Cerca

Vatican News

Tava, lugar de referência do povo Guarani, é Patrimônio Cultural do Mercosul

Com o Certificado a ser entregue na sexta-feira, é reconhecida a presença ancestral do povo Guarani no território Yvy Rupá, formado por caminhos e locais sagrados que hoje integram o Brasil, a Argentina e o Paraguai.

Na próxima sexta-feira, 8 de fevereiro, será entregue a lideranças indígenas das Missões (RS), o certificado de Patrimônio Imaterial, título que confere o reconhecimento da presença ancestral do povo Guarani no território Yvy Rupá, formado por caminhos e locais sagrados que hoje integram o Brasil, a Argentina e o Paraguai.

Tava, Patrimônio Cultural do Mercosul

 

Segundo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), “a decisão vem ao encontro das solicitações das lideranças indígenas que, durante as ações de salvaguarda, compreenderam que era necessário ampliar essas relações com os países vizinhos, compartilhando os valores atribuídos à Tava. Assim, com a anuência das comunidades envolvidas, o Iphan apresentou os estudos realizados sobre o bem cultural, mostrando sua importância como lugar sagrado onde todos, indígenas e não indígenas, podem aprender sobre a trajetória do povo Guarani”.

A Tava,  lugar de referência para a memória e identidade do povo Guarani, está localizada na área que corresponde ao Sítio Histórico de São Miguel Arcanjo, próximo às cidades de Santo Ângelo e São Luiz Gonzaga.

A decisão de reconhecer esse lugar sagrado como Patrimônio Cultural do Mercosul, foi tomada e anunciada no XVII Encontro da Comissão do Patrimônio Cultural do Mercosul - realizado em outubro de 2018 em Montevidéu, Uruguai – e vai “ao encontro das solicitações das lideranças indígenas que, durante as ações de salvaguarda, compreenderam que era necessário ampliar essas relações com os países vizinhos, compartilhando os valores atribuídos à Tava. Assim, com a anuência das comunidades envolvidas, o Iphan apresentou os estudos realizados sobre o bem cultural, mostrando sua importância como lugar sagrado onde todos, indígenas e não indígenas, podem aprender sobre a trajetória do povo Guarani”.

Patrimônio Mundial da Unesco

 

Desde 1983 na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco, a Igreja de São Miguel das Missões integra a área do Parque Histórico Nacional das Missões, criado em 2009, que reúne os sítios arqueológicos de São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São Nicolau e de São João Batista, localizados também no Paraguai, Argentina e Uruguai.

Coincidindo com a entrega do Certificado da Tava como Patrimônio Cultural do Mercosul, no mesmo dia 8 terá início na cidade de São Miguel das Missões, no Parque Histórico Nacional das Missões, a Ordem de Início das Obras de Requalificação urbanística do entorno do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo.

As Missões jesuíticas

 

As Missões, ou reduções jesuíticas, eram aldeamentos guaranis organizados e administrados pelos padres jesuítas, com o objetivo de criar uma sociedade com os benefícios e qualidades da sociedade cristã europeia, mas isenta dos seus vícios e maldades. Essas missões foram fundadas pelos jesuítas em toda a América colonial e constituem uma das mais notáveis utopias da história.

Os jesuítas desenvolveram técnicas de contato e atração dos índios, aprendendo suas línguas e cultura, reunindo-os em povoados que chegaram a abrigar milhares de guaranis. Eram bastante autossuficientes, dispunham de uma completa infraestrutura administrativa, econômica e cultural que funcionava num regime comunitário, onde os nativos foram educados na fé cristã e ensinados a criar arte às vezes com elevado grau de sofisticação, mas sempre em moldes europeus.

Depois de um início assistemático marcado por tentativas frustradas, em meados do século XVII, o modelo missioneiro já estava bem consolidado e disseminado por quase toda a América, mas enfrentou a oposição de setores da Igreja Católica que não concordavam com seus métodos, do restante da população colonizadora, para quem os índios não valiam a pena o esforço de cristianizá-los, e os bandos de caçadores de escravos, que aprisionavam os índios para submetê-los ao trabalho forçado na economia colonial exploradora e destruíram diversos povoados, causando muitas mortes.

Apesar das dificuldades, as missões prosperaram a ponto de, em meados do século XVIII, os jesuítas se tornarem suspeitos de tentar criar um império independente, o que foi um dos argumentos usados na intensa campanha difamatória que sofreram na América e na Europa e que acabou por resultar na sua expulsão das colônias a partir de 1759 e na dissolução da sua Ordem em 1773. Com isso, o sistema missioneiro entrou em colapso, causando a dispersão dos povos indígenas reduzidos.

O sistema missioneiro buscou introduzir o cristianismo e um modo de vida europeizado, integrando, porém, vários dos valores culturais dos próprios índios, e estava baseado no respeito à sua pessoa e às suas tradições grupais, até onde estas não entrassem em conflito direto com os conceitos básicos na nova fé e da justiça.

Incentivo ao turismo

 

Com investimento de R$ 3,05 milhões advindos do PAC Cidades Históricas, por meio do Iphan, a obra de Requalificação urbanística do entorno do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo é a primeira etapa da obra que requalificará todo aquele Conjunto. O Ministério da Cidadania, através do Iph, tem como meta em 2019 atuar em forte parceria com o Ministério do Turismo, visando implementar ações que incentivem o turismo cultural.

Fonte: Iphan

 

 

06 fevereiro 2019, 11:57