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Crianças com máscaras protetoras, em parada de ônibus em Punjab Crianças com máscaras protetoras, em parada de ônibus em Punjab   (ANSA)

Diretrizes do UNICEF para proteger as crianças durante a pandemia

Reclusas em casa devido à pandemia do coronavírus, as crianças ficam mais vulneráveis a maus tratos, abuso sexual, exploração, exclusão social e separação das pessoas que cuidam delas, denuncia o UNICEF, que propõe aos governos algumas diretrizes para a tutela dos menores. O organismo da ONU recorda que em emergência anteriores de saúde pública, as taxas de abusos e exploração contra crianças aumentou, como na epidemia de Ebola em Serra Leoa, onde os casos de gravidez na adolescência chegaram a 14.000, mais que o dobro em comparação com o período anterior à epidemia.

Centenas de milhões de crianças em todo o mundo estão enfrentando, ou terão que enfrentar, ameaças crescentes à sua segurança e bem-estar - como maus tratos, violência de gênero, exploração, exclusão social e separação das pessoas que cuidam dela - decorrentes das ações para conter a propagação da pandemia do COVID-19. O UNICEF pede aos governos para garantirem a segurança e o bem-estar das crianças, apesar o intensificar das consequências socioeconômicas causadas pela doença.

Neste sentido, juntamente com seus parceiros na Aliança para a Proteção das Crianças em ação humanitária, publicou uma série de diretrizes para apoiar as autoridades e organizações envolvidas em uma resposta a esta situação.

Crianças mais vulneráveis

 

De fato, em questão de poucos meses, o COVID-19 virou a vida de crianças e famílias em todo o mundo de cabeça para baixo. Os esforços para a quarentena, como o fechamento de escolas e a restrição dos deslocamentos, considerados necessários, estão mudando a vida cotidiana e os sistemas de apoio às crianças. Ademais, estão causando um ulterior stress àqueles que cuidam das crianças, pois poderiam ter que renunciar ao trabalho.

A estigmatização associada ao COVID-19 tornou várias crianças mais vulneráveis ​​à violência e ao estresse psicossocial. Ao mesmo tempo, as medidas de controle não levam em consideração as necessidades específicas ligadas ao gênero e à vulnerabilidade de mulheres e das meninas, o que poderia levar a um aumento dos riscos de exploração sexual, abuso e matrimônios precoces. Recentes testemunhos vindos da China, por exemplo, indicam um aumento significativo nos casos de violência doméstica contra mulheres e meninas.

O diretor UNICEF para a Proteção das crianças, Cornelius Williams, observa que “as escolas estão fechando. Os pais lutam para cuidar de seus filhos e conseguir pagar as contas. Os riscos na proteção das crianças aumentam”.

Neste contexto, este guia fornece aos governos e às autoridades responsáveis pela tutela das crianças um esquema com medidas práticas que podem ser adotadas para manter as crianças seguras nesses tempos de incerteza".

Criança usa desinfetante nas mãos na entrada de uma sorveteria em Berlim
Criança usa desinfetante nas mãos na entrada de uma sorveteria em Berlim

Epidemia do Ebola levou a um aumento da exploração e abuso infantil

 

Durante emergências anteriores de saúde pública, as taxas de abuso e exploração infantil aumentaram. O fechamento de escolas durante o surto do vírus Ebola na África Ocidental entre 2014 e 2016, por exemplo, contribuiu para aumentar o trabalho infantil, o abandono, os casos de abusos sexuais e de gravidez na adolescência. Em Serra Leoa, os casos de gravidez na adolescência chegaram a 14.000, ou seja, mais que dobraram em comparação com o período anterior à epidemia.

As diretrizes

 

Por meio das diretrizes, a Aliança recomenda que governos e autoridades de proteção adotem medidas concretas para garantir que a proteção à criança seja parte integrante de todas as medidas de prevenção e controle do COVID-19, incluindo:

- formar o pessoal de saúde, escola e de assistência à infância sobre os riscos relacionados ao COVID-19, incluindo a prevenção à exploração e ao abuso sexual e as modalidades seguras para assinalar as preocupações em relação a isso;

· Formar os socorristas sobre como gerenciar a disseminação da violência baseada no gênero e colaborar com os serviços de saúde para apoiar os sobreviventes da violência baseada no gênero;

· Aumentar o compartilhamento de informações sobre serviços de orientação e outros serviços de apoio disponíveis para crianças;

· Envolver crianças e sobretudo os adolescentes na avaliação sobre como o COVID-19 os influencia, para orientar as ações de programação e advocacy;

· Fornecer um apoio direcionado aos centros de assistência temporários e às famílias, incluindo os núcleos familiares com menores de idade como chefes de família e as famílias adotivas, para apoiar emocionalmente as crianças e empenhar-se em um adequado cuidado de si;

· Prestar assistência econômica e material às famílias cujas oportunidades de geração de renda foram comprometidas;

· Implementar medidas concretas para prevenir a separação entre as crianças e suas famílias e assegurar apoio às crianças deixadas sozinhas sem cuidados adequados, devido à hospitalização ou morte dos pais ou de pessoas que cuidam delas;

· Assegurar que a proteção de todas as crianças seja levada em máxima consideração nas medidas tomadas para o controle da doença.

23 março 2020, 12:20