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Visita do Papa Francisco aos refugiados em Lesbos em abril de 2016 Visita do Papa Francisco aos refugiados em Lesbos em abril de 2016 

Apelo de três cardeais pelos refugiados de Lesbos

Em uma carta endereçada às Conferências Episcopais de toda a União Europeia, os cardeais Hollerich, Czerny e Krajewski pedem a recolocação em outros países europeus dos refugiados presentes na Ilha de Lesbos

Andrea De Angelis – Cidade do Vaticano

Foi lançado um forte apelo para manter aberto o caminho de esperança que faça da boa acolhida a resposta ao grito desesperado de muitas pessoas que buscam dignidade. Isso foi provado em experiências já encaminhadas em alguns países. O apelo foi lançado pelos cardeais Jean-Claude Hollerich, presidente da Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia, Michael Czerny, subsecretário da Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, e Konrad Krajewski, esmoleiro de Sua Santidade, em uma carta endereçada às Conferências Episcopais dos Estados membros da União Europeia. Citando várias vezes as palavras do Papa Francisco, os três cardeais convidam as Conferências Episcopais a seguir indicações para a transferência dos refugiados que se encontram na Grécia para um país europeu.

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Papa Francisco e a atenção aos refugiados de Lesbos

A carta abre-se recordando o Angelus de 6 de setembro de 2015, quando o Papa fez um “apelo às paróquias, comunidades religiosas, mosteiros e santuários de toda a Europa para que, exprimindo o Evangelho de modo concreto, acolhessem ao menos uma família de refugiados”. Na mesma ocasião o Papa solicitou o apoio de todos os bispos europeus ao seu apelo recordando que “a Misericórdia é o segundo nome do Amor”. Seis meses mais tarde, Francisco foi a Lesbos, era abril de 2016.

No apelo os cardeais escrevem: “Depois da visita, consciente da dramática situação de superlotação e de sofrimento na qual se encontram mais de 20 mil refugiados naquela ilha e muitos outros milhares em vários outros pontos da Grécia, o Papa nunca deixou de ajudá-los, tentando abrir corredores humanitários para a sua transferência, com dignidade, a outros países europeus”. “E o testemunho desta dedicação é expresso nas numerosas missões realizadas às ilhas do Mar Egeo pelo cardeal Krajewski e pelo Cardeal Hollerich”.

Os corredores humanitários

Um dever cristão e um convite para despertar energias novas e evangélicas. Com esta convicção, partindo das solicitações do Papa, os três cardeais pedem na carta que cada um dos países da União europeia e “as respectivas Conferências Episcopais deveriam, em colaboração com seus governos, concordar um projeto de corredor humanitário de Lesbos para outros campos de primeira acolhida na Grécia”. Neste sentido, evidencia-se na carta “as experiências já encaminhadas em alguns países demonstraram que as possibilidades de boa acolhida são superiores ao que se espera: muitos menores – escrevem Hollerich, Czerny e Krajewski – foram acolhidos em famílias, enquanto que os adultos foram bem acolhidos nas comunidades religiosas, nas paróquias e nas famílias que se disponibilizaram”.

O Papa: é preciso salvar os migrantes

A carta se conclui com as palavras pronunciadas pelo Papa no encontro de 19 de dezembro de 2019 no Vaticano com os refugiados vindos de Lesbos através dos corredores humanitários. “Como não podemos escutar o grito desesperado de tantos irmãos e irmãs?... Como podemos “passar além”, como o sacerdote e o levita na parábola do Bom Samaritano, tornando-nos assim responsáveis pela sua morte? A nossa apatia é um pecado!... É necessário ajudar e salvar, porque todos somos responsáveis pela vida do nosso próximo, e o Senhor nos pedirá contas disto no momento do juízo”. “Junto com o Santo Padre – escrevem os cardeais - nós também agradecemos ao Senhor por todos os que não ficaram indiferentes e com coragem abriram um novo caminho para dar nova dignidade e futuro a muitos nossos irmãos e irmãs”.

20 fevereiro 2020, 13:27