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Brasileiros que fizeram história. Quem é Deoclecio Redig de Campos?

O Vatican News apresenta um personagem brasileiro, que foi um dos homens, leigo, mais influentes nos Museus do Vaticano.

Padre Arnaldo Rodrigues - Cidade do Vaticano

Ao longo da historia, alguns brasileiros se destacaram pela grande colaboração que deram à sociedade. Alguns por meio da pesquisa cientifica, outros pela caridade, pela arte, pela politica, pela religião etc. O fato importante é que estes homens e mulheres levaram para o cenário internacional, de forma positiva, o nome do Brasil. Alguns destes nomes são desconhecidos para a maioria dos brasileiros.

O Vatican News apresentará, ou recordará, algumas destas pessoas que ilustraram a história do nosso país com suas vidas. O primeiro que apresentaremos hoje é Deoclecio Redig de Campo. Você já tinha ouvido falar este nome? Para conhecê-lo precisamos primeiramente saber de um fato histórico muito importante.

Atentado

Em 21 de maio de 1972, Laszlò Tóth, geólogo húngaro naturalizado australiano, realizou um dos maiores atos de vandalismo da história: com um martelo deu vários golpes na famosa imagem de Michelangelo, a Pieta.

László entrou na Basílica de São Pedro na manhã de 21 de maio e, por volta das 11h30, imediatamente subiu sobre a balaustrada que separava a multidão de visitantes da escultura da Pietá. Ele estava vestido com uma jaqueta azul e uma camisa vermelha.

Tirou sua jaqueta para estar mais livre em seus movimentos, bateu primeiro atrás da cabeça de Nossa Senhora com um martelo de geólogo e depois, várias vezes, em seu rosto e braços, deixando no entanto intacta a figura de Cristo. Ao fazê-lo, gritou em italiano: "Cristo ressuscitou! Eu sou o Cristo!". Tóth foi então segurado por um bombeiro, Marco Ottaggio, com a ajuda de outros guardas do Vaticano.

A Pieta sofreu danos muito graves, os golpes de martelo fizeram cerca de cinquenta fragmentos, quebrando o braço esquerdo e esmagando o cotovelo, enquanto no rosto o nariz ficou quase destruído, assim como as pálpebras.

Reparar as lesões sofridas e restaurar aquele milagre ao seu esplendor original era apenas uma das opções. Alguns queriam que a Pieta não fosse restaurada totalmente, mas que ficasse com as marcas das marteladas que a tinha desfigurada, pois em tempos tão violentos, tornar-se-ia assim um símbolo da vítima inocente. Outros queriam uma restauração "crítica" que deixaria em evidência as falhas e adições.

Porém permaneceu a primeira hipóteseː a restauração integrativa e completa. Deoclecio Redig de Campos disse naquela época: 

“ A Pieta tira a sua força expressiva em grande parte da pureza do mármore. É uma estátua tão bem acabada que um simples arranhão no rosto perturba mais do que a falta dos braços de Vénus de Milo. ”

Deoclecio Redig de Campos

Aqui entra em cena o nosso principal personagem deste artigo: Deoclecio Redig de Campos. Ele foi o responsável que coordenou a famosa restauração da imagem da Pieta, confiando a Vittorio Federici.

Filho de um oficial diplomático, mudou-se para a Europa, onde estudou primeiro na Alemanha, depois na Suíça e finalmente na Itália, onde se formou em Roma em história da arte, sob a orientação de Adolfo Venturi. Em 1933 foi contratado pelos Museus do Vaticano.

Em 1935, assumiu a direção da Galeria de Imagens do Vaticano e, em 1971, ele foi nomeado diretor geral dos Museus Vaticanos, cargo que ocupou até 1978. Ele dirigiu a restauração dos afrescos de Michelangelo na Capela Paulina e das Histórias de Cristo e de Moisés na Capela Sistina, os da Sala do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, de três retábulos de Raphael na Galeria de Fotos e a Pietá de Michelangelo, mencionada acima.

Suas muitas publicações foram escritas em diferentes línguas por ele (inglês, alemão, espanhol, português e italiano). Entre eles é de se notar os grandes volumes sobre o Giudizio Universale di Michelangelo, Raffaello e Michelangelo, Affreschi di Michelangelo nella Cappella Paolina, Raffaello nelle Stanze e o que foi impresso diversas vezes, Itinerario pitórico dos Museus Vaticanos.

Retorno

A estátua inteira foi lavada com água destilada. Pequenos espaços atrás da nuca foram deixados, para memória visível do dano sofrido. Dois pinos foram removidos, que uma vez suportavam um falso halo que já não existia. No dia 21 de dezembro de 1972, a restauração foi praticamente concluída e o Papa Paulo VI foi rezar diante da estátua e agradecer às pessoas que tinham tornado possível esse milagre. Na frente da escultura foi colocado um vidro protetor, à prova de balas, e as tábuas que bloquearam a entrada da Capela da Piedade foram finalmente desmontadas.

No domingo, 25 de março de 1973, Paulo VI anunciou que a escultura restaurada de Michelangelo havia sido devolvida às orações e à admiração dos fiéis.

 

26 junho 2019, 15:17