Busca

Vatican News
Sursock Museum, em Beirute, após a explosão Sursock Museum, em Beirute, após a explosão 

Unesco à frente da reconstrução cultural de Beirute

A agência da ONU mobilizou as principais organizações culturais e especialistas do Líbano e da comunidade internacional para coordenar as medidas de emergência de curto e longo prazo para salvaguardar o patrimônio cultural da cidade, gravemente danificado pelas trágicas explosões de 4 de agosto.

Barbara Innocenti - Vatican News

Ouça e compartilhe!

Em um momento também de grande crise econômica – exasperada pela pandemia - as explosões no porto de Beirute não só provocaram centenas de vítimas e milhares de feridos, mas também infligiram graves danos em alguns dos bairros mais históricos da capital, nos principais museus, galerias e locais religiosos.

Salvar o patrimônio cultural

 

A Unesco responde ao pedido de apoio da Direção-Geral de Antiguidades do Líbano, liderando a mobilização internacional para a recuperação e reconstrução da cultura e do patrimônio de Beirute, com base na avaliação das necessidades técnicas da Direção-Geral e do Plano de Ação Internacional da Cultura na capital libanesa.

"A comunidade internacional enviou um forte sinal de apoio ao Líbano após esta tragédia", comentou Ernesto Ottone R., Assistente do Diretor-Geral da Agência de Cultura das Nações Unidas. “A Unesco está empenhada em liderar a resposta no campo da cultura - continuou ele - que deve constituir uma parte fundamental de um esforço mais amplo de reconstrução e recuperação”.

As primeiras avaliações de danos

 

De acordo com uma avaliação inicial de Sarkis Khoury - diretor geral de Antiguidades do Ministério da Cultura do Líbano - pelo menos 8.000 prédios foram atingidos, muitos dos quais concentrados nos antigos bairros de Gemmayzeh e Mar-Mikhaël. Cerca de 640 são prédios históricos e, destes, 60 estariam em risco de desabamento.

A explosão também teve um sério impacto no Museu Nacional de Beirute, no Sursock e no Museu Arqueológico da Universidade Americana de Beirute. Mesma sorte tiveram vários outros espaços culturais, galerias e locais religiosos.

Em defesa da vida cultural

 

O Dr. Sarkis Khoury enfatizou a necessidade de intervenções urgentes de consolidação estrutural e de impermeabilização para evitar maiores danos devido o aproximar-se das chuvas de outono. Para salvaguardar a vida cultural, foram também invocadas medidas de emergência, envolvendo a participação de artistas, profissionais do setor, artesãos e custódios da tradição e da cultura tradicional.

Cultura, fonte de esperança

 

O encontro de 10 de agosto para a coordenação da mobilização marcou o primeiro passo do contínuo compromisso da UNESCO para garantir que a rica vida cultural e o patrimônio de Beirute possam continuar a servir como uma fonte de força e de resistência para o povo libanês, já duramente provado pela crise econômica, pela pandemia e pela tragédia de 4 de agosto.

Entre os parceiros do encontro, a Aliança Internacional para a Proteção do Patrimônio em Áreas de Conflito - ALIPH, o Centro Regional Árabe para o Patrimônio Mundial (ARC-WH), Blue Shield, o Centro Internacional para o Estudo e a Conservação de restauração do patrimônio cultural (ICCROM), o Conselho Internacional de Museus (ICOM) e o Conselho Internacional de Museus e Sítios (ICOMOS). Também o embaixador Sahar Baassiri, delegado permanente do Líbano junto à UNESCO, esteve presente no encontro.

Photogallery

Os danos em igrejas e museus provocados pela onda de choque
13 agosto 2020, 20:24