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Aeroportos internacionais, estações ferroviárias e de ônibus já estão adotando medidas de controle Aeroportos internacionais, estações ferroviárias e de ônibus já estão adotando medidas de controle  (AFP or licensors)

Novo vírus na China: OMS convoca reunião de emergência em Genebra

Para evitar a expansão do surto do novo vírus originário na China, através principalmente dos fluxos intensos de viajantes, a OMS convoca uma reunião de emergência para esta quarta-feira (22), em Genebra. Com o mundo em alerta por causa do vírus letal, transmitido de pessoa para pessoa, aeroportos internacionais já estão tomando medidas de prevenção.

Roberta Gisotti, Andressa Collet – Cidade do Vaticano

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) convocou uma reunião especial para esta quarta-feira (22), em Genebra. Com a rápida disseminação de um novo e misterioso vírus na China que causa pneumonia, a agência deve decidir se declara o surto, que teve origem há mais de um mês na cidade de Wuhan, província central de Hubei, como “uma emergência de saúde pública de alcance internacional”.

A preocupação maior é com a propagação do vírus através de fluxos intensos de viajantes, já que a China confirmou até esta terça-feira (21), quase 300 casos do novo vírus e 6 mortes. A Comissão Nacional de Saúde Chinesa divulgou que cerca de 900 pessoas estão em observação por suspeita de infecção. Aeroportos internacionais de vários países, além de estações ferroviárias e de ônibus já estão adotando medidas de controle. Na Europa já são três os aeroportos, entre eles, o Roma Fiumicino que tem voos diretos para a cidade de Wuhan.

Vírus letal é transmitido de pessoa a pessoa

Em entrevista ao Vatican News, o diretor do Departamento de Doenças Infecciosas do Instituto Superior de Saúde da Itália, Gianni Rezza, confirma que a situação é grave, mas que não deve chegar ao pânico, porque o foco inicial está limitado à cidade chinesa que conta com cerca de 11 milhões de habitantes. “Então, é muito grande, mas ainda não se difundiu para outras cidades”, diz o professor, que explica: “de fato, todos os casos referidos por outras localidades chinesas ou do Japão ou da Tailândia ou da Coreia do Sul, são todos de pessoas que tinham viajado e tinham se hospedado em Wuhan. Dessa forma, por agora consideramos que o foco seja muito limitado, se bem que existam centenas de casos de pessoas provavelmente já infectadas”.

O diretor confirma, no entanto, que “é um vírus que pode ser transmitido de pessoa a pessoa, porém, não quer dizer que a transmissão aconteça facilmente. Em geral, a transmissão acontece por contato direto, próximo, como acontece dentro de um núcleo familiar, por exemplo, ou num ambiente sanitário se o profissional de saúde não tomar as devidas precauções”. O vírus seria da mesma família da Sars, que entre 2002 e 2003 causou cerca de 800 vítimas fatais – uma maioria da China e da Ásia Oriental, exceto as cerca de 80 mortes no Canadá.

Sobre a reunião da OMS, que irá contar com a participação de delegados da China, o diretor italiano acredita que serão dadas indicações relacionadas ao grau de alerta global que se deverá tomar. Além disso, finaliza o professor Gianni, é fundamental “a identificação precoce do doente, o seu isolamento em ambiente idôneo no hospital, e o rastreamento e a quarentena de contatos” como as melhores medidas de prevenção na disseminação de novos casos.

21 janeiro 2020, 16:16