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Livro infantil sobre refugiados vai pra sala de aula e dá lição a crianças e adultos no Brasil

O livro ilustrado “A revolução das crianças”, do autor brasileiro Raul Marques, chegou até o Papa Francisco, mas é aquela turma dos pequenos que mais se beneficia com a obra. A personagem Yasmin, uma menina refugiada, encontra os colegas brasileiros e acaba dando uma aula de tolerância e solidariedade sem nem mesmo perceber. Antes da pandemia, o livro percorreu escolas no interior de São Paulo e já impactou cerca de 500 crianças: “a revolução das crianças não é feita com grandes discursos, armas ou guerras, mas com o que existe de mais poderoso no mundo, o amor”.

Andressa Collet – Vatican News

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A personagem Yasmin, uma pequena refugiada recém-chegada no Brasil, encara o seu primeiro dia de aula na escola e é bem recebida pelos colegas de classe. Na verdade, os pequenos seguiram a lição da professora sobre o tema da migração, numa história contada pelo jornalista e escritor, Raul Marques, de São José do Rio Preto/SP.

“Criei essa história com uma série de inspirações. Talvez a mais importante seja a morte do garoto Alan Kurdi, em 2015, na Turquia. Aquela imagem dele sendo carregado por um policial me marcou profundamente. Já tive no Haiti a trabalho e conheço a realidade do país; na minha cidade no interior de São Paulo estão vindo refugiados para cá; então, é um tema muito grave e importante para o mundo e eu quis apresentar ele de forma lúdica para as crianças.”

Raul, então, resolveu usar a literatura para chegar até as crianças de 5 a 9 anos de idade e mostrar a importância de receber os refugiados com amor e carinho, procurando, assim, trabalhar o tema dos refugiados desde cedo:

“A história foi criada para incentivar as crianças a receber com humanidade tanto os colegas que vieram de outros países e até mesmo de outra escola, da própria cidade. A adaptação dos amigos, vindos dos mais variados destinos, pode ser facilitada quando as mãos são estendidas, os sorrisos oferecidos, os abraços dados sem preconceito. Eu acredito que com amor, carinho, alegria, paciência, respeito, compreensão e atenção o mundo pode ser bem melhor para todos. A literatura pode ser usada e trazer ótimos resultados aí. Eu acredito que é fundamental discutir esse tema, apresentar ele às crianças, tentar mudar a cultura, humanizar, tentar construir uma nova realidade. Mesmo que a gente não consiga mudar o mundo hoje, contemporâneo, considero fundamental preparar as crianças que representam o futuro da humanidade para lidar da melhor forma possível com esse tema.”

Seguindo o mesmo pensamento está o Papa Francisco, para quem Raul já enviou uma cópia do livro assim que lançou a obra, em janeiro deste ano. Já no mês seguinte veio o retorno do Vaticano, de um assessor direto do Pontífice, que agradecia o exemplar, já servindo de motivação para o brasileiro.

O livro foi lançado no início deste ano
O livro foi lançado no início deste ano

A parceria para contar a história de Yasmin

O trabalho de criação do livro durou cerca de um ano. A maior dificuldade, segundo o autor, foi encontrar a maneira mais poética e clara para explorar a história de Yasmim para as crianças. As ilustrações de Vanessa Alexandre conseguiram dar essa sinergia e maior relevância ao tema dos refugiados:

“A situação de refúgio já é difícil, de início, para um adulto, por se deparar com uma realidade nova, um país, costume, idioma e todas as outras coisas que fazem com que essa transição não seja fácil, então, quem dirá para criança, muito mais difícil, muito mais penoso e às vezes não tem toda a compreensão do porquê acontece essa transição. Eu tentei retratar isso da forma mais delicada possível: as primeiras ilustrações têm cores mais pesadas, mais fortes; procurei fazer essa transição para o acolhimento das crianças a partir do momento que a Yasmin chega para o país onde ela irá viver, através das cores, com cores mais leves e vibrantes e cada uma mostrando o acolhimento das crianças que a recebiam de uma forma diferente. Porque existem muitas formas de você receber, de você acolher uma criança que passa por uma situação de refúgio. E o adulto nem sempre tem essa simplicidade e percepção que a criança tem de, nos pequenos gestos, dos pequenos detalhes, fazer com que a criança refugiada se sinta acolhida.”

"A revolução das crianças", de Raul Marques
"A revolução das crianças", de Raul Marques

Crianças como multiplicadoras da mensagem

O livro já ganhou o Prêmio Nelson Seixas de Literatura 2019, promovido pela prefeitura de São José de Rio Preto (SP), e já foi adotado por escolas pra discutir o assunto em sala de aula. Antes da pandemia, o autor percorreu colégios do interior de São Paulo para divulgar a obra diretamente ao público infantil, impactando cerca de 500 crianças. Inclusive alguns exemplares já estão circulando entre as comunidades carentes locais, por iniciativa de Raul Marques, que acredita no potencial das crianças como multiplicadoras da mensagem e para criar uma corrente do bem:

“A Literatura Infantil é fantástica, muito rica, oferece uma série de possibilidades que vão além de incentivar a leitura desde cedo, de instruir, de informar e apresentar novos mundos. Os pais podem utilizar os livros para tratar de temas importantes com os filhos. A literatura pode ajudar nesse processo de humanização, de informar, de mudar comportamentos e realidades. É fundamental discutir e mudar o comportamento com os refugiados; espero que o mundo receba de forma mais humanizada essas pessoas que são obrigadas a deixar suas casas, as suas vidas e recomeçar em outro lugar." 

“Quero levar essa mensagem positiva às crianças e ao maior número possível de pessoas para que, de alguma forma, essa sementinha um dia brote e, quem sabe, cria adultos mais tolerantes e com o coração aberto para receber as pessoas sem preconceito.”

O livro “A revolução das crianças”, da Editora Penalux, está disponível na Amazon e em lojas virtuais de livrarias e megastores do Brasil, além do site do autor: www.raulmarques.jor.br.

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Livro ganha ilustrações que despertam a atenção das crianças
20 junho 2020, 09:30