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Crise Venezuela Crise Venezuela  (AFP or licensors)

Venezuela: governo, rede elétrica voltou a funcionar

Segundo dados fornecidos pela Caritas venezuelana a uma delegação de Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), 23 dos 24 estados do país ficaram sem energia nos dias passados. O apagão agravou ainda mais a terrível crise econômica, política e social em curso há meses.

Cidade do Vaticano

Foi restabelecido em 100% o funcionamento da rede elétrica na Venezuela e 80% da rede de água: foi o que anunciou o governo venezuelano na última noite, ressaltando que ainda há problemas nas cidades de Baruta e Hatillo devido a um incêndio que afetou uma central. O ministro da Informação de Caracas, Jorge Rodriguez reiterou a tese de um ataque cibernético externo organizado com o apoio da oposição: "Eles tentaram destruir a pátria venezuelana com um crime brutal. Danificando os fornecimentos queriam provocar genocídio ", disse ele.

Venezuela de joelhos

A Venezuela está de joelhos. Mais de 30 milhões de venezuelanos enfrentam sérias dificuldades. “A crise no país é ainda mais dramática do que os números podem dizer. Já não se trata apenas das classes sociais mais pobres, disse Alessandro Monteduro, diretor de Ajuda à Igreja que Sofre, após a reunião de trabalho com o card. Porras, presidente da Caritas Venezuela, e Janeth Marquez, diretora executiva. Encontramos advogados, médicos, engenheiros com recém-nascidos e crianças pequenas com problemas muito graves de desnutrição. O apagão desses dias, combinado com a falta de água, está enfraquecendo ainda mais a resistência dessas pessoas. Também para as ONGs está difícil trabalhar. É de fato uma crise econômica e social inteiramente nova que tememos que se prolongue por muito tempo. Mesmo que as bombas não explodam, como nos disse o cardeal Porras, os efeitos são comparáveis ​​ao que ocorre na Síria”.

O apagão causou sérios danos ao sistema de saúde

As causas reais que levaram ao apagão ainda são desconhecidas. A versão oficial é que houve um incêndio entre a central hidrelétrica que fornece energia para 80% do país e os centros de distribuição. As consequências foram enormes. Em 99% do território nacional, além da energia elétrica, foram interrompidos o abastecimento de água, as comunicações e a venda de combustíveis. Tudo isso causou sérios danos ao sistema de saúde que já se encontra em graves dificuldades. Milhares de pacientes não puderam receber nenhuma terapia médica que exigisse o uso de equipamentos médicos. Os mais em risco, as crianças em enfermarias de neonatologia e pacientes em terapia intensiva.

Água e alimentos pouco saudáveis causam doenças graves

Além disso, na ausência de comida e água, os venezuelanos começaram a coletar e beber água de esgoto a céu aberto e também comer alimentos decompostos encontrados no lixo, com a alta probabilidade de contrair doenças graves. Enfim, o trânsito de aeronaves foi severamente limitado, resultando em paralisia da vida comercial. Muito poucas as decolagens do aeroporto de Caracas, enquanto empresas como a Iberia e a Air France cancelaram seus voos.

O momento dramático exacerbou as tensões sociais

Pelo menos 11 supermercados foram saqueados e a população já ultrapassou todos os limites de tolerância. Nas escuras noites venezuelanas, em muitas cidades se pode ouvir o “panelaço”, ou seja, milhares de panelas e tampas batidas em sinal de protesto, acompanhadas de slogans anti-Maduro.

14 março 2019, 12:40