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Crianças africanas Crianças africanas  (WFP/Gabriela Vivacqua)

África do Sul, o drama das crianças chefes de família

O apelo da Comissão Episcopal Justiça e Paz para ajudar as crianças sem pais que são de fato forçados a ser chefes de família e que muitas vezes se vêem marginalizados e em risco de exploração.

Isabella Piro e Debora Donnini – Vatican News

Crianças que sofrem o "abandono, a aflição emocional, a discriminação, o estigma e o isolamento social". É o drama das crianças na África do Sul que são forçadas a tornarem-se "chefes de família" ou porque são órfãs ou porque deixadas sozinhas por ambos os pais ou porque são filhos de mães-solterias. É o que afirma nas suas 18 páginas, o Relatório da Comissão dos Bispos Justiça e Paz (Jpc) da Igreja Católica da África do Sul. "O nosso pai só volta para casa no Natal. Ele compra-nos comida suficiente para duas semanas, depois deixa-nos novamente. E morremos de fome durante o resto do ano", é um dos testemunhos. Marginalizados pela sociedade, que não os consideram "produtivos", estes menores - continua o documento -, são frequentemente "depredados pelos seus próprios familiares que, após a morte dos seus pais, lhes tiram a herança". Além disso, a Comissão Justiça e Paz salienta como as crianças chefe de família apresentam "sintomas de autocomiseração e baixa autoestima, tanto que estão convencidas de que merecem a indiferença da sociedade".

É necessário um sentido de responsabilidade da sociedade

Por esta razão, a Igreja sul-africana propõe o lançamento de programas especiais, em colaboração com o governo e as organizações da sociedade civil, a fim de atuar uma verdadeira "regeneração moral que estimulará novamente o sentido de responsabilidade da sociedade e a vontade das famílias alargadas de cuidar dos filhos dos seus familiares falecidos ou ausentes". "É necessário evitar a existência de famílias lideradas por crianças – reafirma a Comissão -, porque as crianças devem crescer em famílias normais". Ao mesmo tempo, os bispos sul-africanos pedem para promover e reforçar a proteção dos menores contra a exploração sexual, o que, nestes casos, constitui um risco real. Central, finalmente, o apelo a "serviços de qualidade para a cura de dores e traumas sofridos por crianças que ficaram órfãs ou particularmente vulneráveis".

 

10 setembro 2020, 09:31