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Prisioneiros talibãs libertados da Prisão de Bagram Prisioneiros talibãs libertados da Prisão de Bagram 

Afeganistão: dois mil talibãs libertados na trégua do fim do Ramadã

A decisão é um novo passo para a implementação dos acordos de paz de fevereiro passado entre os Estados Unidos e os insurgentes. O cessar-fogo de três dias pelo fim do Ramadã até agora foi respeitado

Michele Raviart – Cidade do Vaticano

O presidente afegão Ashraf Ghani concordou em libertar dois mil prisioneiros talibãs como parte das tentativas de aliviar a tensão entre governo e rebeldes. Um gesto de "boa vontade", chamou o porta-voz do presidente, "em resposta ao anúncio dos Talibãs de um cessar-fogo durante o Eid al Fitr", a festa do fim da celebração do Ramadã. Já foram colocados em liberdade - fontes oficiais confirmam - 100 presos da prisão de Bagram.

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Rumo à retirada das tropas americanas

Um processo que se acelerou com a trégua de três dias de 25 a 27 de maio, por ocasião da Festa do fim do Ramadã, após meses de aumento da violência que parecia minar mais uma tentativa de paz. A troca, que também prevê a libertação de alguns membros das forças de segurança afegãs presos pelos Talibãs, foi de fato um dos pontos do acordo assinado no final de fevereiro em Doha entre os Estados Unidos e os Talibãs. Este compromisso visa a reconciliação e a retirada das tropas americanas e estrangeiras no prazo de 14 meses.

Troca de prisioneiros

O acordo, que nunca foi formalmente ratificado por Cabul, previa a libertação de 5 mil talibãs em troca de mil soldados das forças armadas e foi atuado apenas parcialmente. Por sua vez, embora os islamistas tenham cessado os ataques contra as tropas estrangeiras continuaram a lutar contra as forças afegãs.

Parsi: o verdadeiro problema é econômico

Emanuele Parsi, professor de Economia e Relações Internacionais da Universidade Católica de Milão afirma que este ato foi “um grande investimento para com os talibãs na tentativa de implementar estes acordos de paz”. "O verdadeiro problema do Afeganistão pós guerra civil, porém, é um problema sobretudo de natureza econômica", sublinha, "porque se a economia não for de alguma forma restabelecida, serão recriadas as razões da popularidade de qualquer formação de insurgentes até mesmo dos Talibãs".

O papel dos Estados Unidos

Zalmay Khalizad, emissário dos Estados Unidos para o Afeganistão, julgou o cessar-fogo como “uma oportunidade que não deve ser perdida", enquanto no domingo passado (24/05) o Secretário de Estado Mike Pompeo lembrou aos Talibãs seus compromissos de libertar os prisioneiros e pedindo que não recomeçassem a lutar depois da trégua.

Não deixar o país sozinho

O professor Parsi explica: "Vai depender muito do quanto a liderança talibã, bastante plural, vai acreditar que pode ganhar com um acordo-quadro, que será implementado ao longo dos anos para que possa sempre ser modificado de alguma forma de acordo com as relações de poder, em vez de anular tudo". Esta última "é sempre uma possibilidade a partir do momento que os americanos irão embora, mas também seria um risco para os deter", porém, "se não quisermos que o Afeganistão volte a ser o horror que conhecemos há 30-40 anos", conclui, precisamos dos "doadores", dos países que até agora estiveram envolvidos na segurança e na reconstrução, "para não desapareçam junto com o último soldado americano".

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26 maio 2020, 10:18