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Soldados americanos no Afeganistão Soldados americanos no Afeganistão  (ANSA)

Primeiras consequências da retirada das tropas EUA do Oriente Médio

A retirada das tropas militares dos Estados Unidos do Oriente Médio colocou o presidente Trump contra todos. A comunidade internacional está em alerta

Cidade do Vaticano

“Os Estados Unidos não querem ser os policiais do Oriente Médio. Agora cabe aos outros combater”. Esta é a posição do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que não volta atrás na sua decisão de retirar os militares norte-americanos do cenário sírio: cerca de dois mil soldados deverão voltar para casa nos próximos 30 dias. Uma política que está causando um tumulto interno, a ponto de levar o chefe do Pentágono, Jim Mattis  a deixar a administração.

Estados Unidos retiram tropas também do Afeganistão

Em seguida, foi anunciada pelo chefe da Casa Branca, a retirada das tropas também do Afeganistão, com a volta para casa de 7 mil soldados nas próximas semanas. “As repercussões, principalmente na Síria, são importantes", explica Gianluca Pastori, professor de política americana na Universidade Católica de Milão, "a saída dos Estados Unidos deixa o campo livre aos principais adversários dos americanos, ou seja, a Rússia, Irã e Turquia, com o abandono do apoio à milícia curda do norte da Síria”, contra os quais a própria Turquia combate pois os considera terroristas.

A busca da soberania dos EUA

O Congresso dos Estados Unidos pediu ao Presidente um esclarecimento sobre a estratégia completa que há por trás da sua decisão. Para Trump, o objetivo desta decisão a curto prazo, segundo o professor Pastori, “é conseguir um consenso imediato, a volta dos soldados à pátria agrada seus eleitores. Enquanto que, a longo prazo – diz Pastori – o presidente tem intenção de dissociar-se das consideradas ingerências por parte dos Fóros Internacionais e das Nações Unidas”. Porém, é uma estratégia que poderia se revelar uma faca de dois gumes: “É paradoxal que Trump queira relançar a soberania e o poder dos Estados Unidos – conclui Pastori – com uma crucial retirada dos cenários internacionais. Uma política que nunca tinha sido vista antes nos Estados Unidos”.

21 dezembro 2018, 13:20