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Atentado em Viena Atentado em Viena  (AFP or licensors)

Atentado em Viena. Papa Francisco: “Chega de violência!”

Telegrama e tuíte do Papa Francisco pelas vítimas do atentado em Viena. Um comando armado formado por pelo menos 4 pessoas ontem à noite atingiu o centro de Viena: o balanço provisório é de 4 mortos e 17 feridos. Morto também o agressor, ligado aos terroristas do Estado islâmico e conhecido dos serviços de segurança. Proximidade e oração do Cardeal Arcebispo da cidade onde esta noite uma Missa recordará as vítimas

Michele Raviart, Silvonei José – Vatican News

“Expresso dor e consternação pelo ataque terrorista em #Viena e rezo pelas vítimas e seus familiares. Chega de violência! Construamos juntos paz e fraternidade. Só o amor apaga o ódio”: foi o que escreveu nesta terça-feira o Papa Francisco num tuíte referindo-se ao ataque terrorista contra a capital austríaca, Viena, na noite desta segunda-feira.

O  Papa enviou também um telegrama ao Arcebispo de Viena Cardeal Christoph Schönborn, no qual expressa sua "dor pelas vítimas e sua proximidade às famílias que perderam seus entes queridos". O Papa confia as vítimas "à misericórdia de Deus" e reitera seu apelo implorando "ao Senhor que a violência e o ódio cessem e que seja promovida a coexistência pacífica" . O telegrama foi assinado pelo cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin.

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Aos sentimentos do Papa, que reza pelas vítimas e seus famíliares, faz eco o arcebispo de Viena, cardeal Christoph Schönborn. "O ódio não deve ser a resposta a este ódio cego", escreve o arcebispo em um tuíte, comentando o ataque de ontem à noite em que quatro pessoas foram mortas por um grupo de pessoas armadas ligadas ao Estado islâmico no centro da cidade. "Continuamos no caminho da comunidade, da solidariedade e da solicitude. Estes são os valores que moldaram a Áustria", escreveu o cardeal, anunciando uma missa em memória das vítimas nesta tarde na catedral de Santo Estêvão, transmitida também em streaming para respeitar as normas anti-Covid. "A Áustria não deve tornar-se uma sociedade que se fecha no medo, mas deve continuar a ser aberta aos outros", disse ele numa entrevista televisiva, "mesmo se agora tenhamos de manter a distância por causa da pandemia, com o coração não devemos manter a distância”.

O agressor que foi morto queria chegar à Síria...

O ataque começou por volta das 20 horas de ontem, hora local. Os primeiros tiros foram ouvidos perto da sinagoga de Staddttempel e depois outras cinco áreas foram atingidas.  Até o momento são quatro as vítimas, dois homens e duas mulheres. Sete ficaram gravemente feridos. Também foi morto um dos agressores, que o ministro do Interior Karl Nehammer revelou ser um simpatizante do Estado islâmico. Era um homem de 20 anos com dupla cidadania, da Áustria e da Macedônia do Norte, equipado com um cinto explosivo falso, uma arma longa automática, uma pistola e um facão. O homem era conhecido dos serviços de segurança porque era um dos noventa islâmicos austríacos que tentaram chegar à Síria para lutar ao lado dos jihadistas e tinha saído da prisão há um ano.

Estão à procura de outros terroristas

A polícia austríaca está tentando, nestas horas, reconstruir a dinâmica do ataque, assistindo aos mais de vinte mil vídeos que aparecerem nas redes sociais desde ontem à noite. Pensa-se que quatro pessoas estavam envolvidas na ação; agora as forças de ordem estão procurando essas pessoas através de controles e perquisições. Nesta manhã, o governo austríaco reiterou o seu apelo aos vienenses para não deixarem as suas casas e para não irem absolutamente para o centro da cidade, onde 75 soldados estão presidindo as áreas sensíveis da capital. Também foram fechadas escolas, estações centrais do metrô e sinagogas em toda a Áustria. A Alemanha e a República Tcheca reforçaram as medidas de segurança nas fronteiras. Os controles no passagem do Brennero, entre Áustria e Itália, também foram aumentados.´

Os testemunhos

"Os agressores começaram a disparar aleatoriamente nos locais", testemunhou o prefeito de Viena, Michael Ludwig, à TV Orf. "Os agressores atiraram contra as pessoas que se encontravam no jardim de um bar", disse ao Kurier, o rabino Schlomo Hofmeister, que vive num apartamento em frente à sinagoga da cidade. De acordo com o seu testemunho, "o autor avançou na direção de Hoher Markt e da igreja de São Ruperto " e teria disparado contra as pessoas que estavam sentadas no jardim de um bar em Judengasse e Seitenstettengasse, mas "não apontou diretamente para a sinagoga", que, todavia, estava fechada. Há também numerosos testemunhos nas redes sociais de cidadãos que destacam como o ataque teve lugar na hora do jantar, na última noite antes do “lockdown”. "As ruas do centro estavam cheias de gente, devido à temperatura amena", lê-se em numerosas mensagens nas redes sociais.

Kurz: não é um conflito entre cristãos e muçulmanos

"Devemos estar sempre conscientes de que não se trata de um conflito entre cristãos e muçulmanos ou entre austríacos e migrantes. Não, esta é uma luta entre as muitas pessoas que acreditam na paz e os poucos que querem a guerra. É uma luta entre a civilização e a barbárie que perseguiremos sempre com determinação", disse o chanceler austríaco Sebastian Kurz num discurso à nação, que ontem à noite tinha falado de "um repugnante ataque terrorista". "Chocado e comovido", se disse Josep Borrell, Alto Representante da UE para a Política Externa em um tuíte: "Um ato covarde de violência e ódio. O meu pensamento vai para as vítimas e as suas famílias e para os cidadãos de Viena. Estamos ao seu lado".

Solidariedade

"Não há lugar para o ódio e a violência na nossa casa comum europeia. Proximidade ao povo austríaco, às famílias das vítimas e aos feridos", tuitou o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte. O Presidente francês Emmanuel Macron também escreveu num tuíte: "Nós, franceses, partilhamos o choque e a dor do povo austríaco atingido esta noite por um ataque no coração da sua capital, Viena. Depois da França, é um país amigo a ser atacado. A nossa Europa. Os nossos inimigos devem saber com quem estão mexendo. Não nos renderemos". As reações também provêm dos concorrentes à Casa Branca: "Devemos permanecer unidos contra o ódio e a violência", escreveu Joe Biden, e Donald Trump salienta que "estes ataques malignos contra pessoas inocentes devem parar. Os Estados Unidos estão lado a lado com a Áustria, França e toda a Europa na luta contra os terroristas”.

 

 

03 novembro 2020, 14:04