sua economia cresceram nas fases históricas em que a nação escolheu mais decisivamente o caminho da neutralidade, enquanto a pobreza e as sujeições geopolíticas fizeram o povo libanês sofrer cada vez que as elites políticas nacionais se alinharam com um ou outro dos eixos de forças globais e regionais que se opõem há décadas no Oriente Médio.

Com este apelo renovado a reafirmar a “neutralidade libanesa”, feito na homilia da missa dominical de 22 de novembro celebrada na Sé Patriarcal de Bkerké, o patriarca de Antioquia dos Maronitas, cardeal Béchara Boutros Raï ofereceu sua contribuição para as celebrações do 77º aniversário da proclamação da independência libanesa.

País do Oriente Médio sem governo há mais de três meses

A festa nacional deste ano transcorreu sem desfiles militares e demonstrações públicas, num contexto também marcado por novas medidas de confinamento adotadas para contrastar o aumento do contágio da Covid-19.

O Líbano está sem governo há mais de três meses, após a renúncia do primeiro-ministro Hassan Diab, depois das terríveis explosões no porto de Beirute em 4 de agosto.

Estagnadas negociações para formação de novo governo

Agora as negociações para a formação de um novo governo estão paralisadas devido aos vetos cruzados entre as principais forças políticas e os confrontos entre o primeiro ministro designado, o muçulmano sunita Saad Hariri, e o chefe de Estado, o cristão maronita Michel Aoun, sobre o mecanismo de nomeação dos ministros.

A paralisia da política, devido à prevalência de interesses partidários – acrescentou o patriarca em sua homilia –“aumentou a corrupção, o açambarcamento e o desperdício de fundos públicos, levando o país à falência e ao colapso”. Trata-se de um jogo voltado ao caos que, segundo o patriarca, se baseia numa verdadeira traição/distorção da Constituição libanesa.

Estrutura institucional refém de blocos políticos contrapostos

A carta nacional – ressaltou o cardeal libanês – foi elaborada com a intenção de assegurar a coexistência inter-religiosa, o equilíbrio confessional e a participação igualitária na gestão do poder entre cristãos e muçulmanos, mas agora a estrutura institucional libanesa tornou-se refém de blocos políticos que se apresentam como representantes exclusivos das diferentes comunidades confessionais, e com base nessa identificação abusiva, com seus vetos cruzados, paralisam a vida pública nacional, visando tomar o poder em busca de interesses individuais ou sectários.

A reafirmação da “neutralidade ativa” do País dos Cedros foi exposta de modo orgânico pelo patriarca Raï no “Memorando para o Líbano e neutralidade ativa”, um documento publicado em meados de agosto passsado.

(Fides)

25 novembro 2020, 10:09